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Irã/França/EUA

Temendo sanções americanas, petroleira francesa Total encerra atividades no Irã

O grupo total deveria investir, junto com a chinesa CNPC e a iraniana Petropars, US$ 4,9 bilhões no Irã.
O grupo total deveria investir, junto com a chinesa CNPC e a iraniana Petropars, US$ 4,9 bilhões no Irã. REUTERS/Regis Duvignau

A gigante francesa do petróleo Total se desligou oficialmente dos projetos de investimento de bilhões de dólares no Irã. A medida, anunciada nesta segunda-feira (20) pelo ministro iraniano do Petróleo, Bijan Namdar Zanghaneh, é uma consequência da retomada das sanções dos Estados Unidos contra o regime iraniano.

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Com informações de Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã

"A Total encerrou oficialmente o acordo para o desenvolvimento da fase 11 da jazida de gás de South Pars", declarou Zanghaneh à agência Icana, vinculada ao ministério iraniano do Petróleo. Segundo ele, a empresa francesa havia anunciado há mais de dois meses que pretendia romper o contrato, mas que a decisão final só foi confirmada agora. Diante do parlamento, o ministro também ressaltou que a infraestrutura de gás e petróleo o país está em péssimo estado e necessita de reformas que o governo iraniano não pode custear.

À frente de um consórcio com a empresa chinesa CNPC e a iraniana Petropars, a Total havia assinado, em junho de 2017, um acordo no valor de US$ 4,9 bilhões para desenvolver um vasto campo de gás offshore no sul do Irã. A gigante francesa deveria implementar uma tecnologia de ponta permitindo produzir a pressão necessária para a exploração do gás, em um procedimento que poderia ser reproduzido em outras partes do país.

Pressão dos Estados Unidos

Mas o governo dos Estados Unidos ameaçou os países que persistissem em seus negócios com o Irã, após sua retirada unilateral do acordo nuclear assinado em 2015 entre Teerã e as grandes potências, seguida do restabelecimento em 6 de agosto uma primeira série de sanções contra os iranianos. Washington concedeu às empresas um período de 90 a 180 dias para que deixassem o Irã.

Os bancos norte-americanos estão implicados em 90% das operações financeiras da Total e a empresa francesa também tem US$ 10 bilhões nos Estados Unidos. Especialistas afirmam que dificilmente o grupo chinês CNPC assumirá o projeto sozinho.

Decepção das autoridades iranianas

As autoridades iranianas, que haviam feito intensas negociações com os países europeus para driblar as ameaças norte-americanas, não escondem sua decepção. O chefe da diplomacia do Irã chegou a criticar implicitamente os europeus, afirmando que deveriam ter se empenhado mais para salvar o acordo nuclear, e não se contentar com simples declarações.

Teerã contava com o retorno das empresas estrangeiras após a assinatura do acordo nuclear em 2015 para tentar relançar sua economia. Mas além da Total, outros europeus já anunciaram a saída do Irã temendo as medidas norte-americanas. Os grupos alemães do setor automobilístico, ferroviário e telefônico Daimler, Deutsche Bahn e Deutsche Telekom fazem parte dos que já deixaram o país.

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