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Fukushima

Japão lembra seis anos da tragédia de Fukushima

Japoneses realizaram um minuto de silêncio às às 14h46 do horário local (2h46 em Brasília), hora exata em que o terremoto de magnitude 9 sacudiu o país em 11 de março de 2011.
Japoneses realizaram um minuto de silêncio às às 14h46 do horário local (2h46 em Brasília), hora exata em que o terremoto de magnitude 9 sacudiu o país em 11 de março de 2011. REUTERS/Toru Hanai

O Japão homenageou neste sábado (11) as vítimas do violento terremoto, seguido do tsunami, que devastou a costa nordeste do país e provocou uma catástrofe nuclear ao atingir a central de Fukushima-Daiichi há exatos seis anos. Milhares de pessoas se reuniram ao longo dos 500 quilômetros do litoral massacrado pela tragédia que deixou mais de 18 mil mortos.

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Como todos os anos após a tragédia, milhares de pessoas se recolheram na costa nordeste do Japão e atiraram flores no oceano, em memória das vítimas. Em Natori, uma das cidades mais massacradas pelo tsunami, centenas de pessoas lançaram balões em forma de pombas no céu com mensagens aos mortos. "Vocês viverão eternamente em nossas memórias", exibia um dos balões.

Uma multidão também se reuniu nas cidades de Sendai, Ishinomaki, Rikuzentakata, Minamisanriku - outras cidades extremamente castigadas pela catástrofe que matou 18.446 pessoas. Muitos corpos nunca foram encontrados.

O país inteiro parou às 14h46 do horário local (2h46 em Brasília), momento exato em que o tremor de terra de magnitude 9 sacudiu o país em 11 de março de 2011. Uma cerimônia oficial foi realizada em Tóquio na presença do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, do príncipe Akishino e sua esposa Kiko. Ao som de uma orquestra, 900 pessoas que assistiram à cerimônia depositaram uma rosa branca diante de um altar que exibia a mensagem: "às almas das vítimas da grande catástrofe no leste do Japão".

Durante a homenagem, Shinzo Abe prometeu "proteger os corpos e os espíritos" das pessoas afetadas pela tragédia e desenvolver as regiões destruídas "respeitando suas necessidades". O premiê também afirmou que vai "reforçar a contribuição internacional do Japão na prevenção de catástrofes".

População revoltada com o governo

As declarações de Abe revoltaram alguns japoneses que denunciam a exigência do governo de que os antigos habitantes da região de Fukushima voltem para suas casas, segundo parte da população, para mostrar a volta à normalidade do país antes dos Jogos Olímpicos de 2020. Mais de 123 mil japoneses foram obrigados a deixar seus lares devido à tragédia na central nuclear de Fukushima-Daiichi.

"Não somos responsáveis pela catástrofe nuclear. Tudo o que queremos é que as autoridades tomem as medidas necessárias para ajudar as pessoas que tiveram que sair de suas casas, mas isso não acontece", reclamou Miyako Kumamoto, de uma organização de apoio às vítimas de Fukushima.

O correspondente da RFI em Tóquio, Frédéric Charles, conversou com vários japoneses na periferia de Tóquio que foram obrigados a abandonar seus lares em março de 2011. Eles dizem que as autoridades garantem que a região foi descontaminada e que eles podem voltar a habitar suas residências, mas em muitas regiões em torno das aglomerações de Fukushima, especialmente as montanhas e florestas, a radiação permanece extremamente alta.

Apoiados financeiramente pelo governo até agora, os habitantes que se recusarem a voltar para suas casas deixarão de receber a ajuda do governo - uma decisão que revolta a população. "Não entendemos porque devemos permanecer nessa situação tão difícil", reitera Kumamoto, que fez um apelo neste sábado para que Abe não corte o apoio financeiro às vítimas.

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