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Crise / Arábia Saudita / Irã

Confira as divergências na origem da rivalidade entre sunitas e xiitas

Menino estuda o Alcorão em uma escola religiosa islâmica, as chamadas "madrassas".
Menino estuda o Alcorão em uma escola religiosa islâmica, as chamadas "madrassas". Getty Images

No plano religioso, a divisão entre xiitas e sunitas é uma disputa antiga que começou após a morte de Maomé (570-632), líder religioso que fundou o Islamismo no século 7. Em 632, os futuros xiitas designam Ali, genro de Maomé, como sucessor, alegando a "ligação de sangue" com o profeta. Já os sunitas escolheram Abu Bakr como novo líder, companheiro de peregrinação de Maomé, em nome das tradições tribais.

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Após a morte do profeta, a maioria dos muçulmanos decidiu apoiar Abu Bakr, que se tornou o primeiro califa, chefe supremo do Islamismo. Desde esse período, os sunitas sempre foram majoritários no mundo muçulmano. Eles representam hoje cerca de 90% do 1,2 bilhão de muçulmanos existentes no mundo. Os únicos países de maioria xiita são Irã, Iraque, Azerbaijão e Bahrein, sendo que este último é governado por uma família real sunita. Existem ainda minorias xiitas importantes no Iêmen, Arábia Saudita, Líbano, Afeganistão, Paquistão e na Índia, mas globalmente os xiitas representam apenas 10% do mundo muçulmano.

Em comum, xiitas e sunitas compartilham crenças e práticas fundamentalistas como a fé no Alcorão e a regência da Sharia, código de leis do islamismo. Essas duas grandes correntes geraram ramificações que dão interpretações mais ou menos rigorosas do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Interpretações da lei corânica estão na origem dos problemas

Ao longo do tempo, o xiismo sofreu várias ramificações, tendo gerado movimentos dissidentes, como alauítas, drusos e ismaelitas.

O sunismo teve um destino semelhante e gerou a corrente wahabita, no século 18, também conhecida como salafista. Essa doutrina faz uma interpretação ultraconservadora dos escritos sagrados. Seu principal objetivo é restaurar o culto purista original, como nos tempos de Maomé.

Trazendo essas divergências para o xadrez atual no Oriente Médio, temos a seguinte configuração.

Embora minoritários na Síria, os alauítas assumiram o poder em Damasco na década de 70, quando o pai do atual presidente sírio, Bashar Al-Assad, deu um golpe de Estado.

Em 1979, com a revolução que derrubou o xá do Irã, Reza Pahlavi, um clérigo xiita que vivia exilado em Paris, o aiatolá Khomeini assumiu o poder e declarou uma república islâmica no território iraniano. Desde então, o Irã fortaleceu os laços com a Síria, criando um eixo xiita na região.

A Arábia Saudita sempre teve maioria sunita e, por isso, uma rivalidade religiosa com o Irã. Depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, Riad passou a ser apontada como fonte ideológica do terrorismo, porque tanto a Al Qaeda quanto o grupo Estado Islâmico foram fundados por sunitas que pregam interpretações distorcidas da lei corânica, inspirados no wahabismo saudita. Para esses fundamentalistas, o Ocidente representa uma aberração. A corrente salafista é a mesma da casa real de Saud, dinastia no poder em Riad desde a criação do país, em 1932.

Os problemas geopolíticos da região gerados pelos interesses em torno do petróleo não podem ser desprezados, mas são agravados pela rivalidade religiosa histórica.

France 24/ RFI

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