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Afeganistão/ talibãs

Jornalista morto com a família é enterrado no Afeganistão

Sardar Ahmad e sua esposa, Homaira, foram homenageados em Cabul antes de serem enterrados com dois dos filhos, mortos no mesmo ataque.
Sardar Ahmad e sua esposa, Homaira, foram homenageados em Cabul antes de serem enterrados com dois dos filhos, mortos no mesmo ataque. REUTERS/Ahmad Masood

Centenas de pessoas homenagearam hoje o jornalista afegão Sardar Ahmad, da agência AFP em Cabul, morto com a mulher e dois de seus filhos em um atentado talibã na quinta-feira. Autoridades afegãs, francesas e americanas, entre outras, destacaram a trajetória do repórter, que cobria o conflito no país havia duas décadas.

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Familiares e amigos foram à residência da família para rezar diante dos quatro caixões, antes de uma cerimônia religiosa na mesquista Eid Gah, uma das maiores da cidade. A polícia afegã havia bloqueado o acesso de carros ao local para a passada do cortejo fúnebre.

Cartazes com as fotos de Ahmad e de sua esposa, Homaira, foram expostos e decorados com flores e com a bandeira do país. Em seguida, o casal e a filha Nilofar, 6 anos, e o filho Omar, de 3, foram enterrados, lado a lado, em um cemitério na periferia da cidade, conforme ritos muçulmanos. O terceiro filho do casal, um menino de 18 meses, continua hospitalizado em estado grave.

As mortes ocorreram na quinta-feira, em um hotel chique de Cabul, a duas semanas da eleição presidencial no Afeganistão. Outras cinco pessoas, incluindo um diplomata paraguaio, também morreram no local.

Quatro jovens talibãs conseguiram ultrapassar os controles de segurança do hotel Serena, um estabelecimento muito frequentado por estrangeiros na capital afegã, com pistolas escondidas nas meias. Eles jovens abriram fogo por volta das 20h30 locais contra os clientes do hotel, onde alguns comemoravam o ano novo afegão.

Sardar Ahmad, de 40 anos, trabalhava para a AFP desde 2003, quando foi contratado para acompanhar a coalizão militar liderada pelos Estados Unidos que expulsou os talibãs do poder no final de 2001. Nos últimos dez anos, o jornalista assinou dezenas de reportagens sobre a vida dos afegãos após os talibãs, o comércio de ópio, os desafios do Afeganistão em sua reconstrução e as eleições presidenciais de 2004 e 2009, entre outros temas.

Repercussão

À margem de seu trabalho na AFP, o jornalista, especializado em questões de segurança e conhecido por sua precisão, fundou a Pressistan, uma agência de notícias local que também fornecia serviços de tradução aos jornalistas estrangeiros de passagem pelo Afeganistão. “É uma dor imensa e uma grande perda para a Agence France-Presse", declarou o diretor-geral da AFP, Emmanuel Hoog. "Sardar Ahmad, jornalista corajoso, era uma peça fundamental de nossa equipe no Afeganistão que assegurava, a cada dia, uma cobertura excepcional da atualidade deste país em condições extremamente difíceis”, acrescentou.

O presidente afegão Hamid Karzaï denunciou a morte de um “brilhante jornalista”. O presidente francês, François Hollande, enviou uma mensagem de condolências à agência e declarou que Ahmad “era um jornalista apaixonado e comprometido em relatar, com delicadeza e inteligência, a complexidade da situação afegã”. Também o secretário de Estado americano, John Kerry, transmitiu uma mensagem à família do repórter.

Em sua última reportagem, Ahmad retratava a nova vida de Marjan, um filhote de leão resgatado por um zoológico de Cabul, depois de passar meses na casa de um rico empresário da capital. Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), ao menos 19 profissionais da imprensa foram mortos no Afeganistão desde 2002. Na semana passada, Nils Horner, repórter da rádio pública sueca, foi morto por homens armados no centro de Cabul.
 

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