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Prêmio Nobel da Paz/Tunísia

Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia vence Nobel da Paz de 2015

Foto de arquivo durante a comemoração do aniversário da Revolução do Jasmim, em Túnis, em dezembro de 2013.
Foto de arquivo durante a comemoração do aniversário da Revolução do Jasmim, em Túnis, em dezembro de 2013. REUTERS/Zoubeir Souissi

O prêmio Nobel da Paz este ano foi atribuído ao Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia, responsável pela mediação que garantiu a transição democrática no país depois da Revolução de Jasmim, 2011, que deu início à Primavera Árabe. Durante o anúncio, na manhã desta sexta-feira (9) em Oslo, a Fundação do Prêmio Nobel destacou o papel decisivo do grupo para restaurar a pluralidade democrática no país que culminou na realizão de eleições livres.

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O Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia foi criado em 2013 quando o processo democrático estava em risco, devido a uma onda de assassinatos políticos e a insatisfação social. O grupo é formado por organizações da sociedade civil: o UGTT, sindicato histórico da Tunísia e símbolo da independência, pela organização patronal Utica, a Confederação Nacional da Indústria, Comércio e Artesanato, a Liga dos Direitos Humanos da Tunísia e a Ordem Nacional dos Advogados do país.

Essas instituições representam diferentes setores da sociedade tunisiana e trabalham em defesa dos princípios legais e dos direitos humanos. Segundo a Fundação do Prêmio Nobel, esse quarteto pavimentou o caminho para o diިálogo entre os partidos políticos, autoridades e a população, o que permitiu a realização das eleição livres e democráticas "num momento em que o país estava à beira da guerra".

Exemplo para os países do Oriente Médio

Ao conceder o prêmio a uma organização da sociedade civil, a Fundação destacou que pretende que o gesto seja um exemplo para os países do Oriente Médio, da África e de outras regiões do mundo em conflito. Seu papel foi crucial para permitir que a Tunísia "estabelecesse um sistema constitucional de governo que garantisse os direitos fundamentais para o conjunto da população, sem distinções de sexo, convicções políticas ou crenças religiosas", explicou o comitê.

A Tunísia, onde a Primavera Árabe começou, é o único país que conseguiu completar sua transição a um sistema democrático.

Líderes felicitam vencedores

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, celebrou a escolha do comitê Nobel, ressaltando que a decisão "mostra o caminho para resolver as crises na região". "O Nobel da Paz ao Quarteto do Diálogo Nacional tunisiano mostra o caminho para resolver as crises na região: unidade nacional e democracia", escreveu Mogherini em sua conta do Twitter.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, também felicitou o Quarteto do Diálogo Nacional. Já o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, disse que o prêmio era "amplamente merecido".

A comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmstrom, que anunciou nesta semana uma viagem à Tunísia no âmbito das negociações de um acordo comercial com a União Europeia, estimou que o prêmio era "bem merecido". "O caminho tunisiano em direção à democracia foi uma fonte de inspiração e esperança para todos nós", declarou.

Recebimento do prêmio

Os vencedores receberão seus prêmios em uma cerimônia que será realizada em Oslo no dia 10 de dezembro, data do aniversário da morte em 1896 do criador do prêmio, Alfred Nobel, cientista e filantropo sueco.

O Nobel da Paz é o quinto atribuído neste ano, depois de Literatura (Svetlana Alexievich), Medicina (William Campbell, Satoshi Omura e Tu Youyou), Física (Takaaki Kajita e Arthur McDonald) e Química (Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar).

Lista dos últimos 10 vencedores do Nobel da Paz

2015: Quarteto de Diálogo Nacional tunisiano, por "sua contribuição decisiva à construção de uma democracia pluralista" após a revolução de 2011, que derrubou o regime de Ben Ali.

2014: Malala Yousafzai (Paquistão) e Kailash Satyarthi (Índia), "pela luta contra a opressão das crianças e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação".

2013: Organização para a Proibição das Armas Químicas (OIAC), por seus esforços destinados a libertar o planeta destas armas de destruição em massa.

2012: União Europeia (UE), por ter contribuído para pacificar um continente devastado por duas guerras mundiais.

2011: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkol Karman (Iêmen), por sua luta não violenta em favor da segurança das mulheres e seus direitos a participar dos processos de paz.

2010: Liu Xiaobo (China), dissidente detido, "por seus esforços duradouros e não violentos em favor dos Direitos Humanos na China".

2009: Barack Obama (Estados Unidos) "por seus esforços extraordinários com o objetivo de reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos".

2008: Martti Ahtisaari (Finlândia) por suas numerosas mediações de paz em todo o mundo.

2007: Al Gore (Estados Unidos) e o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU por seus esforços para aumentar o conhecimento sobre as mudanças climáticas.

2006: Muhammad Yunus (Bangladesh) e seu banco especializado no microcrédito, o Grameen Bank, porque "uma paz duradoura não pode ser obtida sem que uma parte importante da população encontre a maneira de sair da pobreza".

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