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ONU acusa Mianmar de limpeza étnica contra minoria muçulmana

Mulher rohingya e seu filho, vítimas de perseguição
Mulher rohingya e seu filho, vítimas de perseguição REUTERS/Mohammad Ponir Hossain TPX IMAGES OF THE DAY

Mianmar, país do sudeste asiático, iniciou uma campanha de "limpeza étnica" contra a minoria apátrida dos muçulmanos rohingyas, denunciou nesta sexta-feira (25) John McKissick, diretor da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur).

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Ele deu a declaração em Cox's Bazar, cidade do sul de Bangladesh, país vizinho para onde vão milhares de famílias fugindo da violência do exército birmanês.

Os rohingyas denunciam assassinatos, matanças, torturas e estupros coletivos por parte de soldados birmaneses no oeste do país. Cerca de 30 mil pessoas deixaram suas casas devido à violência, que causou dezenas de mortos desde o início da operação em represália pelos ataques contra delegacias em outubro passado.

As ações do exército se assemelham a uma "limpeza étnica". Bangladesh, por sua vez, ignorou os pedidos internacionais para que abra sua fronteira para evitar uma crise humanitária.

Na quarta-feira (23), a polícia de Bangladesh anunciou que mandará de volta para Mianmar dezenas de rohingyas. Mais de 2 mil entraram nos últimos dias no país vizinho para escapar de operações militares.

A polícia de Cox's Bazar afirma ter detido 70 rohingyas, incluindo mulheres e crianças. Mianmar considera os rohingyas como estrangeiros, embora algumas famílias vivam há várias gerações no país.

Onda de violência abala imagem do governo

As expulsões de rohingyas de Bangladesh é preocupante para a comunidade internacional. Essa onda de violência abala a imagem do governo da Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

As acusações de limpeza étnica feitas por McKissick foram negadas por Zaw Htay, porta-voz do governo. "Eu questiono o profissionalismo e a étnica do pessoal da ONU. Deveriam falar de fatos concretos e verificados, e não fazer acusações", afirmou.

Mianmar já havia sido acusada anteriormente de limpeza étnica contra a minoria muçulmana dos rohingyas, quando era governada por uma junta militar que deixou o poder recentemente.

Mas é a primeira vez desde que Suu Kyi assumiu o comando do país, depois de eleições históricas celebradas há um ano. Desde que a onda de denúncias teve início, ela praticamente não comentou nada sobre o assunto.

A situação dos rohingyas é um assunto explosivo no país. Odiados por uma parte da população, de maioria budista (95%), os rohingyas sofrem múltiplas discriminações (trabalho forçado, extorsão, restrições de liberdade de movimento e falta de acesso à saúde e educação).

No estado de Rakhine, onde os confrontos com budistas e muçulmanos causaram em 2012 quase 200 mortos, milhares de rohingyas vivem na zona rural. Mais de mil casas foram incendiadas, segundo a Human Rights Watch, baseando-se em imagens de satélite. O exército nega estar por trás desses incêndios.
 

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