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Turquia realizará referendo para reforçar poderes de Erdogan

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, aprovou uma revisão constitucional
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, aprovou uma revisão constitucional Reuters

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, aprovou nesta sexta-feira (10) uma revisão constitucional para reforçar seus poderes, que será submetida a um referendo no dia 16 de abril, segundo o vice-primeiro-ministro, Numan Kurtulmus. "Se Deus quiser, a Turquia entrará em uma nova era", disse.

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O objetivo da reforma constitucional, votada no mês passado pelo Parlamento turco, é substituir o sistema parlamentar em vigor por um sistema presidencial. Com a mudança, o presidente terá poder para nomear e revogar os ministros, promulgar decretos e declarar estado de emergência. O posto de premiê desaparecerá e será substituído por um ou vários vice-presidentes, caso a reforma seja aprovada.

O texto foi adotado no Parlamento graças a uma aliança entre o partido islamita-conservador no poder, o AKP, e o partido de direita nacionalista, o MHP. Erdogan considera que essa revisão, que pode permitir que ele siga no poder ao menos até 2020, é necessária para garantir a estabilidade à frente da Turquia, que atravessa uma onda de atentados sem precedentes e dificuldades econômicas.

Mas o texto também gera preocupação entre os opositores e as ONGs, que acusam o presidente de deriva autoritária, sobretudo desde o golpe de Estado frustrado de julho, que provocou um expurgo de enorme magnitude.

"A palavra e a decisão estão agora nas mãos da nação", declarou Kurtulmus. "Espero que a campanha seja realizada de uma maneira adequada a uma democracia turca madura. Os que dizem 'sim', os que dizem 'não', todos expressarão sua opinião", acrescentou.

Grandes desafios em segurança e economia

O AKP lançará sua campanha no dia 25 de fevereiro, segundo a imprensa local. Para o partido governante, a presidencialização do sistema permitirá evitar a formação de coalizões governamentais instáveis e tornará o governo mais eficiente, em um contexto no qual a Turquia enfrenta grandes desafios em matéria de segurança e economia.

Mas esses argumentos não bastam para convencer os partidos opositores, como os sociais-democratas do CHP e os pró-curdos (HDP), que consideram a reforma como uma deriva autoritária do presidente turco.

O líder do CHP, Kemal Kiliçdaroglu, opinou que a aprovação da reforma constitucional no referendo seria uma catástrofe que acabaria com a separação de poderes na Turquia.

"Vamos dar a uma pessoa poderes que o próprio Ataturk, fundador e primeiro presidente da República da Turquia, não possuía. Vamos retirar os poderes do Parlamento e dar a uma só pessoa. Vamos entregar os tribunais a uma pessoa", declarou Kiliçdaroglu. "Semelhante coisa é concebível?".

A análise do texto no Parlamento provocou fortes debates e levou a brigas no hemiciclo, onde um deputado teve o nariz quebrado e uma deputada com deficiência física acabou no chão.

Nesse contexto de polarização política, que se soma à série de atentados que atingem o país, a campanha para o referendo promete ser especialmente tensa.

Caso a reforma constitucional seja aprovada, as eleições legislativas e presidenciais serão simultâneas, e o presidente pode ser eleito por dois mandatos de cinco anos nas próximas eleições, previstas para novembro de 2019.

Se ficar decidido que o número de mandatos de Erdogan, eleito em 2014 como presidente após 12 anos à frente do governo, será zerado com esta reforma, algo que ainda não foi esclarecido, pode permanecer no poder até ao menos 2029.

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