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O Mundo Agora

China deve sair de cima do muro após bomba H da Coreia do Norte

Áudio 04:42
A Coreia do Sul fez um exercício de mísseis balísticos no final deste domingo em resposta ao teste nuclear da Coreia do Norte.
A Coreia do Sul fez um exercício de mísseis balísticos no final deste domingo em resposta ao teste nuclear da Coreia do Norte. Defense Ministry/Yonhap/via REUTERS

A bomba não foi só metafórica. A dinastia estalinista da Coreia do Norte explodiu uma bomba H de verdade. Kim Jong-Un, o ditador-garotão, decidiu apostar numa escalada nuclear sem limites, colocando o mundo inteiro numa sinuca de bico. O que fazer com um regime que só pode sobreviver violando a lei internacional e virando uma potência atômica, capaz de ameaçar os vizinhos e até a costa oeste dos Estados Unidos? E que portanto, nunca negociará o abandono do seu programa nuclear?

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A primeira reação de Donald Trump às provocações de Kim, ameaçando vitrificar a Coréia do Norte, não faz sentido. Qualquer ataque americano provocaria retaliações imediatas, causando centenas de milhares de vítimas na Coréia do Sul e no Japão.

Uma opção tão pouco palatável que os generais, que tentam controlar os ímpetos bélicos do magnata lourão, já deixaram bem claro que só em caso de ataque direto ao território americano. E que, por enquanto, só um coquetel de diplomacia, sanções econômicas e demonstrações de força é factível. Só que esse leque de medidas vem sendo tentado há anos e o programa nuclear norte-coreano continua de vento em popa. Então o quê?

Todos os caminhos passam pela China

Na verdade, todos os caminhos passam pela China, o único aliado de Pyongyang. Sem as importações, a ajuda financeira e as vendas de petróleo chinês, a dinastia totalitária da família Kim já teria caído há muito tempo. Mas Pequim também não sabe o que fazer.

Por um lado, não tem o mínimo interesse em ter um vizinho tão próximo detentor de armas atômicas ameaçadoras com um comportamento agressivo que pode escorregar para um enfrentamento com os outros países da região e com os americanos. Um conflito que acabaria arrastando a própria China.

Mas por outro lado, o pesadelo chinês é que uma queda do regime norte-coreano provoque um tsunami de refugiados esfomeados nas províncias do norte e a reunificação da península coreana, criando um Estado limítrofe sob a proteção militar dos Estados Unidos.

Só que com esse teste de bomba H, fica difícil continuar em cima do muro. Uma posição que deixa a China vulnerável às críticas americanas e às ameaças de uma guerra comercial com os Estados Unidos. Aliás, pela primeira vez, as autoridades chinesas reagiram de maneira mais dura, ao menos verbalmente.

Ainda por cima porque essa nova provocação norte-coreana foi um insulto ao próprio Xi Jinping, estragando a festa da abertura da reunião dos BRICS em Pequim. Porém, nada indica que os chineses estejam a fim de pagar para ver o fim do regime de Kim Jong-Un.

Preocupação geral com conflito

A paralisia diplomática chinesa também assusta a região. O Japão não pode conviver tranquilamente com uma ameaça nuclear direta norte-coreana. De duas uma: ou Washington garante seriamente que o arquipélago está protegido pelos sistemas antimísseis e o guarda-chuva nuclear americanos, ou então os japoneses serão obrigados a entrar na corrida aos armamentos nucleares. Pequim, não gosta nem de uma coisa nem da outra.

A própria Coréia do Sul, com um novo governo menos alinhado com os Estados Unidos, não tem outra alternativa senão pedir maior proteção militar americana e exigir pesadas sanções contra Pyongyang. Resultado desse xadrez sem perspectiva nem de empate nem de xeque e mate: a bomba H de Kim Jong-Un está intimidando a China, os Estados Unidos, a Coréia do Sul e o Japão. Sem falar na Rússia que também não acha graça numa ameaça nuclear de um regime imprevisível nas suas fronteiras orientais.

Todo mundo está preocupado com a possibilidade de um conflito feio na Ásia do Norte. Mas como não há consenso sobre o futuro político da região, não pode haver uma ação diplomática séria, nem bilateral nem multilateral. Enquanto isso garotão disparatado de Pyongyang continua brincando de Dr. Fantástico. E como diz a lei de Murphy: “Se algo pode dar errado, dará”.

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