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Irã/Terrorismo

Irã chama de "repugnante" reação de Trump aos atentados de Teerã

Agentes das forças de segurança iranianas durante o ataque ao Parlamento, em Teerã.
Agentes das forças de segurança iranianas durante o ataque ao Parlamento, em Teerã. Tasnim News Agency/Handout via REUTERS

O Irã chamou de "repugnante", nesta quinta-feira (8), a reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos atentados que deixaram 17 mortos e 40 feridos ontem em Teerã. Em um breve comunicado, Trump afirmou que rezava pelas "vítimas inocentes" dos ataques, mas comentou que "os Estados que apoiam o terrorismo se arriscam a se tornar vítimas do mal que promovem".

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As ações na sede do Parlamento iraniano e no mausoléu do aiatolá Khomenei foram reivindicadas pelo grupo Estado Islâmico (EI). "O comunicado da Casa Branca é repugnante num momento em que os iranianos enfrentam o terror apoiado pelos clientes dos americanos", queixou-se em um tuíte o chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif, em clara referência à Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos.

Os autores dos atentados eram iranianos que atuaram no Iraque e na Síria, antes de retornarem ao Irã. Após se juntarem ao EI, eles "participaram de crimes cometidos por este grupo terrorista em Mossul (Iraque) e em Raqa (Síria)", revelou nesta quinta-feira o Ministério da Inteligência iraniano. O órgão divulgou as fotos e os nomes dos agressores que, diferente do que foi anunciado ontem, eram cinco e não seis.

A polícia indicou que cinco pessoas foram presas perto do mausoléu de Khomeini por suspeita de envolvimento no ataque ao local, enquanto o ministério de Inteligência afirmou que uma terceira equipe foi detida antes de iniciarem os ataques.

"Há várias dezenas de combatentes iranianos" no EI, "principalmente no Iraque, na Síria e no Afeganistão", segundo Clément Therme, especialista do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS).

O EI publicou em março um vídeo em persa dizendo que o grupo ia "conquistar o Irã e devolvê-lo à nação muçulmana sunita", matando os xiitas, a corrente do islamismo predominante no país. Embora regiões próximas às fronteiras com o Iraque, o Afeganistão e o Paquistão tenham sido atacadas por grupos extremistas, entre eles o EI, os grandes centros urbanos iranianos estiveram até ontem à margem de atentados.

Os extremistas sunitas do EI consideram o Irã xiita apóstata. Já Teerã participa na luta contra o grupo no Iraque e na Síria.

Guerra por liderança regional

O presidente americano acusa regularmente o Irã de apoiar o terrorismo e ameaça acabar com o acordo selado em 2015 entre as potências ocidentais e a República Islâmica sobre o seu programa nuclear. Em paralelo, o Senado dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira (7) um projeto de lei para impor novas sanções ao Irã, em parte pelo "apoio aos atos de terrorismo internacional".

Autoridades iranianas da segurança afirmam, por sua vez, que a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, é responsável por financiar e espalhar o extremismo encarnado pelo Estado Islâmico. Os Guardiães da Revolução iraniana acusaram os governos americano e saudita pelos atentados em Teerã, considerando que a "ação terrorista após o encontro do presidente dos Estados Unidos com o chefe de um dos governos reacionários da região, que sempre apoiou os terroristas, é repleta de significado e a reivindicação pelo EI mostra que estão envolvidos". Já o guia supremo iraniano, Ali Khamenei, garantiu que esses ataques não terão nenhum efeito na determinação do povo iraniano.

À noite, em uma primeira reação oficial, o presidente iraniano, Hassan Rohani, clamou pela "unidade e cooperação regional e internacional" contra o terrorismo, em um comunicado publicado na página da presidência na internet.

Com informações da AFP

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