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EUA acusam regime sírio de “crimes contra a humanidade”

Soldados do exército sírio nas ruas destruídas de Aleppo.
Soldados do exército sírio nas ruas destruídas de Aleppo. REUTERS/Omar Sanadiki

O exército sírio intensifica ainda mais a ofensiva contra os bairros ainda controlados pelos rebeldes no leste de Aleppo. O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, acusou neste sábado (10), em Paris, o regime de sírio de crimes “contra a humanidade”. Reunidos na capital francesa, representantes de dez países ocidentais e árabes que apoiam a oposição moderada síria pediram que Moscou e Damasco deixem os civis e os rebeldes saírem dos bairros cercados do leste da cidade.

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Os ministros da Relações Exteriores dos países que apoiam a rebelião moderada ao regime de Bashar Al Assad na Síria se reuniram neste sábado, em Paris. Eles examinaram a situação de urgência humanitária na segunda cidade do país, que está prestes a ser completamente controlada pelas forças governamentais.

Os 10 países participantes foram França, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Itália, Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Turquia. A oposição síria também estava representada por Riad Hijab, assim como a região leste de Aleppo, pelo presidente do conselho local, Brita Hagi Hassan.

Ao final do encontro, eles pediram que o regime sírio e seu aliado russo façam um gesto em prol dos civis e rebeldes que ainda estão na região. “A Rússia e Bashar Al Assad estão atualmente em uma posição dominante que permite que eles sejam elegantes”, declarou o secretário de Estado americano, John Kerry. Segundo ele, os rebeldes temem serem mortos se se renderem.

“O bombardeio cego do regime viola o direito internacional. Ele representa, em muitos casos, crimes de guerra e contra a humanidade e tem que acabar”, martelou Kerry. O chefe da diplomacia americana considera o conflito sírio “a pior catástrofe desde a Segunda Guerra Mundial”.

A oposição moderada, presente na reunião de Paris, se disse disposta a “retomar as negociações (pelo fim do conflito) sem impor condições”. Mas a rebelião, que nunca foi reconhecida por Damasco, perdeu terreno no campo de batalha e sua influência Os chanceleres dos países que a apoiam pediram uma solução política para o futuro na Síria.

Salvar Aleppo

Os esforços diplomáticos para evitar um banho de sangue em Aleppo continuam nesta tarde, com uma reunião entre os Estados Unidos e a Rússia, em Genebra, na Suíça. Enquanto isso, a ofensiva continua e até se intensifica.

“Os bombardeios são mais intensos do que nunca. As ruas da cidade estão repletas de moradores sob os escombros. As pessoas morrem porque não conseguem sair dos bairros cercados”, relata um integrante da organização humanitária “Capacetes Brancos”.

O regime sírio já controla 85% dos bairros que estavam nas mãos dos rebeldes antes do início da ofensiva, em 15 de novembro. Desde então, mais de 400 civis morreram e cerca de 80 mil fugiram do local. Segundo a ONU, 100 mil civis ainda continuam encurralados pela ofensiva cega do exército sírio. Damasco e Moscou exigem, para suspender as operações militares, que todos os rebeldes abandonem Aleppo.
 

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