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Iraque/Batalha

Repórter testemunha sofrimento infinito de mulheres e crianças em Mossul

Mãe e criança são socorridas por ONGs e soldados ao final da batalha de Mossul, no Iraque.
Mãe e criança são socorridas por ONGs e soldados ao final da batalha de Mossul, no Iraque. REUTERS/Alaa Al-Marjani

Em Mossul, cidade que acaba de ser libertada pelo Exército iraquiano, os mais fracos pagam a sua sobrevivência a preços elevados. Como as centenas de mulheres e crianças libertadas do jugo do grupo Estado Islâmico (EI), "inconsoláveis", segundo relato do repórter Emmanuel Duparcq, da agência AFP.

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Nos arredores da cidade antiga, um grupo de mulheres acompanhadas de dezenas de crianças contam o que viveram nos últimos meses. Os militares acabam de trazê-las de Maidan, último bairro onde os extremistas do EI resistiam às forças iraquianas, que acabam de anunciar sua vitória após oito meses de combates.

Fátima explode em lágrimas ao contar sobre os quatro meses passados com sua família sem "quase nenhuma comida ou água" em um porão, monitorado pelo EI, rezando para o local não ser bombardeado. Nesta manhã, quando pensaram que a batalha havia terminado, a família decidiu sair para ver o céu e começou a caminhar. Mas uma bala disparada por um franco-atirador atingiu Ahmad, o irmão de Fátima. Ele foi levado em uma ambulância.

Outra mulher soluça, prostrada, olhando para o céu. Ao deixar a cidade antiga de Mossul, Liqaa deixou para trás o corpo de seu irmão Ibrahim, também atingido por um franco-atirador jihadista. Ela começa a cantar o nome de Ibrahim e procura consolo em sua vizinha, que não pode lhe dar: Fátima, já mergulhada em lágrimas.

Algumas mulheres aguardam o retorno de seus maridos. Mas eles são revistados pelos militares encarregados de rastrear os jihadistas que tentam fugir. Outras, já viúvas, não esperam por mais ninguém. Compassivos, os soldados e trabalhadores humanitários distribuem bolos, água, suco de laranja e frutas para as crianças, que muitas vezes chegam desidratadas.

"Duzentas e cinquenta pessoas deslocadas chegaram aqui hoje", explica sob condição de anonimato um funcionário de uma ONG local, que lhes dá comida. Segundo ele, "um quarto está ferido, a maioria por tiros de franco-atiradores ou morteiros jihadistas".

Os deslocados internos que não têm parentes na região serão enviados para campos fora da cidade. A ONU afirma que cerca de 915.000 pessoas fugiram da cidade desde o início da batalha de Mossul em outubro, dos quais 700.000 continuam deslocadas.

"Não chore, mamãe"

Na calçada, uma menina de cerca de 3 anos vagueia perdida. Cabelo castanho desgrenhado, túnica azul-turquesa e atadura branca no pescoço, ela aperta contra o seu coração uma pequena garrafa de água meio vazia. "Quem é essa criança?", grita um soldado. Ao redor, as mulheres choram demais para responder.

Um pouco mais adiante, uma jovem mãe, túnica preta e um véu azul, agacha-se contra uma parede. Primeiro prostrada e silenciosa, depois seu corpo se contorce pela dor na calçada. Ela implora ao soldado mais próximo para ouvir sua angústia. Uma hora antes, ela perdeu seu filho de 7 anos em um bombardeio quando a família, escondida há vários meses, preparava-se para fugir. "Eu não pude fazer nada", ela grita, desfigurada pela dor.

Para apoiá-la, sua filha mais velha de 10 anos, de pé ao seu lado, enxuga suas lágrimas. "Não chore, mamãe", diz ela. Sua túnica bordeaux com pequenos padrões multicoloridos está manchada com o sangue de seu irmão. Seu rosto bonito, congelado, parece ter perdido toda a inocência. A batalha de Mossul acaba de roubar sua infância.

Na calçada oposta, Samira, de cerca de 20 anos, abraça em seu colo suas duas filhas, com medo e cobertas de fuligem. Ela tenta acalentar seu bebê de poucas semanas, que tem a tez acinzentada e não se move. "O EI atirava contra nós sempre que tentávamos sair. E lá fora, eram os bombardeios. Foi terrível", afirma, tremendo.

O bebê começa a chorar, como retornando à vida, sob o olhar aliviado dos socorristas. Ele teve muita sorte: não terá lembranças da terrível batalha de Mossul.

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