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Coreia do Norte

Coreia do Norte testa míssil que "pode atingir qualquer lugar do mundo"

A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira um míssil balístico que caiu no Mar do Japão, informou a Coreia do Sul.
A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira um míssil balístico que caiu no Mar do Japão, informou a Coreia do Sul. REUTERS/Kim Hong-Ji

A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira (4) um novo míssil balístico que caiu no Mar do Japão, informou a Coreia do Sul. De acordo com as Forças Armadas russas, que afirmaram ter observado o lançamento, trata-se de um míssil de médio alcance que realizou um voo de mais de 500 quilômetros. O governo da Coreia do Norte celebrou o sucesso do disparo e afirmou, pelo canal de TV estatal, que "pode atingir qualquer lugar do mundo".

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Para comemorar o que considera um triunfo, o governo norte-coreano mobilizou a apresentadora de TV septuagenária Ri Chun-Hee, que só aparece em ocasiões especiais. Foi ela que anunciou a morte do fundador do regime comunista Kim Il-Sung, em 1994, de seu sucessor, Kim Jong-Il, em 2011, e também os recentes testes nucleares que preocupam a comunidade internacional. Nesta terça-feira, na TV, a apresentadora disse que "a Coreia do Norte é uma potência nuclear forte, dotada de armas atômicas potentes, que podem atingir qualquer lugar no mundo". Pyongyang disse que o míssil intercontinental atingiu uma altura de 2.800 km e percorreu 933 km.

O disparo acontece dias depois de o presidente americano, Donald Trump, examinar com o novo líder sul-coreano, Moon Jae-In, a "ameaça" que Pyongyang representa.

Japão endurece o tom

O "míssil balístico não identificado", segundo o Exército sul-coreano, foi lançado de um local próximo de Banghyon, em Pyongan do Norte, uma província do oeste da Coreia do Norte. O armamento caiu no Mar Oriental, como os coreanos chamam o Mar do Japão, após "voar várias centenas de quilômetros", revela a nota oficial sul-coreana, sem precisar seu tipo.

Uma porta-voz do ministério sul-coreano da Defesa disse à agência AFP que o míssil pode ter caído dentro da zona econômica exclusiva do Japão, a menos de 200 milhas náuticas de sua costa.

O chefe de gabinete japonês, Yoshihide Suga, informou que o míssil voou "durante cerca de 40 minutos", um período considerado longo. "Este lançamento de míssil balístico jamais poderá ser tolerado. O Japão protestou energicamente com a Coreia do Norte por isto."

O Comando dos Estados Unidos no Pacífico confirmou o lançamento de um vetor de médio alcance, que foi rastreado durante 37 minutos e caiu no Mar do Japão. O comunicado destaca que o tiro não representou uma ameaça para os Estados Unidos.

Ao comentar o disparo, Trump exortou a China a adotar medidas decisivas contra a Coreia do Norte. "Por acaso este cara não tem nada melhor a fazer na vida?" – tuitou Trump sobre o líder norte-coreano, Kim Jong-Un. "É difícil acreditar que Coreia do Sul e Japão suportem isto por mais tempo. Talvez a China endureça com a Coreia do Norte para acabar com esta tolice de uma vez por todas", escreveu Trump.

A China respondeu dizendo que faz intensos esforços para resolver a questão nuclear no país vizinho.

O lançamento ocorreu poucas horas antes da comemoração do 4 de julho, a festa nacional de Independência dos Estados Unidos, e em meio a escalada da tensão em torno das ambições nucleares da Coreia do Norte.

Após sua reunião com Moon Jae-In, na semana passada, em Washington, Trump disse que a "ameaça" norte-coreana exige uma "resposta firme".

Segundo David Wright, especialista da ONG Union of Concerned Scientists, a Coreia do Norte está ampliando o alcance de seus mísseis e este último, por suas características, poderia ter atingido "qualquer lugar" do Estado americano do "Alasca".

Tensão crescente

Pyongyang já lançou vários mísseis desde a chegada de Moon ao poder na Coreia do Sul. O presidente sul-coreano defende a imposição de mais sanções para impedir que seu vizinho comunista desenvolva um arsenal nuclear e balístico. Após o disparo desta terça-feira, Moon convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança Nacional em Seul para examinar a resposta.

Desde que chegou à Casa Branca, Trump tenta convencer a China a exercer sua influência para conter o governo da Coreia do Norte, o que até o momento não tem dado resultados. Pyongyang tenta desenvolver um míssil balístico intercontinental capaz de transportar ogivas nucleares.

Sucessivos pacotes de sanções impostos pela ONU desde o primeiro teste nuclear norte-coreano, em 2006, não conseguiram dissuadir a Coreia do Norte a abandonar seus programas. O país, considerado o mais fechado do mundo, já realizou cinco testes nucleares subterrâneos, sendo dois em 2016, e afirma que vai desenvolver um míssil intercontinental capaz de atingir os Estados Unidos.

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