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Cúpula do G20 na China será marcada por interesses divergentes

Cartaz em Hangzhou, na China, anuncia a cúpula do G20
Cartaz em Hangzhou, na China, anuncia a cúpula do G20 REUTERS/Aly Song/File Photo

Os países do G20 se reúnem neste fim de semana na China em um contexto de baixo crescimento mundial, embora seja pouco provável que tomem grandes decisões para reativar a economia, em uma cúpula marcada pelos interesses divergentes e pelos conflitos geopolíticos. O presidente Michel Temer, empossado na quarta-feira (31), após o impeachment de Dilma Rousseff, participará do encontro.

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A China, que este ano preside o fórum dos 20 países mais ricos do mundo, tem um programa modesto para a cúpula de chefes de Estado e de governo de 4 e 5 de setembro na cidade de Hangzhou: transformar a economia mundial para que seja mais "inovadora, vigorosa, interconectada e inclusiva", segundo o programa oficial.

O contexto econômico mundial continua sendo sombrio e, após o Brexit (saída do Reino Unido da UE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixou suas previsões de crescimento para 2016 e 2017 a 3,1% e 3,4%.

"Não há interesses comuns entre as principais economias mundiais", afirma Christopher Balding, professor de economia da Peking University HSBC Business School. "Nota-se que há pouca urgência em tomar grandes iniciativas políticas em Hangzhou", afirma Qu Hongbin, um analista no HSBC.

"A preocupação pela depreciação do yuan (moeda chinesa) e pelo crescimento diminuiu, a economia chinesa se estabilizou e as turbulências do Brexit são, até o momento, limitadas", diz.

O G20 reúne as principais economias mundiais dos países desenvolvidos e emergentes e, em conjunto, seus países representam 85% do Produto Interno Bruto mundial, assim como dois terços da população do planeta.

Primeiro compromisso oficial de Temer

O encontro é o primeiro compromisso oficial de Michel Temer, após ser efetivado no poder, depois do impeachment de Dilma Rousseff. O chefe de Estado brasileiro pretende mostrar que a situação política no Brasil foi normalizada, fechar acordos e buscar investimentos. Ele ressaltará as diferenças em relação ao governo passado, tanto no controle das contas públicas e da inflação quanto na retomada do crescimento.

Após a reunião ministerial que aconteceu depois da sua posse, na quarta-feira, Temer embarcou para a China. “A partir de hoje, eu peço a gentileza de que, indagados a respeito da viagem, vocês divulguem que estamos indo para revelar aos olhos do mundo que temos estabilidade política e segurança jurídica”, disse aos ministros.

Na agenda preparada exclusivamente para melhorar as relações com a China, nos níveis empresarial e de Estado, Temer e a equipe de ministros que o acompanham nessa jornada assinarão 11 atos empresariais nesta sexta-feira (2), que vão gerar um investimento de US$ 10 bilhões no Brasil.

São negócios bilionários, como a venda de 50 aviões da Embraer, investimentos de US$ 1 bilhão na Petrobras, construção de um grande terminal de cargas e de uma siderúrgica no Maranhão e a compra de participações na construtora Camargo Correa, por US$ 1,83 bilhão. Com esses acordos, Temer quer marcar uma nova fase de entradas de recursos no Brasil e a reativação da economia.

Em um almoço com chefes de Estado do G20, na segunda-feira (5), Temer fará um discurso voltado para o social. Dirá que o G20 tem responsabilidades e que é indispensável uma “solidariedade global revigorada”.

Ele ainda terá reuniões bilateriais com os primeiros-ministros da Espanha, Mariano Rajoy, e da Itália, Matteo Renzi, e com o presidente da China, Xi Jiping, além de um encontro com os líderes do Brics (grupo formado por Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul).

Promessas não cumpridas

Em 2014, na cúpula da Austrália, os líderes do G20 prometeram aumentar em 2,1% o crescimento do PIB até 2018, mas desde então o entorno se degradou.

Em 2015, a porcentagem de cumprimento das promessas do G20 caiu a 63%, segundo dados da Universidade de Toronto, que a atribui à falta de reformas estruturais.

Apesar de suas promessas de conquistar um crescimento forte, sustentável e equilibrado, o G20 "não está cumprindo nenhum destes três objetivos", afirma Tristram Sainsbury, do centro de estudos do G20 no Australia Lowy Institute.

A diferença entre as situações econômicas de cada país complicam muito a tomada de decisões conjuntas. Os Estados Unidos estão estudando um aumento das taxas de juros, e o Japão segue sua política de expansão monetária.

Além disso, a China continua gerando desconfiança pela desvalorização de sua moeda, pela explosão de sua dívida e por seu excesso de capacidade na produção, em especial do aço, uma questão que será tratada à margem da cúpula.

Os três países latino-americanos do G20 também chegam com interesses distintos ao fórum. O Brasil está afundado em sua pior recessão em quase um século e vive uma profunda crise política que culminou no processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Na Argentina, o governo de Mauricio Macri tenta lançar um amplo programa de reformas que gera protestos cidadãos, enquanto no México o endividamento público e as dificuldades do setor petrolífero acenderam alguns alarmes.

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