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Afeganistão/Conflito

EUA podem ser responsáveis por bombardeio de hospital da MSF no Afeganistão

Foto fornecida pela MSF mostrando o hospital de Kunduz, atacado neste sábado (3), em chamas.,
Foto fornecida pela MSF mostrando o hospital de Kunduz, atacado neste sábado (3), em chamas., AFP PHOTO / MSF

A força aérea norte-americana pode ter sido responsável pelo ataque a um hospital da ONG francesa Médicos Sem Fronteiras, no norte do Afeganistão, classificado como "crime de guerra pela ONU". Em um comunicado emitido agora há pouco, o exército dos Estados Unidos reconheceu ter bombardeado posições "próximas" do prédio na cidade de Kunduz, que é palco de violentos combates desde o início da semana, quando foi tomada pelos talibãs em um ataque surpresa. Ainda de acordo com as forças armadas, uma investigação foi aberta para esclarecer as circunstâncias do ataque, que, na madrugada de sexta para sábado, deixou ao menos 19 mortos - entre eles 12 funcionários da organização humanitária.

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A Otan, cuja coalizão conta com 13 mil homens no país, ainda não reconheceu oficialmente o bombardeio do hospital, mas afirmou que uma operação aérea poderia ter causado possíveis "danos colaterais" à instalação. Essa declaração revoltou os Médicos Sem Fronteiras. Em comunicado, a presidenta da organização, Meinie Nicolai disse que não se pode aceitar que "horríveis perdas em vidas humanas sejam classificadas como simples 'danos colaterais'".

No momento do ataque, 105 pacientes e 80 funcionários da Médicos Sem Fronteiras, afegãos e estrangeiros, estavam no hospital de Kunduz. O prédio está em ruínas. A OTAN confirmou o bombardeio que visava "pessoas que ameaçam as forças da coalizão” no Afeganistão. O coronel Brian Tribus, porta-voz da missão da Aliança Atlântica no país, declarou, no entanto, que o bombardeio pode ter provocado “danos colaterais em um centro médico nas proximidades" do alvo.

A MSF afirmou que assim que o hospital foi atingido por um primeiro ataque, os exércitos americano e afegão foram avisados do engano, mas que o bombardeio continuou “durante mais de 30 minutos”. Uma investigação foi aberta e a ONG exige que o incidente seja esclarecido o mais rápido possível. Os ataques aéreos da coalizão internacional no Afeganistão causam com freqüência polêmica devido a esses “danos colaterais”. No último mês de julho, 10 soldados afegãos morreram em um ataque americano na província de Logar, no leste do país.

Reconquista de Kunduz

Kunduz, cidade estratégica do norte do Afeganistão, foi reconquistada pelo Exército afegão das mãos dos talibãs na quinta-feira (1), mas os combates continuam. Ela foi a primeira grande cidade afegã tomada pelos rebeldes desde que o movimento radical foi expulso do poder, em 2001, pela invasão americana.

O hospital da MSF era o único da região equipado para cuidar de grandes feridos. Ele fornecia uma ajuda fundamental à população civil desde o início da ofensiva talibã na segunda-feira (28) e da contra-ofensiva das forças de segurança afegãs. Desde a última segunda-feira, o hospital atendeu quase 400 feridos.

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