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Israel/Gaza

Israel toma controle de barco palestino em protesto contra bloqueio em Gaza

Chegada de barco em Gaza para protestar contra bloqueio na região
Chegada de barco em Gaza para protestar contra bloqueio na região REUTERS/Mohammed Salem

Um grupo de barcos de pesca palestinos partiu do porto de Gaza nesta terça-feira (29) para tentar furar o bloqueio imposto por Israel na região há mais de dez anos. À frente das embarcações estava um navio, que transportava um grupo de 20 pessoas doentes, estudantes e desempregados, que protestava contra as restrições impostas aos palestinos no enclave.

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As forças israelenses tomaram rapidamente o controle do barco, assim que ele iniciou a travessia no final da manhã. De acordo com um comunicado do comitê que organizou o protesto, chamado de “Grande Marcha do Retorno”, os detalhes da operação não foram divulgados, mas o barco deve ser levado até o porto israelense de Ashod, perto da Faixa de Gaza. Desde o início, os organizadores sabiam que dificilmente a embarcação entraria em águas internacionais, mas o ato foi simbólico.

Israel impõe há dez anos um bloqueio terrestre, aéreo e marítimo na Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islâmico Hamas desde 2007. A passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, é a único acesso entre Gaza e o mundo exterior. Ela foi reaberta em maio para o Ramadã, pela primeira vez desde 2013.

"A Grande Marcha do Retorno” é uma alusão ao ataque ao navio Mavi Marmara, em 2010. O barco turco, que integrava uma frota de seis barcos que carregava ajuda humani, tentou romper o bloqueio em Gaza, e foi atacado por militares israelenses. Dez pessoas morreram na ação, gerando uma ruptura diplomática entre a Turquia e Israel.

“Oito anos se passaram desde que o Mavi Marmara foi atacado, e, desde então, nada mudou. Esperamos que a comunidade internacional exerça pressão em Israel. Este barco deve ser protegido. Não queremos confrontos com a marinha israelense”, disse um dos organizadores da missão, Wajeh Abou Zarifa, em uma entrevista à RFI antes da chegada do barco à Gaza.

“O povo palestino não quer um enfrentamento, não queremos vítimas. A comunidade internacional e em particular os amigos de Israel, os Estados Unidos ou os países europeus deveriam exercer uma pressão sobre o país para evitar novos crimes como os que são cometidos no cotidiano pelo exército israelense na fronteira com Gaza”, declarou.

“A Faixa de Gaza é uma prisão a céu aberto e ela não pode continuar a viver sob o jugo do regime imposto por Israel. As pessoas querem ter o direito de serem tratadas, se estão doentes. Os estudantes querem viajar e descobrir o mundo. E tudo isso não é possível porque as forças israelenses proíbem os barcos de entrar ou sair”, completou.

Região é palco de novos conflitos

A faixa de Gaza é o centro de novas tensões desde o dia 30 de março. Desde então, 121 palestinos morreram. Nesta terça-feira (29), as forças armadas israelenses anunciaram, em um comunicado, terem atingido mais de 35 alvos em Gaza em represália a cerca de 28 tiros de foguetes e morteiros que atingiram o território israelense – a maior ofensiva desde 2014.

Segundo o porta-voz das forças armadas do país, Jonathan Conricus, os ataques de Israel destruíram um túnel e diferentes estruturas militares pertencentes ao Hamas.

 

 

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