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Linha Direta

Oposição israelense espera transição política com investigação contra Netanyahu

O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, no dia primeiro de janerio de 2017, em Jerusalém.
O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, no dia primeiro de janerio de 2017, em Jerusalém. REUTERS/Gali Tibbon/Pool

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi interrogado pela polícia, nesta segunda-feira (2), por ter supostamente recebido presentes ilegais de empresários. A investigação por corrupção está abalando a política de Israel.  

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Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

O primeiro-ministro israelense é acusado de receber presentes e favores de empresários israelenses e estrangeiros que somam dezenas de milhares de dólares. Outros membros de sua família também estariam envolvidos.

Depois de meses de suposições, a acusação foi finalmente elevada a uma investigação criminal pelo Procurador Geral e a polícia dicidiu fazer o primeiro interrogatório ontem, na residência oficial do premiê, em Jerusalém. Netanyahu foi ouvido durante três horas.

Se as acusações se confirmarem, Netanyahu pode ser indiciado por abuso de confiança.

Um dos empresários envolvidos é o milionário americano Ronald Lauder, um velho amigo de Netanyahu, que já foi interrogado, mas a polícia não divulgou detalhes da investigação. O empresário é filho de Estée Lauder, fundadora da famosa marca de cosméticos, e presidente do Congresso Judaico Mundial.

Paralelamente, os policiais também investigam outro caso de corrupção envolvendo Netanyahu, mas os detalhes são mais obscuros ainda. Segundo a imprensa israelense, no entanto, esse segundo caso seria ainda mais grave.

Netanyahu já foi acusado por outros crimes

Essa não é a primeira vez que Netanyahu é acusado. Desde os anos 90, a carreira política de Netanyahu esbarrou em casos relacionados com sua conduta e a de sua mulher, Sara. Mas nunca houve indiciamentos. O casal já foi acusado de forjar despesas de viagem e de trocar móveis velhos de sua casa particular por mobília nova da residência oficial.

O primeiro-ministro também se tornou alvo de suspeitas depois de receber contribuição para a campanha eleitoral de 2009 do magnata francês Arnaud Mimran, condenado por fraude no ano passado.

Recentemente, Netanyahu também foi acusado de fechar um contrato bilionário para a compra de submarinos alemães para favorecer seu advogado, responsável pela negociação, que também representa firmas israelenses que fornecem peças para submarinos.

Ontem, Netanyahu negou as novas acusações, afirmando que elas também não vão dar em nada porque não há nada para descobrir. “Suspendam os festejos, não se apressem”, disse o premiê, sugerindo que seus críticos na imprensa e a oposição israelense já estariam celebrando um indiciamento.

Netanyahu pode renunciar?

Os primeiros-ministros em Israel não são obrigados a renunciar enquanto são investigados, mas sim se forem indiciados por algum crime.

Mas o ex-primeiro-ministro Ehud Olmert, por exemplo, decidiu abandonar o cargo antes mesmo do indiciamento que o levou à prisão. Em 2008, Olmert começou a ser investigado por corrupção e obstrução de justiça e decidiu renunciar para cuidar de sua defesa. Ele acabou sendo condenado a 19 meses de prisão, que cumpre desde fevereiro do ano passado.

Netanyahu, na época, foi um dos políticos que mais pressionou Olmert a renunciar. Agora, é ele que enfrenta sérias investigações. O antecessor de Olmert, Ariel Sharon, também enfrentou investigações por suposto envolvimento em diversos escândalos financeiros, mas faleceu antes de ser indiciado.

Reação da oposição

A oposição israelense reage com esperança, claro. A oposição a Netanyahu e ao partido de direita Likud vê as investigações como uma oportunidade de transição política.

Benjamin Netanyahu está no poder desde 2009. Somando com três anos de seu primeiro mandato, entre 1996 e 1999, ele acumula 11 anos como premiê, mais tempo do que o mitológico primeiro ministro David Ben Gurion. Caso nada aconteça, ele continuará no poder até 2019, ano das próximas eleições gerais.

Potenciais sucessores, principalmente, no campo da esquerda, já começam a se movimentar, mas, até agora, os discursos têm sido moderados. Yitzhak Herzog, do Partido Trabalhista, que ocupa o cargo formal de “Líder da Oposição” no Knesset, o Parlamento israelense, afirmou que ontem foi um “duro dia para Israel” e que não tinha a intenção de expressar satisfação.

Yair Lapid, do partido de Centro “Há Futuro”, uma das maiores estrelas em ascenção na politica israelense, afirmou que, como qualquer cidadão, Netanyahu, merece ser visto como inocente até que provem o contrário. Mas acrescentou que ser investigado é uma pressão sobre qualquer um, sugerindo, talvez, que o premiê esteja ocupado demais com seus problemas pessoais para governar.

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