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Síria/Guerra civil

Moradores de Aleppo agonizam sem água e médicos

Civis fazem fila para comprar pão em bairro controlado pelos rebeldes em Aleppo.
Civis fazem fila para comprar pão em bairro controlado pelos rebeldes em Aleppo. REUTERS

Quase a metade dos últimos médicos que atuam nos bairros rebeldes de Aleppo criticaram nesta quinta-feira "a inação" dos Estados Unidos diante das atrocidades sofridas pelos habitantes desta grande cidade dividida do norte da Síria. Eles enviaram uma carta ao presidente norte-americano, Barack Obama, relatando a situação desesperadora dos civis.

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Em uma carta aberta, 15 dos 35 médicos ainda presentes nos bairros sob controle dos rebeldes alertam que a situação dos civis é dramática e pode piorar se o regime sírio de Bashar al-Assad impuser um novo cerco. No sábado (6), uma aliança de rebeldes moderados e insurgentes jihadistas, denominada Exército de Conquista, conseguiu romper três semanas de um cerco que provocou um aumento vertiginoso dos preços dos produtos básicos. O Exército de Conquista é composto, entre outros grupos, pela radical Frente Al Nusra, que afirma ter se distanciado da Al Qaeda, e a milícia islâmica Ahrar Al Sham.

O exército russo, que combate em Aleppo ao lado governo sírio, concordou em suspender os ataques todas as manhãs, a partir de hoje, durante três horas, para entrega de ajuda humanitária. Mas as Nações Unidas dizem que o tempo é não é suficiente: seriam necessárias pelo menos 48 horas de trégua para que os caminhões com ajuda pudessem se deslocar até Aleppo. Cerca de 2 milhões de pessoas estão sem fornecimento de água já há quatro dias na cidade síria.

Para os médicos signatários da carta a Obama, "sem a abertura permanente de uma rota de abastecimento, as forças do regime nos cercarão novamente em pouco tempo, a fome se propagará e os produtos dos hospitais se esgotarão completamente", advertem.

Nessa carta, pediatras, cirurgiões e outros médicos lamentam a atitude dos Estados Unidos, que "não realizam nenhum esforço para levantar o cerco ou usar sua influência para pressionar os grupos para que protejam os civis". "Não precisamos de lágrimas, nem compaixão, nem orações. Demonstrem simplesmente que são amigos dos sírios", afirmam.

"Quem viverá e quem morrerá"

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que a Síria era o lugar mais perigoso para as equipes médicas, com 135 ataques em 2015 contra centros de saúde ou seus funcionários. Atualmente, 250.000 pessoas vivem nas zonas rebeldes e 1,2 milhão nos bairros controlados pelo governo na cidade de Aleppo, a segunda da Síria e um dos principais alvos de um conflito que já deixou mais de 290.000 mortos desde março de 2011.

Rebeldes e forças governamentais preparam uma nova batalha para tentar controlar a cidade, onde os hospitais e as infraestruturas civis estão devastados. Em julho, os bombardeios atingiram em apenas um dia quatro hospitais improvisados e um banco de sangue. Vários médicos que assinam este apelo trabalhavam nos locais destruídos.

"O que mais nos dói, como médicos, é ter que escolher entre quem viverá e quem morrerá", escrevem os profissionais. "Crianças jovens chegam à emergência com ferimentos tão graves que devemos priorizar aquelas que têm mais chances de sobreviver", acrescentam. "E, por vezes, nem temos o material necessário para ajudá-las".

Os médicos dizem ter sido testemunhas ao longo dos cinco anos de guerra da morte de um número incalculável de pacientes, amigos e companheiros entre "horríveis sofrimentos". Há duas semanas, um ataque provocou a morte de quatro recém-nascidos, já que a explosão cortou a chegada de oxigênio às incubadoras.

Turquia propõe à Rússia operações conjuntas contra EI na Síria

 

A Turquia propôs nesta quinta-feira à Rússia realizar operações conjuntas contra o EI na Síria, dois dias após a visita do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ao seu colega russo, Vladimir Putin, em São Petersburgo.

Uma delegação de três responsáveis turcos do exército, dos serviços de inteligência e das relações exteriores está na Rússia para dialogar sobre a Síria, explicou o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu. "Discutiremos todos os detalhes. Sempre convocamos a Rússia a realizar operações conjuntas contra o Daesh (acrônimo em árabe do EI)", disse o ministro, acrescentando que esta proposta seguia "sobre a mesa".

No encontro com Erdogan, nesta semana, Putin considerou que seria preciso fazer um "trabalho difícil" antes de aumentar a cooperação e os intercâmbios entre Moscou e Ancara.

Nesta manhã, um bombardeio russo deixou 30 mortos em outra cidade síria, Raqa, considerada a capital do grupo Estado Islâmico.

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