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O Mundo Agora

Instabilidade na China preocupa economia mundial

Áudio 04:43
Na China, o crescimento da economia já não é tão espetacular, o comércio externo caiu, o Yuan e a Bolsa estão numa gangorra perigosa.
Na China, o crescimento da economia já não é tão espetacular, o comércio externo caiu, o Yuan e a Bolsa estão numa gangorra perigosa. REUTERS/Aly Song/Files

O primeiro ministro da China, Li Kegiang, anunciou que o país tinha que enfrentar uma batalha econômica difícil, mas que no final tudo ia dar certo. O crescimento da economia já não é tão espetacular, o endividamento público e privado passou dos limites toleráveis, o comércio externo caiu, o Yuan e a Bolsa estão numa gangorra perigosa e, mais grave ainda, vários setores industriais começam a despedir um monte de gente.

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Pior: as últimas tentativas das autoridades para dar um jeito nesse quadro preocupante mostraram uma falta de visão e de preparo inquietantes. A confiança na sabedoria e competência do governo chinês – consideradas infinitas – despencou no mundo inteiro e na opinião pública doméstica.

Só que a boa saúde da economia chinesa é ainda fundamental para a economia mundial. E sem um forte crescimento sustentável produzindo bons empregos e salários para mais de um bilhão de habitantes, não há poder que se segure em Pequim. Não existe mais ideologia maoísta para controlar a cabeça das massas. “Índio quer cartório”. Se a economia não crescer pé na tabua será difícil manter a coesão social, e quem sabe até territorial do país. E este é o maior pavor do grupo que atualmente ocupa o poder na “Cidade Proibida”.

Reformas são essenciais e governo sabe disso

O presidente e o primeiro ministro estão perfeitamente conscientes de que serão necessárias reformas  pesadas: mais força para o mercado e menos planificação, liberdade para os capitais, liquidação de centenas de empresas estatais não-rentáveis, diminuir drasticamente o déficit público...

Só que essa série de medidas pode provocar, a curto prazo, uma queda ainda maior do crescimento e do emprego, além de mexer no bolso de poderosos grupos de poder – públicos e privados – dentro do próprio partido comunista. E nos últimos tempos, os governantes chineses mostraram que se estão dispostos a falar corajosamente das reformas indispensáveis, na hora de pô-las em prática a praxe é uma prudente covardia. Falta apetite para pegar o boi pelos chifres. E é isso que a agência de classificação de risco Moody’s quis dizer quando recentemente colocou um viés negativo na nota da China.

Governo chinês não quer custos sociais e políticos
 

O governo chinês vem se contorcendo para tentar reformar mas sem custos sociais e políticos. Mas sabe muito bem que isso está cada vez mais parecido com “missão impossível”. A solução encontrada por Xi Jinping é apelar para o autoritarismo. A censura é cada dia mais implacável contra a imprensa e as redes sociais. O próprio número um chinês já declarou que a mídia tinha o dever de ser patriótica e seguir a linha fixada pelos dirigentes.

Dissidentes e simples críticos estão sendo presos e intimidados abertamente. Os serviços secretos chineses estão raptando opositores até no exterior. Mas o coração dessa ofensiva contra as liberdades é a famosa “luta contra a corrupção”. É claro que todo mundo acha que já era tempo. Na China a corrupção anda solta. Porém, essa ofensiva contra os corruptos, até nos mais altos níveis do Estado, virou uma arma utilizada por Xi Jinping para eliminar qualquer grupo de poder dentro do partido que não esteja alinhado com ele e seu grupo. É uma limpeza geral para consolidar um poder quase absoluto. E se não bastasse, Xi também usa e abusa dos arroubos nacionalistas, multiplicando as provocações militares no mar da China meridional e acelerando a modernização da organização e do armamento das Forças Armadas.

Economia não cresce na porrada

O problema é que nesse mundo globalizado, não dá mais para obrigar a economia a crescer na porrada. Burro sem sede não bebe. Se Pequim não for capaz de resolver o dilema de mais estagnação ou mais liberdade, o futuro é sombrio: crescimento quase parando e autoritarismo sufocante. A China está ameaçada de voltar à pobreza e ao isolacionismo. Não é uma boa notícia para o resto do mundo.

 

 

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