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Sem EUA, países articulam para Tratado Transpacífico sobreviver

Primeiro-ministro da Austrália, Malcom Burnell, em frente ao premiê japonês Shinzo Abe, durante encontro bilateral  em Sydney em janeiro de 2017
Primeiro-ministro da Austrália, Malcom Burnell, em frente ao premiê japonês Shinzo Abe, durante encontro bilateral em Sydney em janeiro de 2017 Reuters/Brook Mitchell

Muitos analistas consideravam que o Tratado de Associação Transpacífico (TPP) não resistiria à saída dos Estados Unidos. Mas depois que Trump oficializou a decisão, os outros países envolvidos começaram a se articular para o tratado sobreviver.

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Assinado por 12 países às margens do Oceano Pacífico (Estados Unidos, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã), o tratado ainda não entrou em aplicação. E antes de Donald Trump anular a presença americana no TPP, o ministro do Comércio da Austrália, Steven Ciobo, já havia abordado a possibilidade durante o Forum de Davos, na Suíça (17 a 20 de janeiro), de existir um "TPP 12 menos um".

Considerado um contrapeso à crescente influência da China, este tratado foi assinado em 2015 depois de longas e complexas negociações entre 12 países da Ásia-Pacífico, que representam 40% da economia mundial.

Cumprida a promessa do novo presidente americano, as articulações começaram e as peças do tabuleiro podem se inverter. Se para os assinantes do documento a China era uma ameaça, hoje o gigante asiático pode se tornar um parceiro de peso. Tanto que a Austrália sinalizou a Pequim o desejo de que o Tratado possa existir. "Haveria perspectivas se formos capazes de reformulá-lo (...) para países como Indonésia ou China, e inclusive outros que contemplariam uma adesão", declarou à radiotelevisão Australian Broadcasting Corporation, o primeiro-ministro Malcom Turnbull.

A China e o Tratado

Nesta terça-feira (24), Turnbull, reiterou que seu governo está tendo discussões ativas com outras nações integrantes do TTP como o Japão, a Nova Zelândia e Cingapura. O premiê não descarta que a política americana mude sua posição um dia, já que muitos republicanos são favoráveis ao acordo. Mas também não exclui que " também é possível que o TPP siga em frente sem os Estados Unidos". Turnbull admitiu que existe potencial para que a China também se una ao TPP.

O primeiro-ministro neo-zelandês, Bill English, afirmou que após a decisão de Washington, Pequim "não demorou em ver uma oportunidade" para se convidar para o TPP. English se referiu à vontade "de fazer um esforço por ver em que o Tratado pode se transformar-se, em vez de abandoná-lo e esperar um telefonema (de Washington) em relação a um eventual acordo bilateral", disse aos jornalistas em Wellington.

Trump anunciou sua intenção de negociar acordos bilaterais mais favoráveis para Washington. Enquanto isso, a China, excluída do TPP, lançou sua própria iniciativa, a Associação Econômica Integral Regional (RCEP na sigla em inglês), que reúne os dez países-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e seus parceiros comerciais regionais (China, Japão, Austrália, Índia, Coreia do Sul, Nova Zelândia). O RCEP também pretende suprimir barreiras tarifárias e não tarifárias, mas é muito mais flexível do que o TPP sobre as normas regulatórias, em particular as ambientais e sociais.

Em uma entrevista à imprensa nesta terça-feira, a porta-voz do ministério chines de Relações Exteriores, Hua Chunying, se mostrou evasiva sobre uma eventual participação de seu país no Acordo Transpacífico, limitando-se a dizer que a China apoia os acordos comerciais "abertos, transparentes e em que todos ganham".

Para os analistas econômicos, a China pode se interessar em entrar para o TPP, mas como sua economia não está no melhor momento, a chance de que isto aconteça é muito pequena. Já o Japão defende um acordo com os Estados Unidos, não vendo muito sentido prosseguir sem o Tio Sam.

 

 

 

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