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Retrospectiva

2017, o ano zero do que vem por aí

A misteriosa relação entre Trump e Putin pode selar o destino de 2018.
A misteriosa relação entre Trump e Putin pode selar o destino de 2018. REUTERS/Jorge Silva

Quando os historiadores do século 22 se debruçarem sobre o ano de 2017, eles talvez possam sintetizar o ano na imagem de um homem branco, conservador, portando armas, um crucifixo, capa de chuva e um spinner na mão esquerda – porque a direita vai estar ocupada, apalpando a perna de alguma atriz desavisada. 2017 marcou a volta da direita e da extrema-direita, discreta ou descarada. Marcou a saída do armário do chauvinismo, da patriotada belicosa, do “umbiguismo” cego que ameaça destruir pontes arduamente construídas. Paradoxalmente, o ano também foi marcado pela revelação, pela denúncia, pela exposição do podre, do perverso, que sempre existiu de maneira dissimulada. Trump, Weinstein, Kim Jong-Un; terremotos, enchentes e furacões devastadores – 2017, ano zero do que vem por aí.

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Aqui, no hemisfério norte, o ano começa escuro, de mãos dadas com o inverno, que nos mantem em casa, ligados à telinha do smartphone ou do computador. Nela nós vimos 2017 começar, para valer, com a posse de Donald Trump, uma cerimônia testemunhada por milhares de eleitores, um punhado, de fato, se comparados à multidão que presenciou a posse de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

“Mídia desonesta”, reage Trump, descreditando a imprensa, quando confrontado com as fotos da cerimônia de posse feitas pela agência Reuters.

Prometendo uma política internacional de “Primeiro a América” e que se dane o mundo, Trump não esperava que, três semanas após a sua posse, o ditador de uma republiqueta comunista lhe lembrasse dos compromissos assumidos pelo Império Americano, com seus 200 mil soldados espalhados pelos quatro cantos do planeta. No dia 11 de fevereiro, o líder norte-coreano Kim Jong-Un lança o seu primeiro petardo contra Trump, um míssil balístico que cai no mar do Japão deixando os japoneses de olhos arregalados.

“Quero que todos entendam e estejam cientes de que os Estados Unidos apoiam o Japão, seu maior aliado, a 100%”, reage Trump, ignorando as bravatas de Kim Jong-Un.

Quero que todos entendam e estejam cientes de que os Estados Unidos apoiam o Japão, seu maior aliado, a 100%. (Donald Trump)

Enquanto o mundo se dana, a ONU lança um tenebroso alerta: o mundo está sofrendo a sua maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial. Vinte milhões de pessoas na África estão à beira da fome e da desnutrição, causadas pela guerra e pelo caos em quatro países: Nigéria, Iêmen, Somália e Sudão do Sul.

"Sem esforços coletivos e coordenados globalmente, as pessoas simplesmente vão morrer de fome. Muitos outros vão sofrer e morrer de doenças", prevê Stephen O'Brien, o subsecretário-geral da ONU para operações humanitárias.

Primavera

A flor do Brexit brota no fim de março, quando o Reino Unido entrega à União Europeia a sua carta de adeus, acionando, pela primeira vez, o artigo 50 do Tratado de Lisboa. Só oito meses mais tarde, o jornal Le Monde denunciará a influência do Kremlin, através de perfis falsos nas redes sociais, no referendo em que os britânicos se manifestaram a favor da sua saída da União Europeia. Alertada, a primeira-ministra Theresa May resmunga publicamente, mas prefere não investigar.

Theresa May, que votou contra o Brexit, acabou com o abacaxi russo nas mãos.
Theresa May, que votou contra o Brexit, acabou com o abacaxi russo nas mãos. REUTERS/Francois Lenoir/File Photo

Enquanto isso, as supostas artimanhas do Kremlin causam sua primeira vítima na Casa Branca. Acuado pela ameaça de uma investigação sobre a influência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016, Donald Trump demite o diretor do FBI, James Comey.

“Eu acabei de demitir o chefe do FBI. Um doido, realmente maluco. Eu estava sob pressão por causa desse negócio da Rússia. Agora, acabou. Não estou mais sendo investigado”, desabafa Trump com autoridades russas que o visitavam na Casa Branca, num encontro vedado à imprensa norte-americana.

Eu acabei de demitir o chefe do FBI. Um doido, realmente maluco. Eu estava sob pressão por causa desse negócio da Rússia. Agora, acabou. Não estou mais sendo investigado. (Donald Trump)

Na França, a renovação dos ares trazida pela primavera, revitaliza a paisagem política, rejuvenescendo o parlamento e elegendo o mais jovem presidente da história republicana francesa. Emmanuel Macron, então com 39 anos, chega ao poder prometendo sacudir um dos pilares sagrados da República: o Código do Trabalho. Com uma agenda liberal, de “extremo-centro”, que muito lembra a Terceira Via de Tony Blair, Macron pretende reformar as leis trabalhistas, dando, sobretudo, mais flexibilidade aos contratos de trabalho. Um alívio, para a classe empresarial. Uma degradação do emprego, para os sindicatos.

Emmanuel Macron: aos 39 anos, preidente da França, "nem de direita, nem de esquerda".
Emmanuel Macron: aos 39 anos, preidente da França, "nem de direita, nem de esquerda". Ảnh: FMM

Bem ou mal, a visão de Macron é corroborada nas urnas: um mês após sua eleição, os franceses renovam o parlamento, oferecendo ao novo presidente uma confortável maioria. Logo, no entanto, o caráter menos progressista de Macron se revela ao confirmar Édouard Philippe, um desertor do partido conservador Os Republicanos, como seu primeiro-ministro.

Antes do fim da primavera, a temperatura esquenta no cenário geopolítico. Primeiro, a explosão de uma bomba deixa 22 mortos num concerto de Ariana Grande na Inglaterra, um ataque reivindicado pelos fundamentalistas do grupo Estado Islâmico. Depois, Donald Trump comunica ao mundo que decidiu retirar os Estados Unidos do Acordo do Clima de Paris, que tenta desacelerar o aquecimento global.

“Não respeitar o documento sem outra proposta alternativa seria um grande erro, e não respeitá-lo seria irresponsável”, reage Emmanuel Macron à decisão de Trump. “As portas vão permanecer abertas. Mas o acordo não vai ser renegociado”.

Não respeitar o documento sem outra proposta alternativa seria um grande erro, e não respeitá-lo seria irresponsável. As portas vão permanecer abertas. Mas o acordo não vai ser renegociado. (Emmanuel Macron)

Verão

A resposta da natureza à obtusidade de Donald Trump não se faz esperar. Em agosto o Texas é castigado pelo furacão Harvey, que deixa 90 mortos e uma fatura de US$ 200 bilhões em danos materiais. Em setembro, o Irma, o mais devastador furacão já registrado, atinge o Caribe e os Estados Unidos, deixando 134 mortos e um prejuízo de US$ 63 bilhões. Quinze dias depois, as ilhas de Dominica, Guadalupe, Martinica e Porto Rico (um protetorado americano no Caribe) são atingidas pelo furacão Maria, que mata 94 pessoas, fazendo estragos no valor de US$ 103 bilhões.

“Parem de falar sobre as ameaças das mudanças climáticas. Eles estão aqui, já estão acontecendo”, alerta Bill McKibben, escritor e fundador da ONG 350.org.

Parem de falar sobre as ameaças das mudanças climáticas. Eles estão aqui, já estão acontecendo. (Bill McKibben)

Apesar do mau tempo, a luz do verão penetra a torre da ONU, em Nova York, no início de julho, quando 122 dos 193 países-membros aprovam a primeira versão do Tratado de Proibição de Armas Nucleares, o primeiro passo para a eliminação de todo o arsenal nuclear do planeta. Até dezembro de 2017, 56 países ratificam o tratado. Só as potências nucleares e outros Estados mais reticentes boicotam o texto. As negociações continuam.

Kim Jong-Un celebrando mais um bem-sucedido teste de míssil balístico.
Kim Jong-Un celebrando mais um bem-sucedido teste de míssil balístico. KCNA via REUTERS

Enquanto o tratado é discutido na ONU, China e Rússia tentam convencer a Coreia do Norte a abandonar o seu programa de mísseis balísticos e armas nucleares. Sem sucesso, o Conselho de Segurança da ONU aprova um novo pacote de sanções econômicas contra Pyongyang. Um mês depois, a Coreia do Norte reage às sanções com mais um teste nuclear, o sexto e mais poderoso teste realizado pelo regime de Kim Jong-Un.

Outra bomba sacode, em agosto, o mundo do esporte na França. O clube de futebol Paris Saint-Germain confirma a contratação do atacante brasileiro Neymar. Somando-se o valor da transferência à multa de rescisão contratual do FC Barcelona, no valor de € 222 milhões (R$ 821 milhões na cotação do dia), Neymar se torna o jogador mais caro da história do futebol mundial.

Neymar mostra a camisa 10 no dia de sua apresentação oficial pelo PSG em 5 de agosto de 2017
Neymar mostra a camisa 10 no dia de sua apresentação oficial pelo PSG em 5 de agosto de 2017 REUTERS/Christian Hartmann

Uma pechincha, na verdade, para o cantor porto-riquenho Luis Fonsi que, ainda em agosto, bate todos os recordes de acesso no Youtube com a sua canção Despacito, assistida mais de 3 bilhões de vezes (4 bilhões em outubro), confirmando-se como o tema do verão de 2017. Vendendo mais de dez milhões de cópias em todo mundo e varrendo os prêmios do Grammy Latino, Despacito ganha dezenas de discos de platina, estimula o turismo em Porto Rico e é banida na Malásia por conter uma letra não conforme aos valores muçulmanos.

“Despacito, Quiero desnudarte a besos despacito, Firmo en las paredes de tu laberinto, Y hacer de tu cuerpo todo un manuscrito”, canta Luis Fonsi, enquanto as crianças repetem a letra, girando o fidgetspinner entre os dedos.

Antes do verão, o spinnerjá alcançava a lista dos 20 brinquedos mais vendidos na internet pela Amazon. Depois, com a chegada de centenas de versões mais populares às barracas dos camelôs, o spinner se torna a moda das férias escolares, sobretudo para quem sofre de estresse, ansiedade, inquietação. Enquanto isso, a inventora do brinquedo, Catherine Hettinger, da Flórida, luta para pagar suas contas. Não tendo US$ 400 para renovar a patente, ela vê o spinner se tornar um fenômeno mundial sem que ela ganhe um centavo com isso.

“Muita gente me pergunta: ‘Você não está com raiva?’ Eu respondo que não. Fico feliz em saber que algo que eu inventei é compreendido pelas pessoas, e que isso realmente funciona para elas”, disse Hettinger, de 62 anos, ao jornal britânico The Guardian.

E o verão poderia ter terminado melhor se, no final de agosto, uma operação militar do governo de Mianmar não houvesse atacado a comunidade dos rohingya, muçulmanos apátridas que vivem no extremo oeste do país. Da população calculada originalmente em 1 milhão de pessoas, 600 mil rohingya buscam refúgio em Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo.

600 mil rohingyas já cruzaram a fronteira de Mianmar com Bangladesh.
600 mil rohingyas já cruzaram a fronteira de Mianmar com Bangladesh. ©REUTERS/Mohammad Ponir Hossain

“Eles estão matando homens, assassinando crianças, estuprando mulheres, queimando as suas casas, forçando todo o povo a cruzar a fronteira com Bangladesh. E vão continuar até alcançarem o seu objetivo que é a limpeza étnica (o extermínio) da minoria muçulmana de Mianmar”, acusa John McKissick, representante da agência da ONU para refugiados.

Eles estão matando homens, assassinando crianças, estuprando mulheres, queimando as suas casas, forçando todo o povo a cruzar a fronteira com Bangladesh. E vão continuar até alcançarem o seu objetivo que é o extermínio da minoria muçulmana de Mianmar. (John McKissick, representante da agência da ONU para refugiados)

Outono

Outubro é marcado pelo amarelar das folhas, e a queda da dignidade humana. Num único atentado, perpetrado com um caminhão bomba, 500 pessoas morrem e mais de 300 ficam feridas em Mogadíscio, na Somália. Ainda que nenhum grupo tenha reivindicado a autoria do ataque, as autoridades da Somália acusam o grupo islâmico terrorista Al-Shabaab.

Massacre de Las Vegas: "Um ato de pura maldade", reagiu Donald Trump.
Massacre de Las Vegas: "Um ato de pura maldade", reagiu Donald Trump. David Becker / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Mas nem toda insanidade é levada a cabo por fanáticos religiosos, que matam centenas de pessoas em nome de Deus. Em Las Vegas, Stephen Paddock, um aposentado de 64 anos, abre fogo contra o público de um concerto de música country, matando 58 e ferindo 546 pessoas. Seus motivos? Ninguém jamais saberá. Paddock se mata com um tiro no coração antes que a polícia possa interrogá-lo. Seu crime entra para a história como o maior massacre com arma de fogo conduzido por uma só pessoa nos Estados Unidos.

Ainda em outubro, outro americano bate recorde de agressões, desta vez, sexuais. O consagrado produtor de cinema americano Harvey Weinstein é acusado por várias mulheres, principalmente atrizes, de as ter assediado ou violado sexualmente. As primeiras acusações, reveladas pela imprensa americana, geram uma avalanche de outras denúncias contra Weinstein, que teria molestado mais de 100 mulheres.

Harvey Weinstein, o maior predador das atrizes hollywoodianas.
Harvey Weinstein, o maior predador das atrizes hollywoodianas. REUTERS/Steve Crisp/File Photo

O escândalo do produtor hollywoodiano motiva outras vítimas de celebridades a revelar o nome dos seus agressores. Políticos, empresários e profissionais da indústria do cinema e da televisão nos Estados Unidos, são 47 homens acusados, incluindo os atores Kevin Spacey e Dustin Hoffman, e o senador republicano Roy Moore.

Na França, a onda de denúncias cria os hashtags #metoo (eu também) e #balancetonporc (dedure o seu porco) que viralizam nas redes sociais, revelando a enorme extensão dos abusos sexuais na sociedade francesa.

Pelo menos 267 mil pessoas, “essencialmente mulheres”, foram vítimas de agressões sexuais em 2014 e 2015 nos transportes públicos da França, segundo uma estimativa “por baixo” do Observatório Nacional da Delinquência e Consequências Penais.

A boa notícia de outubro vem da Síria, onde a cidade de Raqa, controlada pelo grupo Estado Islâmico, é finalmente retomada pelas Forças Democráticas Sírias, formadas por curdos e árabes que combatem também as tropas leais ao regime de Bashar Al-Assad.

Na China, o Congresso do Partido Comunista Chinês aprova uma emenda ao estatuto do partido, incluindo nele a visão do presidente Xi Jinping sobre o futuro do comunismo chinês. A medida é inédita na história recente da China, elevando Xi Jinping ao nível de influência e liderança de Mao Tse-Tung.

Enquanto isso, a Catalunha declara independência da Espanha depois de um referendo que não é reconhecido pelo governo espanhol de Mariano Rajoy. O referendo é considerado inconstitucional, seus promotores são presos e o parlamento da Catalunha é dissolvido por Madri. Começa a mais grave crise política da Espanha desde a redemocratização do país.

Bono Vox do U2, citado entre as celebridades que usavam paraísos fiscais para pagar menos impostos.
Bono Vox do U2, citado entre as celebridades que usavam paraísos fiscais para pagar menos impostos. REUTERS/Neil Hall

Em novembro, dois terremotos abalam o mundo. O primeiro acontece na fronteira entre o Irã e o Iraque, causando a morte de mais de 500 pessoas, deixando 70 mil desabrigadas. O segundo abala o mundo das finanças, quando o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos publica uma lista com 13 milhões de documentos eletrônicos que expõem as manobras fiscais de multinacionais e celebridades para evitar os impostos em seus países – os Paradise Papers. A revelação, que compromete a rainha Elizabeth e o cantor Bono Vox da banda irlandesa U2, além de ministros brasileiros, leva a União Europeia a publicar uma lista de 17 paraísos fiscais, que inclui o Panamá, os Emirados Árabes, a Tunísia e a Coreia do Sul.

"Salvator Mundi": será mesmo obra de Leonardo da Vinci?
"Salvator Mundi": será mesmo obra de Leonardo da Vinci? Reuters

Quem não pode esconder dinheiro em paraísos fiscais, investe em arte. Assim o quadro Salvator Mundi, atribuído ao pintor Leonardo da Vinci, é arrematado por US$ 450 milhões num leilão da Christie’s em Nova York, quebrando um novo recorde mundial de preço para uma única obra de arte. O nome do comprador não é revelado, ainda que alguns espíritos de porco sugiram à boca pequena que a obra, realmente, não é de da Vinci.

Sem dinheiro para pagar as suas dívidas externas, a Venezuela é considerada, em 14 de novembro, em “calote seletivo”. As agências de notação derrubam a nota de risco financeiro do país, dificultando ainda mais o insustentável regime bolivariano de Nicolás Maduro, o sucessor de Hugo Chávez. 

Um vento de outono: prisões, quedas, revelações

O outono marca também a queda do presidente Robert Mugabe, depois de 30 anos de governo autoritário no Zimbábue, e de José Eduardo dos Santos, que presidiu Angola com mão-de-ferro durante 38 anos. Se Mugabe foi finalmente derrubado por um golpe militar, Santos conseguiu sair de fininho, promovendo eleições diretas que elegeram o candidato indicado por ele mesmo.

No final de novembro, Ratko Mladic é condenado à prisão perpétua pela organização do genocídio de Srebrenica na Guerra da Bósnia, na década de 1990 – o pior massacre da Europa depois da Segunda Guerra Mundial.

Mas, com os dias mais curtos e a volta do frio, o mês de novembro termina com uma nota sombria: um atentado a uma mesquita no Sinai, Egito. Quarenta homens armados com metralhadoras matam 300 e ferem mais de 100 muçulmanos sufis. O ataque não é reivindicado por nenhum grupo terrorista.

Guerrilheiras curdas das Forças Democráticas Sírias celebram a reconquista de Raqa, na Síria.
Guerrilheiras curdas das Forças Democráticas Sírias celebram a reconquista de Raqa, na Síria. REUTERS/Erik De Castro

Já em dezembro, o Exército do Iraque declara a vitória final sobre o grupo Estado Islâmico em seu território. Com a perda de terreno no Iraque e na Síria, 2017 pode marcar a extinção do grupo jihadista que ambiciona recriar o Califato de Maomé sobre a Terra.

Chegou a hora de reconhecer oficialmente que Jerusalém é a capital de Israel.

Os israelenses, por sua vez, avançam na dominação dos espaços palestinos. Agora, com o apoio de Donald Trump que reconhece Jerusalém como a verdadeira capital de Israel. O anúncio causa consternação em todo mundo. A Assembleia Geral da ONU aprova, por larga maioria, uma resolução que condena a declaração do presidente americano. Dos 193 países-membros, 128 votam a favor da resolução, incluindo o Brasil e aliados de Washington, como França e Reino Unido. Mas a novela árabe-israelense continua, e promete mais discórdia em 2018.

O mesmo sentimento de discórdia que surge no coração da Europa, em meados de dezembro, com a formação do novo governo austríaco – uma coalizão do Partido Popular, liderado por Sebastian Kurz, de 31 anos, e a extrema-direita representada pelo Partido da Liberdade da Áustria. É a segunda vez, desde 1999, que a extrema-direita austríaca, baseada numa pauta anti-imigração, chega ao poder em Viena.

Kurz, o prodígio conservador de 31 anos que formou governo com a extrema-direita austríaca.
Kurz, o prodígio conservador de 31 anos que formou governo com a extrema-direita austríaca. REUTERS/Leonhard Foeger

Uma tendência da política europeia que se confirma com Marine Le Pen, da Frente Nacional, derrotada no segundo turno das eleições presidenciais francesas, e a chegada da extrema-direita alemã ao Bundestag pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Um desastre eleitoral que dificulta a formação de um novo governo alemão, com o enfraquecimento da direita tradicional, representada pela aliança entre a União Social-Cristã da Baviera e a União Democrata-Cristã de Angela Merkel.

Inverno

Poucos dias antes do Natal, quando o inverno chega oficialmente, as eleições regionais da Catalunha confirmam o tiro no pé de Mariano Rajoy, do Partido Popular, ao dissolver o parlamento separatista. O conservador PP praticamente desaparece, mantendo apenas 3 cadeiras em Barcelona, enquanto os partidos que trabalham pela independência voltam a obter a maioria. Em contrapartida, vários líderes separatistas, reeleitos, estão na prisão enquanto o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, está exilado na Bélgica. Como a secessão de qualquer região é proibida pela Constituição espanhola, o impasse promete o prolongamento da crise em 2018.

Separatistas comemoram a declaração de independência em Barcelona.
Separatistas comemoram a declaração de independência em Barcelona. REUTERS/Yves Herman

Com frio e umidade, sob um céu de chumbo em Paris, o ano de 2017 termina com várias pendências na geopolítica internacional. Conseguirá a ONU brecar o programa nuclear da Coreia do Norte? Israel e Palestina chegarão a um acordo sobre Jerusalém? Até onde irá a investigação sobre o envolvimento dos russos na eleição de Donald Trump? E, afinal, quem ganhará a Copa do Mundo de 2018?

Respostas, no próximo capítulo.

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