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Feminismo/Arábia Saudita

Militantes feministas rompem tabu e lançam rádio na Arábia Saudita

Logotipo da rádio feminista Nsawya FM, ou Feminismo FM em árabe.
Logotipo da rádio feminista Nsawya FM, ou Feminismo FM em árabe. Reprodução Twitter

“A política e o feminismo estão ligados”, afirma a rádio independente Nsawya FM em sua conta no Twitter. O canal, criado por ativistas, tenta romper com dogmas machistas na Arábia Saudita, que preconizam a eterna tutela masculina sobre a vida das mulheres no país. Em questão de horas, neste domingo (19), a rádio havia sido bloqueada na monarquia saudita. As feministas, no entanto, afirmam desejar continuar a realizar os programas semanais, que versam sobre temas como violência doméstica e direitos das mulheres.

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Operando a partir de um pequeno escritório em um país desconhecido, a nova estação de rádio Nsawya FM (Feminismo FM) produz e difunde os programas via internet desde o dia 4 de agosto. Após o terceiro deles, transmitido no último domingo (19), a Arábia Saudita decidiu bloquear sua programação no país. No twitter, uma usuária responde à proibição contando que a “Magic FM” também havia sido bloqueada, porque as autoridades sauditas pregam que “mágicas não podem ser praticadas no Reino”.

Comparações à parte, a rádio conta hoje com cerca de três mil seguidores na rede social e continua a produzir seus programas mesclando informações e entrevistas. Com uma música árabe melancólica tocando ao fundo, pode-se ouvir uma voz feminina abordando questões como a violência doméstica e a “primazia masculina sobre as decisões femininas” no reino do Golfo. Segundo informações de France Info, a voz da apresentadora “treme de emoção” enquanto ela discute o destino de Sara, uma estudante saudita de 33 anos que, de acordo com a apresentadora da rádio, foi morta por seu irmão porque ela queria se casar com um homem de outra nacionalidade. Segundo a Anestia Internacional, lembra o site da rádio francesa, “as mulheres são privadas de seus direitos fundamentais”.

No Twitter, as responsáveis afirmam que não são “nem um partido político, nem um grupo de oposição”, e que não procuram “confrontações”, mas que “isto não significa que evitarão de ser críticas ou de falar sobre política”. Segundo declarações feitas à BBC, a jovem Ashtar, apresentadora de 27 anos, diz ter começado o projeto “para que as pessoas saibam que nós existimos”. “Somos a voz da maioria silenciosa”, disse à emissora.

Um total de nove mulheres - sete das quais são cidadãs sauditas – além de dois homens, trabalham na produção do programa. Os ativistas convidam potenciais voluntários para contribuírem com os programas, e um endereço de email foi disponibilizado para contatos pela equipe nas redes sociais: nsawya.fm@gmail.com

Ênfase na violência doméstica

Segundo France Info, a pauta das últimas produções da Nsawya FM focou em diversos casos de violência familiar sofridos por mulheres sauditas no país. Além do caso da estudante, o programa abordou o suicídio de Hanan Shahri, que teria morrido em 2013 após ter sido espancada por seu irmão e seu pai, que também foi mencionado. Eles teriam se recusado a deixá-la se casar com seu noivo.

Pelo menos 17 defensores dos direitos humanos e feministas ativistas dos direitos das mulheres da Arábia Saudita foram presos ou detidos desde meados de maio de 2018, segundo a ONU. Vários deles foram acusados de crimes graves, incluindo "contatos suspeitos com partidos estrangeiros", e podem pegar até 20 anos de prisão se forem condenados.

As ativistas decidiram levar a campanha da Nsawya FM para o Twitter, a plataforma de mídia social mais popular da Arábia Saudita, onde as mulheres sauditas são muito ativas. No entanto, muitos sauditas denunciaram as ativistas como "espiões" e "não sauditas", e as descreveram como "espiãs eletrônicas" em uma tentativa de minimizar sua atuação em prol dos direitos das mulheres no país.

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