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Síria/ ataques

Aumenta troca de acusações entre Rússia e EUA sobre a Síria

Insurgentes apagam as chamas em um carro bombardeado pelos russos em Idleb, na Síria.
Insurgentes apagam as chamas em um carro bombardeado pelos russos em Idleb, na Síria. REUTERS/Khalil Ashawi

A quinta-feira (1º) marcou uma escalada da tensão entre a Rússia e os Estados Unidos sobre a atuação militar de Moscou na Síria. Os rebeldes sírios que enfrentam o ditador Bashar al-Assad, ajudados pelos americanos, confirmaram ter sido atacados pelos bombardeios russos. Um representante do Kremlin disse que o país está disposto a atacar alvos terroristas também no Iraque, se for solicitado por Bagdá.

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Caça-bombardeiros russos atacaram nesta quinta-feira um campo de treinamento de um grupo rebelde treinado pelos Estados Unidos na província síria de Idleb, no noroeste do país. "Exatamente às 10h30 locais (4h30 de Brasília), os aviões russos bombardearam o campo de treinamento de Suqur al-Jabal e quatro caças lançaram mais de 10 mísseis", afirmou Mustafa Halabi, porta-voz do Suqur al-Jabal, à agência AFP.

Outros dois aviões russos atacaram a base ao meio-dia, mas nenhum rebelde ficou ferido. Os opositores desse grupo receberam treinamento e equipamentos como parte de um programa americano de US$ 500 milhões para criar uma força que combata o grupo jihadista Estado Islâmico na Síria.

O senador americano John McCain acusou os russos de bombardear grupos financiados e treinados pela CIA americana. Em uma entrevista à rede de TV CNN, McCain declarou que a verdadeira prioridade do presidente russo, Vladimir Putin, é apoiar ao líder sírio Bashar al-Assad, e não combater extremistas islâmicos, como afirma.

O senador opositor, que conduz o comitê dos Serviços Armados no senado dos EUA, já havia defendido um papel mais ativo dos Estados Unidos no Oriente Médio, em especial nos esforços para retirar Assad do poder. Os insurgentes lutam há mais de quatro anos para derrubar o ditador, depois do início de protestos contra o governo que se transformaram em guerra civil. Os Estados Unidos e seus aliados da coalizão militar internacional que atua na Síria exigem a saída de Assad - ao contrário do governo russo, que deseja que Damasco seja incluída nas negociações para uma solução do conflito.

Diálogo sobre ataques

As autoridades militares russas e americanas começarão nesta quinta-feira a conversar para evitar qualquer tipo de incidente entre suas forças armadas na Síria, indicou um funcionário do departamento de Defesa dos Estados Unidos, que pediu o anonimato. Uma videoconferência está prevista para as 15h GMT (12h de Brasília), entre funcionários de alto escalão civis e militares do Pentágono e seus colegas russos.

Moscou enviou mais de 50 aviões e helicópteros para a Síria, além de tropas especiais, para atacar alvos “terroristas”, segundo o ministério da Defesa russo. O problema é que, para o governo sírio, todos os opositores ao seu regime são considerados terroristas, e não apenas os combatentes do grupo Estados Islâmico e de outros braços extremistas que atuam no país, em meio ao caos gerado pelo conflito.

Os bombardeios russos em território sírio foram lançados nesta quarta-feira, contra alvos terrestres nas províncias de Homs e Hama – cidades ocupadas pelos opositores ao ditador sírio, e não por integrantes do Estado Islâmico.

Rússia pode ajudar o Iraque

Para azedar ainda mais o clima, a Rússia disse estar pronta para fazer ataques aéreos contra os jihadistas no Iraque, se o governo iraquiano ou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU pedirem. A declaração foi feita pelo diretor do departamento de Novos Desafios e Ameaças do ministério das Relações Exteriores, Ilya Rogatchev.

Bagdá declarou que “vai estudar” uma eventual proposta de Moscou. O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, esclareceu que ainda não há conversas com o governo Putin sobre esse assunto, “mas essa é uma possibilidade”, observou.

Reunião em Paris

A situação na Síria vai ser um dos assuntos de uma reunião entre Putin e o presidente francês, François Hollande, em Paris, nesta sexta-feira. O objetivo principal do encontro é debater uma saída para o conflito na Ucrânia. O presidente ucraniano, Petro Porochenko, também vai participar da cúpula.

Com informações AFP
 

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