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Síria/Conflito

Escolas reabrem após prolongação de trégua na cidade síria de Aleppo

Um mercado de frutas de Aleppo, situado no bairro Al-Maad, controlado pelos rebeldes.
Um mercado de frutas de Aleppo, situado no bairro Al-Maad, controlado pelos rebeldes. REUTERS/Abdalrhman Ismail

A trégua em Aleppo, na Siria, foi prolongada por mais 72 horas. Com a decisão, anunciada na noite de sexta-feira (6) pelo ministério russo da Defesa, muitas famílias puderam voltar para casa e escolas, localizadas no setor da cidade controlado pelos rebeldes, puderam reabrir neste sábado (7), após duas semanas sem aulas.

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Inicialmente, o cessar-fogo negociado por Washington e Moscou na quinta-feira (5) deveria terminar na primeira hora de hoje, após dar um fôlego de 24 horas aos habitantes de Aleppo, submetidos a duas semanas de intensos combates que mataram mais de 280 civis.

Os três dias a mais sem combates permitiram a volta para casa e a volta às aulas nos bairros controlados pelos rebeldes, que eram alvo de bombardeios das forças do regime de Bashar al-Assad.

"Fugi porque houve massacres e decidi voltar com minha família porque me disseram que a situação estava calma", declarou neste sábado à AFP Abu Mohamas, pai de seis filhos, no bairro de Kalasé. Ele espera não ter que deixar novamente o local.

"Quase todos os alunos voltaram às aulas, com exceção dos que deixaram seus bairros", afirmou à AFP Bara, um professor de ensino primário do bairro de Shaar.

Frentes de batalha

O cessar-fogo temporário em Aleppo integra os esforços para reativar a trégua instaurada em 27 de fevereiro, em todo o país, e promover as negociações de paz para encerrar o conflito na Síria. Os Estados Unidos anunciaram que farão o que puder para mantê-la o máximo possível.

A grande cidade do norte é estratégica. Analistas apontam que o regime pode considerar que venceu a guerra, se conseguir controlar os bairros rebeldes. Para os insurgentes, um fracasso seria um golpe quase final, principalmente porque eles estão sendo ofuscados pela ascensão dos jihadistas da Frente Al-Nosra (braço sírio da Al-Qaeda) e do grupo Estado Islâmico (EI).

Os combates prosseguem na província de Aleppo e em outras partes do país, como as localidades de Deir Ezzor (leste), Damasco (centro), Homs (também no centro) ou Deraa (sul). Vários grupos se enfrentam: o regime sírio contra os insurgentes, e os jihadistas contra todos os grupos. Nos últimos dias em combates na região de Aleppo, treze conselheiros militares iranianos, que apoiam as forças do regime, morreram e 21 ficaram feridos, informou hoje a imprensa iraniana

Ataque das forças do regime sírio contra motim em prisão fracassa

O ataque das forças de segurança sírias para acabar com um motim na prisão de Hama (centro) fracassou, segundo a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). A operação começou na tarde de sexta-feira (6), mas os 800 detidos, que sequestraram dez guardas, "prosseguem seu motim neste sábado", indicou o OSDH.

Os presos protestam desde segunda-feira (2) contra a transferência de alguns deles para a prisão militar de Saydnaya, perto de Damasco, onde ocorreram várias mortes de detidos, segundo a ONG. A oposição convocou a comunidade internacional a "assumir suas responsabilidades e impedir as represálias do regime contra os detidos", muitos deles presos políticos, indica o governo francês.

Mais de 200.000 pessoas foram detidas nas prisões do regime sírio desde o início da guerra no país, em 2011, e milhares delas teriam sido torturadas. O OSDH listou 14.000 destes casos. A guerra na Síria, iniciada após a repressão de manifestações pacíficas pró-democracia, deixou até agora mais de 270.000 mortos e milhões de refugiados.
 

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