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Brasil-África

Novelas brasileiras influenciam o cotidiano em Moçambique

Áudio 03:42
Captura vídeo da novela "O Bem Amado" (comício de Odorico Paraguassu).
Captura vídeo da novela "O Bem Amado" (comício de Odorico Paraguassu). youtube

Os moçambicanos adoram as novelas brasileiras. Uma paixão que começou nos anos 80, com o impagável Odorico Paraguaçu, de "O Bem Amado", e dura até hoje.

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Fábia Belém, correspondente da RFI Brasil em Maputo

Se tem energia elétrica, tem novela, na casa da moçambicana Artemisia Alberto. "Se não assistir a novela, nem durmo", brinca a mulher.

Em 1986, os espectadores da TVM, a televisão de Moçambique, conheceram "O Bem Amado", a primeira telenovela brasileira exibida no país. O sucesso foi tanto que, no ano seguinte, "Roque Santeiro" invadiu os lares do país. Desde essa época, o número de canais de TV aumentou, assim como o interesse pelas novelas.

Para Miguel Uassiquete, diretor do canal STV, a primeira razão do interesse pelas novelas brasileiras tem a ver com a proximidade cultural. "Os moçambicanos se refletem muito na realidade humana dos brasileiros".

Comportamento

A tela da TV passou a ser um espelho do comportamento e do jeito de vestir dos personagens. A tele-espectadora Artemísia revela que as filhas são influenciadas pelo vestuário brasileiro.

Ester Kumbani tem uma boutique e um salão de cabeleireiros em Maputo, capital de Moçambique. Ela conta que muitas clientes fazem pedidos inspirados nas novelas brasileiras: "As pessoas encomendam roupas que as atrizes vestem e querem as mesmas. Como sabem que trago artigos do Brasil, tento procurar e trazer para elas", fala a profissional. "Com os cabelos é a mesma coisa", ela diz.

Miquel Aciketi ressalta que a influência dos folhetins  é tanta, que muitos telespectadores moçambicanos incorporaram palavras ditas e repetidas nas tramas como, por exemplo, "Que legal!".

Dar nome de personagem de novela para alguém da família, também é comum. Jessica, personagem da atriz Mila Christie na novela "Meu bem, meu mal", foi parar no registro de nascimento da prima de Lucia Fernando: "O que me levou a dar esse nome à prima é que o ouvi pela primeira vez e gostei. Jessica...", diz Lucia, para quem há histórias que repercutem até hoje, como se saíssem da ficção para a vida real.

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