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Turquia / Curdos / Israel

Erdogan diz que líderes curdos devem 'pagar' por falar de autonomia

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, é também líder do partido conservador islâmico AKP.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, é também líder do partido conservador islâmico AKP. REUTERS/Christian Hartmann

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, expressou neste sábado (2) seu apoio à decisão de iniciar um processo penal contra os líderes do principal partido pró-curdo, declarando que eles tinham que "pagar" por suas declarações em favor de autonomia para o curdos.

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Erdogan estima que Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag, co-líderes do Partido Democrático do Povo (HDP), devem perder a imunidade parlamentar para responder ao inquérito "por crime constitucional" aberto na última segunda-feira pela justiça turca. Demirtas é o principal líder político curdo do país.

"O que eles disseram é, sem dúvida, um crime constitucional. Eles têm que pagar o preço", disse Erdogan em declarações a jornalistas publicadas neste sábado pelo jornal Hurriyet. "Não podemos aceitar declarações pedindo a divisão do país", acrescentou.

Demirtas afirmou em um discurso no domingo passado que os curdos da Turquia deveriam poder decidir se queriam viver de forma independente ou "sob a tirania de um homem". Esses comentários indignaram os nacionalistas turcos, que veem o mínimo grau de autonomia para as zonas curdas como uma ameaça à unidade do Estado turco.

Turquia precisa de Israel, admite Erdogan

Um dia depois de citar a Alemanha de Hitler como exemplo de presidencialismo a ser seguido, o presidente turco declarou hoje que a Turquia precisa de Israel. Os dois países eram aliados históricos na região até 2010, quando soldados israelenses atacaram um navio turco que se deslocava para Gaza. Depois disso, Erdogan amplificou sua retórica antissemita mas, nos bastidores, os dois Estados mantiveram conversas secretas de reaproximação.

"Israel precisa de um país como a Turquia na região e nós temos de aceitar que precisamos de Israel", declarou o presidente. Erdogan havia determinado três condições para normalizar as relações com o estado hebreu: o fim do bloqueio à Faixa de Gaza, compensação às vítimas do ataque ao navio e um pedido de desculpas pelo incidente. As desculpas já foram apresentadas e a compensação está em negociação, o que deixa a questão da Palestina como único empecilho a um acordo.

Analistas acreditam que esta súbita aproximação tenha a ver com a crise deflagrada entre Ancara e Moscou, depois que o exército turco abateu um caça russo na fronteira com a Síria.

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