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Israel/Palestina

Comunidade internacional se esforça por um cessar-fogo em Gaza

Palestinos fogem de bairro atingido por bombardeios israelenses ao norte de Gaza
Palestinos fogem de bairro atingido por bombardeios israelenses ao norte de Gaza REUTERS/Finbarr O'Reilly

Apesar dos esforços da comunidade internacional por um cessar-fogo, Israel bombardeou Faixa de Gaza durante toda a segunda-feira (21). Mais de 55 palestinos perderam a vida e cerca de 70 corpos foram encontrados debaixo de escombros, elevando o número de vítimas a 572. Entre elas, mais de 100 crianças. São mais de 3 mil feridos até agora. Do lado israelense, mais sete soldados morreram hoje. Agora, são 25 os militares de Israel mortos. As mortes, no entanto, não abalam a vontade do governo e da imprensa israelense de continuar com a ofensiva.

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Nesta tarde, um bombardeio contra um hospital da cidade de Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza, matou ao menos 5 palestinos. Cerca de 70 pessoas ficaram feridas, entre elas, 20 funcionários da instituição. Mais de 100 mil palestinos que tiveram suas casas destruídas se refugiaram nos 67 prédios da ONU em Gaza, onde mulheres e crianças têm de ser instaladas nos corredores por falta de espaço.

"Não é hora de falar em cessar-fogo"

O objetivo de Israel é destruir a capacidade do Hamas de atacar o país com foguetes e combatentes que cruzam o território por meio de túneis subterrâneos. Apesar do cenário de catástrofe humanitária, o ministro israelense dos Serviços de Inteligência, Yuval Steiniz, estimou que os combates "ainda devem durar bastante tempo". Seu colega das Comunicações, Gilad Erdan, afirmou que "não é hora de falar em cessar-fogo".

Alguns destes túneis foram destruídos na operação, o que levou o premiê Benjamin Netanyahu a declarar que a Limite Protetor "supera as expectativas". Desde o início da ofensiva, mais de 1.500 foguetes foram lançados contra Israel, sem causar nenhuma morte.

Netanyahu garantiu ontem que a Limite Protetor tem forte apoio da comunidade internacional. Mas, em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU pediu que "as hostilidades cessem imediatamente" para a proteção dos civis de Gaza, que não podem fuigr do território, por causa do embargo israelense, vigente desde 2006.

Kerry e Ban Ki-moon no Egito

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, desembarcou na noite de segunda-feira na cidade do Cairo, no Egito, justamente para tentar negociar um cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Também na capital egípcia, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, declarou que a violência deve parar "imediatamente".

De acordo com ele, "o que se viu nestes últimos dias é inaceitável". Apesar dos esforços diplomáticos para acabar com a brutal ofensiva, o governo de Israel segue irredutível. Hoje, dia em que foram enterrados alguns dos 25 soldados israelenses mortos, os principais jornais locais elogiaram a operação "Limite Protetor". Em sua manchete, o Yedioth Ahronoth escreveu que a guerra em Gaza é "matar ou morrer".

Geopolítica tensa

O Egito é um mediador frequente dos conflitos entre o Hamas e Israel, mas sua atual situação política promete uma negociação bem mais delicada do que a de 2012. Naquela época, o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, era um grande aliado do Hamas e usou seu peso político para fazer o grupo islâmico aceitar uma trégua. Ele foi destituído justamente pelo atual homem-forte no país Abdul Fatah Al-Sissi, que proibiu o Hamas no Egito.

Na semana passada, o Cairo apresentou uma proposta de cessar-fogo, apoiada pela Liga Árabe, mas que foi recusada pelo Hamas. O movimento argumenta que não foi avisado por Cairo sobre a trégua, da qual afirma ter sido informado pelas mídias, o que deixou furiosas as lideranças do grupo.

Antes de viajar para o Cairo, Ban Ki-Moon chamou de "atroz" a ação deste domingo, que matou mais de 70 palestinos no bairro de Shajaya. O exército israelense colocou os mortos na conta do Hamas, que os teria "colocado na linha de tiro". Ban Ki-Moon também conversou ao telefone com o presidente francês François Hollande, que disse que "todo esforço deve ser feito para acabar imediatamente com o sofrimento das populações civis em Gaza".

Antissemitismo

Pela Europa, cresce a preocupação com o surgimento de uma onda antissemita como consequência da brutalidade israelense em Gaza. Na França, onde as manifestações pró-Palestina estão proibidas, Hollande afirmou que nada justifica o antissemitismo, depois que lojas de judeus foram saqueadas e uma sinagoga depredada, neste domingo na Paris metropolitana. O Conselho Central dos Judeus da Alemanha denunciou nesta segunda-feira uma "explosão de ódio" contra judeus nos protestos que acontecem por todo o país.

Genocídio

O presidente palestino Mahmoud Abbas se encontrou com o chefe do Hamas no exílio, Khaled Mechaal, e os dois pediram o fim da "agressão israelense" e do embargo imposto contra Gaza. Ao lado da libertação de todos os palestinos presos em território israelense, essas são as condições impostas pelo Hamas para a aceitação de um cessar-fogo.

Em solidariedade aos palestinos, 3 mil pessoas protestaram em Nazaré, principal cidade árabe de Israel, contra o que chamaram de "genocídio" da população de Gaza. Houve confrontos entre policiais e manifestantes e 16 pessoas foram presas. Tanto em Nazaré quanto na Cisjordânia ocupada, o comércio ficou fechado nesta segunda-feira em solidariedade aos moradores da Faixa de Gaza. Na Cisjordânia, um palestino foi morto por tiros israelenses.

Desabrigados

Mais de 100 mil palestinos deixaram suas casas desde o início da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, no último dia 8. Os dados são da Agência da ONU para Ajuda aos Refugiados Palestinos. Hoje, a agência conseguiu uma ajuda de quase 41 milhões de dólares dos Emirados Árabes Unidos para a reconstrução das casas destruídas pelo exército de Israel.

Também são visados pelo acordo os hospitais e os postos de educação e serviços. Este é o segundo aporte dos Emirados Árabes, que já haviam anunciado uma ajuda humanitária de 52 milhões de dólares à Palestina.

Nesta quarta-feira, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas se reúne em caráter extraordinário.
 

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