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Batalha de Mossul

Iraque: sem integração de sunitas, jihadismo não será vencido

A batalha de Mossul é a manchete dos jornais franceses Le Figaro e Le Monde desta terça-feira, 18 de outubro de 2016
A batalha de Mossul é a manchete dos jornais franceses Le Figaro e Le Monde desta terça-feira, 18 de outubro de 2016

Os jornais desta terça-feira (18) dão destaque à ofensiva para a expulsão dos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) de Mossul, cidade de maioria sunita, localizada no norte do Iraque. Há dois anos, os fundamentalistas islâmicos do EI transformaram a cidade na "capital" do autoproclamado califado islâmico no Iraque.

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O diário conservador Le Figaro lembra que Mossul, segunda maior cidade iraquiana, foi no passado um bastião do partido Baas, do ex-ditador Sadam Husseim, da corrente sunita do islamismo. Com a invasão americana, em 2003, e a queda de Sadam, Mossul acabou caindo nas mãos de combatentes da Al Qaeda, igualmente sunitas. "Dessas duas matrizes emergiu o monstro conhecido hoje como grupo Estado Islâmico", escreve o jornal.

Uma das preocupações de Le Figaro é que as forças iraquianas cometam os mesmos erros do passado, ou seja, que a maioria xiita do Iraque acabe marginalizando a comunidade sunita, minoritária na população, o que criou as condições para o surgimento de facções fundamentalistas e terroristas. "Não devemos repetir o cenário de encerrar uma guerra para começar outro conflito, em outro lugar", resume com simplicidade o diário.

Europeus temem represálias

Em seu editorial, Le Monde afirma que caso Mossul não for entregue a uma gestão árabe majoritariamente sunita, ao final da batalha, o viveiro que deu origem aos jihadistas continuará a existir. Para a publicação, o destino de Mossul pode representar uma guinada no jihadismo internacional e diz respeito diretamente ao futuro dos europeus.

Le Monde compartilha a análise de que o EI ganhou força com a marginalização dos sunitas após a invasão americana, em 2003. O jornal recorda que os sunitas passaram a ser 'martirizados' pelo governo xiita instalado em Bagdá, com o apoio dos Estados Unidos.

Se o EI for desmantelado, mas os sunitas não encontrarem representatividade na política iraquiana, o radicalismo islâmico renascerá com uma outra denominação, como um pretexto para defender os sunitas, adverte o jornal. Le Monde constata que as forças que avançam para reconquistar Mossul "traçaram um plano de batalha em conjunto, mas, infelizmente, não existe um acordo político para ser implementado após a vitória militar".

Os jornais regionais franceses também dedicam páginas inteiras à ofensiva em Mossul. A operação militar reacende o temor do retorno de europeus que partiram para combater no Iraque e na Síria aos seus países de origem.

Outra preocupação da imprensa é a gestão dos refugiados. A Turquia, por exemplo, que já recebe mais de 3 milhões de refugiados sírios, e também é vizinha do Iraque, não tem mais condições de receber deslocados. O que dizer, então, da Jordânia e do Líbano, países territorialmente minúsculos, que já absorvem uma enorme diáspora palestina e síria.

Para a imprensa francesa, a coalizão internacional precisa vencer a batalha de Mossul, mas deve também responder a uma provável crise humanitária. Mossul possui 1,5 milhão de habitantes que há dois anos são reféns da doutrina jihadista. Assim que houver uma brecha, muitos moradores vão fugir correndo dali.

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