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Líderes defendem globalização e livre comércio no encerramento do G20

O presidente russo Vladimir Putin, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente turco Recep Erdogan durante o último dia de negociações do G20, na China.
O presidente russo Vladimir Putin, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente turco Recep Erdogan durante o último dia de negociações do G20, na China. REUTERS/Damir Sagolj

 Os líderes do G20 defenderam durante o encerramento do encontro nesta segunda-feira (5) a globalização e o livre comércio como melhor fórmula para estimular o crescimento, em um contexto “marcado pelo protecionismo” em muitos países do mundo. O encontro reuniu líderes das 20 maiores economias do mundo.

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"Decidimos apoiar um sistema comercial multilateral e nos opor ao protecionismo", declarou nesta segunda-feira (5) o presidente chinês, Xi Jinping. A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, fez uma pronunciamento contundente e denunciou os "ataques populistas" contra a globalização.

"A maneira como a China conseguiu tirar 700 milhões da pobreza para formar uma classe média, por exemplo, é uma história que não se inclui no discurso ouvido agora", lamentou Lagarde, embora tenha reconhecido que a cúpula não pode beneficiar apenas alguns países.

A denúncia do protecionismo foi o fio condutor desta cúpula do G20, que reúne anualmente as 19 principais economias mundiais (industrializadas e emergentes) e a União Europeia, um encontro que representa 85% do PIB mundial e dois terços da população do planeta.

Medidas protecionistas

Esta foi a primeira vez que os países do G20 adotam um grande número de medidas protecionistas. Desde o fim de 2008, o crescimento das trocas comerciais ficou estancado abaixo dos 3%, contra os 7% das últimas duas décadas.

"A globalização não tem conotações positivas e também implica em grandes desigualdades", afirmou no entanto a chanceler Angela Merkel, igualmente preocupada com a ascensão em seu país do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AFD).

Os países no Cone Sul também quiseram passar uma mensagem para seguir adiante com as reformas. Michel Temer prometeu que o Brasil voltará a crescer e anunciou um plano de privatizações, enquanto o argentino Mauricio Macri defendeu o "combate ao protecionismo em todas as suas formas, incluindo o protecionismo agrícola, um dos mais arraigados" em seu país.

Refugiados e dumping

Em seu comunicado final, o G20 também fez referência ao dumping e aos seus "efeitos negativos sobre o comércio e os trabalhadores". O assunto é delicado, sobretudo na China. Europa e Estados Unidos denunciaram com veemência a questão do aço chinês, que o gigante asiático vende a preços muito baixos em todo o mundo, prejudicando produtores locais.

As dificuldades do acordo comercial entre Europa e Estados Unidos (TTIP) configuram outro dos exemplos das reticências que a cúpula do G20 de 2016 revelou.

O tratado foi criticado tanto pelos candidatos à Casa Branca, nos Estados Unidos (o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton) quanto por países europeus como Alemanha e França. Na mesma linha, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, cujo país está negociando um tratado de livre comércio com a UE (Ceta), denunciou "a construção de muros", em uma referência velada a Trump.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, tentou buscar alianças comerciais após o Brexit e anunciou negociações com Índia, México, Coreia do Sul e Cingapura para futuros acordos comerciais.

Fracasso nas negociações sobre o conflito na Síria

Do ponto de vista geopolítico, a cúpula foi marcada por uma primeira tentativa frustrada da Rússia e dos Estados Unidos de alcançar um acordo sobre o conflito na Síria. "Tivemos conversas produtivas sobre o que seria um verdadeiro fim das hostilidades", disse o presidente americano, Barack Obama, depois de se reunir com Vladimir Putin, que afirmou, por sua vez, que existe "certa aproximação" com Washington.

O acordo buscava, entre outras coisas, levar ajuda humanitária à cidade de Aleppo, uma das mais castigadas pela violência na Síria. O conflito levou milhares de refugiados a sair do país, criando uma onda de migração sem precedentes que precisa ser dividida entre os países, segundo o comunicado do G20.

Washington e Moscou, que realizam frequentes ataques aéreos na Síria contra os extremistas, discordam sobre o futuro do presidente Bashar al-Assad, que continua atacando a oposição síria com o apoio da Rússia. O conflito sírio não foi o único discutido na cúpula. Líderes também se mostraram preocupados a respeito de um novo lançamento de mísseis balísticos da Coreia do Norte e as reivindicações de Pequim no mar da China Meridional.

 

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