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Turquia/Acidente

Após catástrofe na mina, polícia turca reprime com violência protesto em Soma

A polícia turca usou canhões de água e granadas de gás lacrimogênio contra manifestantes em Soma na tarde desta sexta-feira (16).
A polícia turca usou canhões de água e granadas de gás lacrimogênio contra manifestantes em Soma na tarde desta sexta-feira (16). Reuters

O desastre na mina de Soma, na Turquia, provocou uma nova onda de protestos contra o regime do primeiro-ministro conservador Recep Tayyp Erdogan. Nesta sexta-feira (16), as equipes de resgate se esforçam para resgatar os últimos corpos de mineiros. O balanço final deve ultrapassar 300 mortos. Um protesto em Soma foi reprimido com violência pela polícia turca.

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A emoção provocada pela morte de centenas de mineiros se transformou rapidamente em indignação contra o primeiro-ministro, que deve anunciar nas próximas semanas sua candidatura em um primeira eleição direta, marcada para o dia 10 de agosto.

No final da tarde desta sexta-feira, a polícia reprimiu com violência uma manifestação de vários milhares de habitantes de Soma, cidade mineira do oeste da Turquia onde aconteceu o drama. Ao menos cinco pessoas ficaram feridas.

Desde o acidente ocorrido na terça-feira (13) na mina de carvão, milhares de turcos foram às ruas para expressar seu descontentamento com o governo, acusado de ser indiferente ao destino dos trabalhadores em geral.

Já muito contestado por uma mobilização popular inédita em junho de 2013, o poder tentou acalmar a opinião pública prometendo esclarecer as causas da pior catástrofe industrial da história do país.

"Haverá uma investigação aprofundada", disse o primeiro-ministro na quarta-feira, quando visitou o local da catástrofe. Ele afirmou que o acidente era uma fatalidade, citando como exemplos acidentes ocorridos na França no início do século 20, o que exacerbou a indignação popular.

"Os acidentes fazem parte da própria natureza das minas", insistiu Erdogan, antes de ser violentamente vaiado pela população local.

Indignação

De acordo com vídeos feitos com telefones celulares que circularam nas redes sociais, o primeiro-ministro, conhecido por seus acesso de raiva, teria agredido fisicamente um manifestante que o criticava. A informação foi desmentida pelo porta-voz de seu partido.

Os vídeos provocaram furor nas redes sociais e ampliaram a impressão de um chefe do governo que não tem empatia pelas vítimas do drama.

A polícia está em alerta em toda a Turquia desde o acidente e reprime com violência qualquer reunião de pessoas em praça pública, como aconteceu na quinta-feira em Izmir ou Istambul.

As forças de segurança dispersaram com granadas de gás lacrimogênio passeatas de ativistas sindicais em greve em várias outras cidade, incluindo a capital Ancara.

Os opositores de Erdogan denunciam a falta de controle dos locais de trabalho pelo poder público e sobretudo no setor mineiro, no qual os acidentes de trabalho estão aumentando.

Fragilizado após a revelação em dezembro de um amplo escândalo de corrupção envolvendo as principais figuras de seu regime e o próprio primeiro-ministro, Recep Tayyp Erdogan saiu no entanto reforçado das eleições municipais, que seu partido venceu em março.

Segundo analistas, ele deve se candidatar à eleição presidencial e tem todas as chances de ganhar.

Negligência

No local do acidente, as equipes de resgate continuam trabalhando para resgatar os últimos corpos. Segundo o ministério da Energia, no máximo 18 mineiros ainda estão presos dentro da mina. Ele estima que o balanço final deve ser de 301 ou 302 mortos.

A empresa privada que explora a mina de Soma desmentiu, por sua vez, qualquer "negligência". O diretor de exploração, Akin Celik, informou que uma explosão de poeira de carvão pode ter sido a origem da explosão, e não um curto-circuito de transformador elétrico, hipótese evocada desde o início do acidente.

O presidente da companhia, Alp Gürkan, disse que a mina respeitava todas as normas de segurança. O executivo, que seria próximo do partido no poder, é acusado pela imprensa turca de ter privilegiado a rentabilidade em detrimento da segurança dos mineiros.

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