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Hong Kong/Pequim

Geração a favor de ruptura com Pequim chega ao Parlamento de Hong Kong

Nathan Law, 23 anos, comemora vitória nas eleições parlamentares em Hong Kong.
Nathan Law, 23 anos, comemora vitória nas eleições parlamentares em Hong Kong. Reuters/路透社

Uma nova geração de políticos de Hong Kong, favoráveis a uma ruptura com a China, conseguiu entrar no Parlamento local, após a vitória nas primeiras eleições celebradas desde a criação do "Movimento dos Guarda-Chuvas".

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Um recorde de 2,2 milhões de pessoas compareceram às urnas no domingo (4), para uma eleição importante na cidade semiautônoma, onde cresce a sensação de que a China está endurecendo o controle em temas políticos, culturais e inclusive educativos.

Quatro candidatos que defendem o rompimento com Pequim conseguiram entrar para o Conselho Legislativo (LegCo, o Parlamento local) e um quinto também pode conquistar uma vaga, segundo os primeiros resultados.

Entre os novos parlamentares está Nathan Law, um dos líderes mais conhecidos do movimento conhecido como a "Revolução dos Guarda-Chuvas", que em 2014 bloqueou durante dois meses bairros inteiros na ex-colônia britânica, em protesto a reformas do sistema eleitoral em Hong Kong. O partido de Law, o Demosisto, defende a organização de um referendo sobre a integração à China.

"Acredito que os verdadeiros cidadãos de Hong Kong queriam uma mudança", disse Law, de 23 anos, que foi o segundo mais votado em sua circunscrição, atrás de um candidato favorável a Pequim. "Os jovens têm um senso de urgência sobre o futuro", afirmou.

Law optou por um discurso conciliador, para tentar unificar a oposição tradicional com o novo movimento político. "Temos que estar unidos contra o Partido Comunista (Chinês)", disse à AFP. Antes, Law estabeleceu  distância dos setores mais radicais do movimento denominado como "localista".

Pequim censurou candidatos abertamente pró-independência

Muitos candidatos abertamente partidários da independência não foram autorizados a disputar as eleições, depois que as autoridades argumentaram que militar pela independência é ilegal. Para participar da eleição alguns deles evitaram mencionar a palavra tabu e passaram a utilizar o termo "autodeterminação".

Yau Wai-Ching, candidata do novo movimento Youngspiration, que defende o direito de Hong Kong de "falar de soberania", também foi eleita. Outro candidato do partido, Baggio Leung, de 30 anos, com um discurso repleto de referências à independência, também deve entrar no LegCo.

Para o analista político Joseph Cheng, "essas eleições se caracterizam especialmente por uma mudança intergeracional de líderes políticos".

A participação foi de quase 60% dos 3,7 milhões de eleitores. Em 2012, a votação para o o LegCo teve índice de comparecimento de 53%. "Houve um recorde de pessoas que emitiram seu voto este ano", disse à imprensa o presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais, Barnabus Fung. Em alguns locais de votação as filas prosseguiram na madrugada desta segunda-feira, várias horas depois do horário previsto para o fechamento das urnas.

Redução da oposição moderada pode reforçar Pequim a curto prazo

No entanto, a maior parte da oposição tradicional que é favorável à democracia não apoia uma independência e o avanço dos candidatos que defendem uma ruptura pode prejudicar sua presença no Parlamento.

Das 70 cadeiras no Legco, apenas 35 são definidas por eleição direta e representam circunscrições, enquanto outras 30 procedem de grupos profissionais favoráveis a Pequim e outras cinco, as chamadas "super cadeiras", são eleitas por voto popular, mas sem estar relacionadas a um território.

A oposição moderada pró-democracia tem 27 cadeiras, o que permite exercer uma minoria de bloqueio. Com quatro representantes a menos, também perderão esse privilégio.

A redução da força política da oposição moderada reforçaria Pequim a curto prazo, mas a longo prazo poderia legitimar o discurso dos favoráveis à independência. Os primeiros resultados, no entanto, mostram que os dois lados podem coexistir e que a oposição tradicional poderia conservar o direito ao veto.

 

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