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Linha Direta

Acusado de apoiar terrorismo, Catar pode virar ilha e ficar totalmente isolado

Áudio 05:00
O presidente do Egito, Abdel Fattah al Sisi e o príncipe saudita Mohammed bin Salman em visita ao Canal de Suez, 5 de março de 2018
O presidente do Egito, Abdel Fattah al Sisi e o príncipe saudita Mohammed bin Salman em visita ao Canal de Suez, 5 de março de 2018 "AFP PHOTO / EGYPTIAN PRESIDENCY / MOHAMED SAMAAHA

O projeto de construção de um canal separando a Arábia Saudita da península do Catar voltou a ganhar destaque essa semana, após declarações de um alto conselheiro do governo saudita no Twitter indicarem que o plano pode avançar. Se sair do papel, o milionário Canal Marinho de Salwa isolará completamente o Catar, transformando o emirado em uma ilha em pleno deserto.

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Mariana Durão, correspondente da RFI em Dubai

O plano que separaria os dois países vem na esteira da deterioração das relações entre Doha e Riad. Desde junho de 2017 a Arábia Saudita e seus aliados do Golfo impõem um bloqueio logístico e econômico ao Catar, em resposta à sua ligação com o Irã e ao seu suposto apoio financeiro ao terrorismo, o que o país nega. O projeto veio à tona nove meses após o início do bloqueio e é visto por alguns como uma nova forma de pressão.

Os rumores sobre a construção do Canal Marinho de Salwa tiveram início em abril, com matérias publicadas por veículos sauditas considerados próximos ao governo, como a agência de notícias Sabq e o jornal Al-Riyadh. Segundo a mídia local, o plano prevê a escavação de um canal de 60 quilômetros de extensão e 200 metros de largura, na atual fronteira entre Arábia Saudita e Catar.

Obra deve custar R$ 3,1 bi

Citando fontes, as publicações afirmavam que a ideia seria erguer uma base militar e uma instalação de resíduos nucleares na área no entorno do canal. Seu uso turístico também foi aventado. A estimativa é de que o projeto tenha um custo de cerca de US$ 750 milhões ou R$ 3,1 bilhões.

Em junho, o jornal saudita Makkah reportou que cinco companhias com experiência internacional nesse tipo de projeto teriam sido convidadas a participar de uma licitação pela escavação do canal. As propostas deveriam ser apresentadas até 25 de junho e a empresa vencedora anunciada em setembro.

Nunca houve, entretanto, um anúncio oficial do projeto e até o tweet de al-Qahtani ser publicado não havia mais notícias a respeito. A mensagem do oficial foi interpretada como um sinal de que o projeto pode estar prestes a ser aprovado. Nos últimos dias vários veículos da região, e também internacionais, voltaram a falar do canal.

Nos Emirados Árabes Unidos, o The National afirmou que tudo indica que o anúncio do vencedor da concorrência pela construção é iminente. De acordo com a publicação, o financiamento deve ser apresentado por investidores privados sauditas e dos Emirados, e uma empresa egípcia provavelmente estará envolvida no empreendimento. O projeto lembra o egípcio Canal de Suez, que une o mar Mediterrâneo ao mar Vermelho, uma das rotas comerciais de navegação mais importantes do mundo

Mais uma sanção após bloqueio econômico

Apesar de mais de um ano sob bloqueio econômico dos vizinhos, a economia do Catar vem resistindo. Muito rico em reservas de gás natural, o país é dono do maior PIB (Produto Interno Bruto) per capita global. Para lidar com as limitações impostas à importação de bens, estabeleceu rotas comerciais alternativas e vem buscando aumentar sua produção interna de alimentos e estimular o turismo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou em seu último relatório econômico a respeito do emirado que o Catar tem se mostrado resistente ao bloqueio, com a ajuda de um programa de investimentos em infraestrutura e da produção de gás liquefeito. A instituição alerta, entretanto, que uma escalada na tensão diplomática pode pesar na confiança de investidores no país, tendo impacto negativos sobre seu acesso ao crédito externo e seu crescimento.

A situação do país do Golfo está em evidência especialmente porque ele será a sede da Copa do Mundo de 2022. O fechamento da fronteira terrestre do Catar com a Arábia Saudita, das rotas marítimas e do espaço aéreo também com Bahrein, Emirados Árabes e Egito pode dificultar e encarecer a viagem dos torcedores.

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