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Árabia Saudita/cultura

Sauditas lotam primeiras salas de cinema abertas no país

Inauguração de um cinema em Riad, na Arábia Saudita, em 30 de abril de 2018.
Inauguração de um cinema em Riad, na Arábia Saudita, em 30 de abril de 2018. REUTERS/Faisal Al Nasser

Pegar um cinema no domingo é uma diversão banal para os moradores de qualquer cidade ocidental com o mínimo de infraestrutura. Mas na Arábia Saudita, até abril deste ano, ver um filme em uma sala era uma atividade proibida pelo reino islâmico, que adota o wahabismo, uma vertente ultraconservadora da religião muçulmana.

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Os dois primeiros cinemas de Riad abriram as portas no dia 18 de abril. Um deles é o Vox, situado em um grande centro comercial na capital árabe. O sucesso é tamanho que várias sessões se esgotam com semanas de antecedência, conta o correspondente da RFI, Nicolas Falez, que foi até o local conversar com os espectadores.

O desenvolvimento das atividades culturais e o investimento no lazer da população integram o vasto plano de reforma lançado pelo princípe herdeiro saudita, Mohammed Ben Salmane. O motivo é antes de tudo econômico : depois da queda do preço do petróleo em 2014, a Árabia Saudita, maior exportador mundial do bruto do mundo, buscou diversificar os setores, aumentando a oferta de entretenimento.

As quatro salas do Vox propõem superproduções americanas como “Avengers”, ou “Black Panthers”, legendadas em árabe. A jovem May, por exemplo, já tinha ido ao cinema em Dubai e nos Estados Unidos, mas nunca em seu próprio país. Ela achou o filme “fantástico”, “Ver Avengers aqui, na minha cidade, tem outra graça. Eu me sinto orgulhosa e feliz”, se empolga.

Fahad veio com suas duas filhas adolescentes e a abertura do cinema não foi exatamente uma surpresa para ele, que assim como boa parte da população, tinha a certeza de que esse tipo de mudança era apenas uma questão de tempo. “Vivemos em um país aberto, mas existe a religião. São os mais velhos que impunham essa proibição, mas no cinema não fazemos nada mal”.

Homem de um lado, mulher de outro

O cinema em Riad respeita escrupulosamente a separação no espaço público que vigora na Arábia Saudita, adepta da xaria, a lei islâmica: há sessões reservadas para famílias, e outras apenas para homens desacompanhados. Assim como os programas na TV, os filmes exibidos no cinema também serão submetidos à censura, que considera assuntos ligados ao sexo, à religião e à política como tabus.

Antes da chegada oficial dos cinemas no reino, os sauditas eram obrigados a assistir seus filmes em parques de atração de Dubai ou no Bahrein, onde gastam todos os anos bilhões de dólares.

Fashion Week

Outro sinal de abertura do reino saudita foi a organização em abril da primeira semana de moda organizada em Riad, a Arab Fashion Week. Programada para o fim de março, ela teve a data modificada para receber convidados internacionais de peso, como os estilistas Jean-Paul Gaultier e Roberto Cavali. Vale lembrar que, dos 150 clientes de alta costura no mundo, a metade é de origem saudita, lembra a revista francesa "Le Nouvel Observateur."

 

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