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ONU denuncia consequências de abusos sexuais de crianças e mulheres no Iraque

Crianças da etnia yázidi brincam em playground da região de Sinjar, onde milhares de integrantes desta minoria religiosa foram assassinados pelo grupo Estado Islâmico em 2014.
Crianças da etnia yázidi brincam em playground da região de Sinjar, onde milhares de integrantes desta minoria religiosa foram assassinados pelo grupo Estado Islâmico em 2014. REUTERS/Suhaib Salem

O Iraque deve prestar mais cuidados e proteção às milhares de mulheres e adolescentes que são vítimas de violência sexual por jihadistas no grupo Estado Islâmico (EI), segundo relatório da ONU divulgado nesta terça-feira (22).

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Em novo relatório desta terça-feira (22), a Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUR) advertiram que crianças nascidas da violência sexual poderiam ser vítimas, ao longo de suas vidas, de discriminação e inúmeros abusos.

"O prejuízo físico, mental e emocional infligido pelos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) está quase além da compreensão", disse o Alto Comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, em um comunicado. "Se as vítimas devem reconstruir suas vidas e, portanto, a vida de seus filhos, elas precisam de justiça e reparação", completou.

O massacre dos yázidis

O relatório relata abusos terríveis, como estupro, sequestros, escravidão e tratamento desumano, sofridos por mulheres e adolescentes, especialmente aqueles que pertencem à minoria religiosa yázidi, nas áreas controladas pelo EI.

Em 2014, os jihadistas mataram milhares de yázidis em sua fortaleza do Monte Sinjar, no norte do Iraque, e sequestraram milhares de mulheres e adolescentes para aprisioná-las em práticas classificadas como escravidão sexual. Cerca de três mil delas ainda se encontram em cativeiro.

O relatório da ONU enfatiza que Bagdá tem o dever, nos termos da lei iraquiana e do direito internacional, de julgar os responsáveis ​​e de reparar as vítimas. Mas existem “falhas” no sistema de justiça criminal iraquiano, o que não garante, segundo o relatório, “a proteção de mulheres e crianças que foram vítimas de violência sexual e de outras formas de violência".

Casamentos sem consentimento

O documento da ONU acrescentou que as mulheres casadas com jihadistas, com ou sem o seu consentimento, arriscam "discriminação e formas de punição coletiva". O relatório centra-se, em particular, na situação das centenas de crianças nascidas em áreas controladas pelo grupo Estado Islâmico sem certificados de nascimento ou com documentos não reconhecidos pelas autoridades iraquianas. "O governo deve garantir que essas crianças sejam protegidas contra a marginalização e o abuso", afirmou Zeid Ra'ad al-Hussein.

“Como resultado da prática de usar civis como alvos e dos assassinatos em massa,
muitas mulheres e meninas que sobreviveram a tais abusos são privadas de apoio psicossocial por suas famílias, e se encontram mal equipadas para sobreviver em seu
próprio meio”, diz o texto do relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

“Mulheres que foram estupradas e sujeitas à escravidão sexual e outras formas de
violência sexual pelos jihadistas, e os filhos nascidos como resultado destes abusos, também são estigmatizados pelas suas próprias comunidades após seu retorno”, conclui o relatório.

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