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Síria

Regime sírio e rebeldes cometeram crimes de guerra em Aleppo, afirma ONU

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro dirige a comissão da ONU
O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro dirige a comissão da ONU REUTERS/Denis Balibouse

Todas as partes envolvidas na batalha de Aleppo, que terminou em 22 de dezembro de 2016 com a tomada total da cidade pelo regime sírio, cometeram crimes de guerra, de acordo com um relatório da Comissão Internacional das Nações Unidas sobre a Síria.

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A retirada de civis da cidade de Aleppo, concluída entre o regime e os rebeldes com o apoio de seus respectivos aliados, constituiu um "crime de guerra" ao envolver o "deslocamento forçado de civis". Essa é a conclusão do relatório da ONU, que abrange o período de 21 de julho de 2016, quando começou o cerco a cidade, até sua reconquista completa em 22 de dezembro.

Os autores desta investigação independente enfatizam o papel das forças do regime nesta batalha de uma "violência implacável", particularmente o papel da Rússia. "Entre julho e dezembro de 2016, as forças russas e sírias realizaram bombardeios aéreos diários, deixando centenas de mortos e reduzindo a cinzas hospitais, escolas e mercados", denuncia o documento. O texto também acusa as forças sírias de uso de armas proibidas, tais como cloro ou bombas de fragmentação.

A comissão de inquérito aponta pela primeira vez o regime de Damasco como responsável pela ofensiva contra um comboio humanitário em 19 de setembro, com ajuda a Orum al-Kubra, perto de Aleppo. O ataque, que teria matado pelo menos 15 trabalhadores humanitários, de acordo com o relatório, despertou a indignação da comunidade internacional e abafou os esforços de Moscou e Washington para decretar um cessar-fogo na região.

"Todos os relatórios, imagens de satélite, testemunhos e análises no campo (...) implicam as forças sírias", segundo o relatório, que acusa o governo de Bashar al-Assad de ter cometido um "crime de guerra" ao "atacar deliberadamente" o comboio de ajuda humanitária. Damasco e Moscou negam qualquer responsabilidade nesse ataque.

O relatório da Comissão também acusa de cometer crimes de guerra os rebeldes sírios que controlavam a zona leste de Aleppo e que conduziram uma "campanha de bombardeios indiscriminados" contra a parte ocidental da cidade, sob controle do governo. O documento cita especialmente o ataque a um micro-ônibus de estudantes em 10 de agosto, no qual 13 pessoas morreram, e outro em 6 de outubro contra um mercado, que matou 12 pessoas.

Os autores da investigação independente também acusam a rebelião de usar civis como escudos humanos, chamando de "crime de guerra" a evacuação de pessoas da zona leste da cidade, acordada entre o regime e os rebeldes apoiados pelos seus respectivos aliados.

A Comissão Internacional das Nações Unidas sobre a Síria foi criada em 2011, alguns meses após o início do conflito sírio. Presidida pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, o grupo já realizou vário relatório, mais nunca foi autorizado a entrar na Síria. 

(Com informações da AFP)
 

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