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Síria/EUA/Rússia

EUA e Rússia retomam negociações sobre paz na Síria

Kerry (esq.) e Lavrov (dir.), em Genebra, 26/8/16.
Kerry (esq.) e Lavrov (dir.), em Genebra, 26/8/16. REUTERS/Martial Trezzini/Pool

O secretário de Estado americano, John Kerry, iniciou nesta sexta-feira (9), em Genebra, uma nova reunião com seu colega russo Serguei Lavrov para tentar chegar a um acordo sobre o conflito sírio, apesar dos reiterados fracassos dos últimos meses.

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Para as Nações Unidas, um êxito nas negociações sobre a Síria entre Estados Unidos e Rússia representará "uma grande diferença em termos de ajuda humanitária, afirmou o enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, que se encontra na Suíça acompanhando o desenrolar das conversações.

Washington e Moscou, que há cinco anos apoiam lados opostos em conflito que já deixou mais de 290 mil mortos e milhões de deslocados, tentam reativar o plano de paz do final de 2015 elaborado pela comunidade internacional, que inclui uma trégua duradoura, um plano de ajuda humanitária e um processo de transição política entre governo e a oposição moderada.

Depois de dois dias de reuniões por telefone e anúncios sobre um possível encontro cara a cara, Kerry finalmente chegou a Genebra, para se encontrar com Lavrov, que já se encontrava na cidade suíça. No avião, os conselheiros que acompanham Kerry asseguram que ele não viajaria a Genebra se não houvesse uma possibilidade de progresso.

Confirmação de última hora

Programado para quinta e sexta, o encontro de Genebra havia sido anunciado na quarta pela parte russa, mas Washington se recusou até o último minuto a confirmar a viagem do secretário de Estado.

Kerry e Lavrov voltaram a se falar por telefone nesta quinta-feira (8), principalmente sobre uma possível "cooperação russo-americana com o objetivo de destruir os grupos ativos na Síria, ajudar a resolver os problemas humanitários e promover uma solução política no conflito sírio", segundo o ministério russo das Relações Exteriores, que informou que a conversa ocorreu por iniciativa dos Estados Unidos.

Oposição apresenta plano de transição

Na quarta-feira (7), em Londres, a oposição síria apresentou um plano de transição política. A situação continua sendo muito complicada no país, principalmente em Aleppo (norte), onde as forças do regime, apoiadas pela aviação russa, conseguiram cercar totalmente os bairros rebeldes.

A primeira etapa do projeto da oposição síria prevê uma fase de seis meses em que "as duas partes negociadoras terão que se comprometer a respeitar uma trégua provisória" e com o retorno de milhares de deslocados e refugiados.

Durante a segunda etapa, que duraria 18 meses, a Síria seria comandada por um governo transitório, que iria requerer "a saída de Bashar al-Assad e seu grupo". A terceira e última etapa permitiria consolidar as transformações através de "eleições locais, legislativas e presidenciais" organizadas "sob a supervisão e com o apoio técnico das Nações Unidas".

O plano retoma os passos estabelecidos em novembro de 2015 pelas grandes potências em Viena, mas que não fixava o destino de Bashar al-Assad. A proposta foi apresentada pelo Alto Comitê de Negociações (ACN), que agrupa os principais representantes da oposição e da rebelião sírias e que mantém contato com uma parte dos países do Grupo de Amigos da Síria.

Entre eles estão os responsáveis pela diplomacia do Reino Unido, Turquia, Arábia Saudita, Catar, Itália, a União Europeia e França, enquanto os Estados Unidos conversarão com o ACN por videoconferência. "Essa reunião é muito importante porque conseguirão pontos de convergência para sair do 'lamaçal' sírio", comentou o ministro de Relações Exteriores francês, Jean-Marc Ayrault, na saída do encontro.
 

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