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Religião/Islã/Tragédia

Peregrinação a Meca termina com o balanço mais trágico dos últimos 25 anos

Imagem aérea da grande mesquita da Meca durante o ritual anual de peregrinação.
Imagem aérea da grande mesquita da Meca durante o ritual anual de peregrinação. REUTERS/Ahmad Masood

Centenas de milhares de muçulmanos terminam neste sábado (26) a peregrinação anual a Meca, conhecida como Hajj. O ritual chega ao fim marcado pelo luto, após a morte de mais de 700 pessoas. A pior tragédia dos últimos 25 anos provocou uma enxurrada de críticas à Arábia Saudita, que acolhe a manifestação religiosa.

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Desde o início da manhã deste sábado, grupos de milhares de homens e mulheres se revezam em Mina, perto de Meca, para cumprir um dos últimos passo do ritual da peregrinação, que consiste em lançar pedras contra três colunas que, de acordo com a tradição muçulmana, simbolizam o diabo. O rito acontece no mesmo local onde, na quinta-feira (24), um grande tumulto terminou com a morte de pelo menos 769 pessoas e 863 feridos, na pior tragédia registrada durante o Hajj desde 1990.

Três dias após o drama, as autoridades sauditas ainda não divulgaram uma lista de vítimas por nacionalidade nem publicaram os resultados de suas investigações. O general Abdel Aziz al Suly, que comanda as forças de segurança responsável pelo Hajj, informou que o inquérito "vai levar tempo". Citado pela imprensa local, ele indicou que "submeterá um relatório completo e detalhado ao rei Salman", mas não indicou quando.

O Irã, que anunciou a morte de 136 de seus cidadãos no incidente, questionou a Arábia Saudita, seu rival regional, e exigiu participar da investigação. O vice-presidente iraniano, Eshagh Jahanguiri, estimou que seu país, como outros que tiveram vários de seus cidadãos entre as vítimas, devem ter representantes no processo. "Não há dúvidas quanto a má gestão e inexperiência dos responsáveis", disse o representante de Teerã. Já na Turquia, um líder do partido islâmico conservador no poder, denunciou a "negligência" dos sauditas e propôs que seu país organize o próximo Hajj.

Riad descarta sua responsabilidade na tragédia. “A sorte e o destino são inevitáveis. Não podemos responsabilizar alguém” disse o grande mufti da Arábia Saudita, o xeque Abdel Aziz al-Sheikh.

Má gestão de fluxo de fiéis

Vários peregrinos atribuem a tragédia ao fechamento de uma passagem perto do local do apedrejamento e à má gestão de fluxo de fiéis pelas forças de segurança. Mas Abdullah al-Sheikh, presidente do Majlis al-Shura, o Conselho Consultivo composto por membros nomeados pelo governo saudita, disse que os peregrinos devem respeitar "as regras e os regulamentos emitidos pelas forças de segurança".

O ritual, iniciado na quinta-feira, no primeiro dia do Eid al-Adha (Festa do Sacrifício), dura três dias, mas os fiéis podem concluí-lo em apenas dois. Depois do apedrejamento, os peregrinos circulam ao redor da Kaaba, um edifício em forma de cubo no centro da Grande Mesquita, em direção à qual os muçulmanos devem rezar cinco vezes por dia. Em seguida, eles vão para Meca.

O Hajj é um dos cinco pilares do Islã, que os fiéis devem cumprir pelo menos uma vez em sua vida. Quase dois milhões de muçulmanos, incluindo 1,4 milhão de estrangeiros, fizeram a peregrinação este ano.

(Com informações da AFP)

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