Acessar o conteúdo principal
Síria/Diplomacia

Futuro do presidente sírio divide participantes de reunião diplomática em Viena

O secretário de Estado americano, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov
O secretário de Estado americano, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov REUTERS/Leonhard Foeger

A reunião realizada nesta sexta-feira (30) em Viena sobre a crise síria estagnou em muitos pontos, principalmente sobre o destino do presidente Bashar al-Assad. Mas um processo foi iniciado, no momento em que os Estados Unidos anunciaram o envio dos primeiros soldados americanos em uma operação terrestre. As tropas, no entanto, não vão participar diretamente dos combates.

Publicidade

Saindo do Hotel Imperial, após oito horas de discussões entre vinte delegações, o ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, afirmou que o grupo "discutiu todos os problemas, mesmo os mais difíceis". "Há pontos de desacordo, mas avançamos o suficiente para nos encontrarmos novamente, na mesma configuração, em duas semanas".

"O principal ponto de desacordo é o futuro papel de Bashar al-Assad", acrescentou o chefe da diplomacia francesa. "Mas há uma série de pontos em que estamos de acordo, principalmente sobre o processo de transição, a perspectiva de eleições - e como tudo isso deve ser organizado - e o papel das Nações Unidas".

Os participantes consideraram que o Estado sírio deve ser preservado e encarregaram a ONU de negociar um cessar-fogo, indicou à imprensa o secretário de Estado americano, John Kerry.

Ele confirmou que seu país, a Rússia e o Irã "concordaram que discordam" sobre o destino do presidente Assad, uma questão que será nas próximas semanas e, provavelmente, nos próximos meses, a maior divergência nas negociações internacionais.

Desafios significativos

De acordo com a chefe da diplomacia europeia, a italiana Federica Mogherini, "desafios significativos permanecem". "Mas chegamos a pontos de acordo. A reunião não foi fácil, mas foi histórica", afirmou.

Enquanto os diplomatas trabalhavam em Viena, Washington anunciou o envio para a Síria de cerca de 50 membros de suas forças especiais, assim como o envio de aeronaves de ataque no solo A-10 e caças F-15 para uma base aérea turca. As medidas visam aumentar a capacidade dos Estados Unidos em sua luta contra os grupos extremistas radicais, particularmente o Estado Islâmico.

Um porta-voz da Casa Branca assegurou que a estratégia dos Estados Unidos na Síria "não mudou" e que os soldados enviados não têm "missões de combate".

Apesar de ninguém esperar um grande avanço diplomático em Viena, incluindo o tema do futuro papel do presidente Assad, apoiado por Moscou e Teerã, a mera presença dos protagonistas, cujas posições são extremamente divergentes, é vista como um progresso.

Também participaram da reunião de Viena representantes chineses, libaneses e egípcios, assim como os chanceleres francês, britânico e alemão. "Nós finalmente conseguimos reunir todos em torno da mesma mesa, sem exceção", disse o chanceler russo, Sergei Lavrov.

Após a reunião, ele declarou que "o processo político deve agora conduzir a um acordo entre as partes sírias para atingir a criação de uma estrutura abrangente que permita resolver questões vitais para o país e preparar uma nova constituição e eleições gerais". Por enquanto, está fora de discussão a participação do governo sírio ou da oposição no processo iniciado em Viena.

A Rússia, que insiste com o Irã para que o presidente sírio desempenhe um papel na transição política, iniciou em 30 de setembro uma campanha de bombardeios aéreos na Síria que, desde então, teria destruído 1.623 "alvos terroristas".

O Irã fornece apoio financeiro e militar direto a Damasco, enquanto a Arábia Saudita apóia os grupos rebeldes e participa dos ataques aéreos da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.