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Turquia

Turquia fecha cerco contra opositores e decreta prisão de jornalistas

Sala da redação do jornal independente turco Cumhuriyet.
Sala da redação do jornal independente turco Cumhuriyet. REUTERS/Murad Sezer

Um tribunal de Istambul ordenou a prisão provisória neste sábado (5) de nove integrantes do jornal independente Cumhuriyet que haviam sido detidos no início da semana. Eles devem ficar presos até que sejam julgados. A Justiça determinou ainda que outros dois funcionários da área contábil fossem libertados e colocou dois editorialistas idosos e com problemas de saúde sob controle judicial.

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Entre os jornalistas e colaboradores que ficarão na prisão estão o diretor de redação do veículo, Murat Sabuncu, o editorialista Kadri Gursel e o cartunista Musa Kart. Os jornalistas do Cumhuriyet, termo turco que significa "república" em português, são acusados de vínculos com os rebeldes curdos e com o golpe de Estado frustrado de 15 de julho passado. Essas duas "recriminações" são as mais utilizadas pelo presidente turco, Recep Tayyp Erdogan, para se referir aos inimigos de seu governo, cada vez mais autoritário.

Impresso desde 1924, quando o pai da nação, Mustafa Kemal Ataturk, dirigia o país, o Cumhuriyet representou durante um século os valores fundadores e seculares da Turquia moderna. O jornal passou a ser considerado "de oposição" quando Erdogan tornou-se primeiro-ministro (2003-2014) e membros do alto escalão do governo foram denunciados em reportagens por suspeita de corrupção.

Reconhecidos internacionalmente, os jornalistas do Cumhuriyet são investigados por "atividades terroristas" em conexão com o pregador Fethullah Gulen, exilado nos Estados Unidos e acusado por Erdogan de ser o mentor do golpe de Estado fracassado. Apesar das intimidações, a redação do jornal afirma que "irá lutar até o fim".

Além dos jornalistas, o governo turco também deteve neste sábado, no amplo expurgo que promove há três meses contra a minoria curda do país, mais nove responsáveis regionais do Partido Democrático dos Povos (HDP), principal movimento pró-curdo da Turquia e terceira força política do Parlamento turco.

Ontem, outros doze deputados e líderes do HDP tinham sido presos, na sequência de um atentado contra uma delegacia de Diyarbakir (sudeste), região de maioria curda. A ação foi atribuída pelas autoridades ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Porém, horas depois do ataque - que matou nove pessoas -, a ação foi reivindicada pelo grupo Estado Islâmico.

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