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África do Sul/Imigração

África do Sul envia exército às ruas para combater violência xenófoba

A atual onda de violência contra imigrantes na África do Sul atinge subúrbios pobres de Joannesburgo (foto) e Durban.
A atual onda de violência contra imigrantes na África do Sul atinge subúrbios pobres de Joannesburgo (foto) e Durban. REUTERS/James Oatway/Sunday Times

O exército sul-africano será enviado às ruas para manter a ordem no subúrbio de Alexandra, em Joannesburgo, e ajudar a polícia na luta contra a onda de violência xenófoba que atinge o país. O anúncio foi feito nesta terça-feira (21) pela ministra da Defesa da África do Sul, Nosiviwe Mapisa Nqakula.

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"O exército é a última linha de defesa (...) e será usado como um elemento de dissuasão contra a criminalidade atual", disse a ministra durante uma visita ao local onde novos incidentes ocorreram durante a madrugada. Um casal originário do Zimbábue foi alvo de tiros em Alexandra. No sábado, um moçambicano tinha sido assassinado na mesma área.

No sábado, o presidente Jacob Zuma cancelou uma visita que faria à Indonésia para visitar um acampamento de imigrantes, ao sul de Durban. Zuma prometeu que iria "acabar com a violência” contra os estrangeiros no país.

A ministra disse que não foi fácil tomar a decisão de enviar o, devido às lembranças dolorosas deixadas pelas incursões do exército nos bairros pobres de Joannesburgo na época do Apartheid, nos anos 80 e 90. Ao mesmo tempo, Mapisa Nqakulaela garantiu que, se necessário, enviará soldados a outras localidades afetadas pela violência contra imigrantes.

Sem dar detalhes sobre os locais onde os soldados serão mobilizados, Mapisa Nqakula estima que "não é tarde demais para restabelecer a ordem". "Nós não estamos aqui para assumir o trabalho da polícia. Como não somos um Estado militarizado, as tropas entrarão gradualmente em ação. É o momento certo", observou a ministra.

Pressão no mercado de trabalho

O Fórum da Diáspora Africana, principal associação de imigrantes africanos no país, havia solicitado a intervenção do exército para proteger os estrangeiros. A onda de violência xenófoba registrada nas últimas duas semanas nas aglomerações de Durban e Joannesburgo deixaram, oficialmente, sete mortos e provocaram o deslocamento de milhares de pessoas. Hoje, os primeiros ônibus levando de volta vítimas de xenofobia chegaram ao Maláui e ao Zimbábue, dois países da região.

A África do Sul tem 50 milhões de habitantes e uma população de imigrantes estimada em 5 milhões de pessoas. A maioria dos imigrantes, vindos de países ainda mais pobres do continente, se instala nas periferias das grandes cidades sul-africanas, onde existem mais chances de encontrar trabalho. Porém, o índice de desemprego no país é elevado − chega a 25% da população e até 40% entre os jovens −, o que provoca tensões localizadas.

Na África do Sul, é comum os imigrantes serem responsabilizados por todos os males do país. Em março, o rei Zulu, Goodwill Zwelithini, convocou os estrangeiros a fazerem as malas e a irem embora. Logo em seguida, começou a atual onda de violência xenófoba, embora o rei zulu negue ter qualquer responsabilidade sobre os incidentes. Em uma outra onda de violência xenófoba ocorrida em 2008, 60 estrangeiros foram assassinados no país.

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