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Egito/eleições

Sissi obtém vitória esmagadora no Egito

Partidários de Abdel Fattah al-Sisi comemoram sua eleição na Praça Tahir, no Cairo, nesta quinta-feira, 29 de maio de 2014.
Partidários de Abdel Fattah al-Sisi comemoram sua eleição na Praça Tahir, no Cairo, nesta quinta-feira, 29 de maio de 2014. REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

O ex-chefe do Exécito Abdul Fatah al Sissi pode comemorar uma vitória esmagadora nas eleições presidenciais no Egito. Com 90% das urnas apuradas, o marechal Sissi obteve 96% dos votos.

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Onze meses após o golpe que derrubou o presidente Mohammed Morsi, o ex-chefe do Exército egípcio Abdul Fatah al Sissi venceu em uma eleição marcada por uma alta taxa de abstenção. Menos da metade dos eleitores foi às urnas.

Os resultados oficiais só serão anunciados nos próximos dias, mas os partidários de Sissi comemoraram a vitória do marechal. Essa eleição, porém, não foi transparente, afirmam analistas. Segundo dados não-oficiais divulgados pela imprensa egípcia, Sissi teria recebido 21 milhões de votos enquanto seu único adversário, Hamdeen Sabbahi, teria recebido entre 600 mil e 700 mil votos.

Shadi Hamid, pesquisador do instituto Saban Center, escreveu: “Não temos nenhuma maneira de verificar os dados do governo. Não houve nenhuma apuração paralela e não tinha um número suficiente de observadores internacionais”.

Oposição sufocada

A vitória de al Sissi não surpreende em um país onde o governo sufoca as vozes dissidentes. A Irmandade Muçulmana, movimento ao qual pertencia o presidente deposto Mohamed Morsi, foi uma das primeiras vítimas da repressão.

Desde a queda de Morsi em julho passado, mais de 15 mil partidários do ex-presidente foram presos e 1.400 pessoas morreram. Militantes de movimentos estudantis e progressistas também estão censurados e sob constante ameaça das autoridades egípcias.

Espírito da Primavera Árabe perdeu espaço

A volta de um governo com forte influência dos militares contraria os objetivos da Primavera Árabe que tirou do poder, há três anos, Hosni Mubarak. “Não esperívamos ver essa configuração após as revoluções árabes de 2011”, diz Karim Bitar, diretor de pesquisa do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas. “Poucas pessoas imaginariam que, depois da queda de Mubarak, um novo faraó, um marechal de óculos de sol, seria eleito com 96% dos votos sem ter apresentado um programa ou ter feito campanha”, avaliou Bitar.

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