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Linha Direta

Livreiros criticam censura na China e desaparecem

Áudio 04:28
Manifestantes pró-democratas protestam contra o desaparecimento de 5 membros da editora e livraria de Hong Kong Causeway Bay Books. 03 de janeiro de 2016.
Manifestantes pró-democratas protestam contra o desaparecimento de 5 membros da editora e livraria de Hong Kong Causeway Bay Books. 03 de janeiro de 2016. REUTERS/Tyrone Siu

O mistério do desaparecimento de cinco livreiros e a suspeita de que eles tenham sido sequestrados por agentes chineses deixa Hong Kong em alerta. A autoridade máxima do território autônomo chinês, Leung Chun- ying, manifestou preocupação com o caso e prometeu dar continuidade às investigações. Lee Bo, sócio da Causeway Bay Book, livraria especializada em publicações críticas ao Partido Comunista Chinês, e quatro de seus colaboradores, estão desaparecidos. Ativistas e a oposição acusam a China de executar uma operação policial que ameaça as liberdades individuais e a autonomia garantida pela constituição de Hong Kong.

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Lee Bo, um dos sócios da Causeway Bay Books, desapareceu na última semana em Hong Kong. Este é o quinto caso ligado à livraria especializada em publicações críticas ao Partido Comunista Chinês (PCC). A pequena loja é popular entre os turistas chineses, que procuram livros censurados na China. A suspeita é de que os desaparecimentos estejam relacionados ao possível lançamento de um livro sobre a vida amorosa do atual presidente chinês, Xi Jinping.

Segundo o relato da esposa de Lee Bo à imprensa local, Lee teria telefonado de um número em Shenzhen, na China, cidade que faz fronteira com Hong Kong, e avisado que não voltaria tão cedo. A comunicação foi feita em mandarim, enquanto o casal normalmente se comunica em cantonês, uma das línguas oficiais de Hong Kong.

Outro detalhe intrigante é que o documento de identificação necessário para hongkongueses entrarem na China não estava com ele e foi encontrado em sua residência. Como Lee Bo teria entrado em território chinês sem passar pelo controle de fronteira ? Esse questionamento tem levado muitos a apontarem o governo chinês como o responsável pelo sequestro dos livreiros.

Vários livreiros foram sequestrados nos últimos meses

 Nos últimos dois meses, Lam Wing- kei, gerente da livraria, Lui Bo, gerente-geral da editora Mighty Current que é a dona da livraria e Cheung Jiping, gerente de negócios, não foram mais vistos depois de viajarem para a China. Gui Minhai, proprietário da editora, sumiu na Tailândia.

Os casos chamaram pouca atenção, mas o desaparecimentode Lee Bo  acionou o sinal de alerta por ter implicações maiores. Ativistas e deputados da oposição acusam a China de ter sequestrado o livreiro em Hong Kong em uma perseguição política. O desaparecimento de Lee Bo é visto como uma ameaça à autonomia do território, onde, diferentemente da China, a liberdade de expressão, de imprensa e de publicação são protegidas por lei.

 Autoridades chinesas são acusadas de violar leis em Hong Kong

Uma ação policial da China em Hong Kong seria algo novo e que tem provocado reações de repúdio e medo. No domingo, dezenas de pessoas protestaram em frente à sede do escritório de representação da China em Hong Kong. Elas acusam as autoridades chinesas de violarem as garantias constitucionais de Hong Kong, que defende as liberdades individuais e a independência jurídica.

Desde 1997, quando a ex-colônia britânica voltou para o domínio chinês, foi estabelecido o modelo de um país, dois sistemas que garantem a Hong Kong um modelo jurídico diferente da China.O chefe do executivo local, Leung Chun-ying, veio a público para reforçar que apenas as agências de aplicação da legislação local têm autoridade para fazer cumprir a lei em Hong Kong.

 Esposa de livreiro retira queixa de desaparecimento

 O caso sofreu uma reviravolta depois da segunda coletiva de imprensa dada pelo chefe do executivo local. Leung Chun-ying comprometeu-se a acompanhar o caso de forma ampla. Ele disse ainda que seria inaceitável e inconstitucional caso agentes chineses tenham agido em Hong Kong.

 Na mesma data, a esposa de Lee Bo foi até a polícia para retirar a queixa de desaparecimento, dizendo que um amigo de seu marido havia feito contato com ele. No entanto, as autoridades locais vão continuar a investigar o caso. Na segunda-feira à noite, a Agência Central de Notícias de Taiwan publicou uma carta supostamente manuscrita por Lee Bo endereçada a um de seus colegas na livraria, dizendo : "Eu tive que lidar com uma questão urgente".

 Na correspondência, Lee diz que "voltou a China por conta própria e esta trabalhando com as partes envolvidas em uma investigação que pode levar algum tempo". Mas este novo elemento não parece ter sido suficiente para dissipar a apreensão em Hong Kong.

 Um artigo do Global Times, publicação ligada ao governo chinês, acusa a livraria de "sobreviver gerando problemas para a China". Segundo o texto, ela "vem deliberadamente criando uma zona cinza entre Hong Kong e a China" e " lucra com provocação política" . O texto revela a importância política da pequena livraria, que seria responsável por grande parte dos livros publicados com detalhes da vida privada dos grandes líderes do PCC.

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