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Maldivas / Eleições / Repressão

Líder autoritário das Maldivas deve ser reeleito neste domingo

Outdoor da campanha à reeleição do presidente Abdulla Yameen, Maldivas, 19 de setembro 2018
Outdoor da campanha à reeleição do presidente Abdulla Yameen, Maldivas, 19 de setembro 2018 REUTERS/Ashwa Faheem

A República das Maldivas é um dos destinos mais lembrados por recém casados na hora de escolher um lugar paradisíaco para passar a lua de mel, mas a situação política deste pequeno país do oceano Índico, que vai às urnas neste domingo (23) votar para presidente, é bem menos radiante.

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Abdulla Yameen, o chefe de Estado desse arquipélago de mais de 340 mil habitantes, faz uso de uma repressão feroz contra qualquer dissidência e parece ter caminho livre para obter um segundo mandato de cinco anos.

Os protestos e a pressão da comunidade internacional não tiveram repercussão. Os principais nomes da oposição estão atrás das grades ou no exílio, como o ex-presidente Mohamed Nasheed. Líder dos protestos opositores, Nasheed - que perdeu as eleições para Yameen em 2013 em circunstâncias polêmicas - teve que desistir da atual disputa presidencial após ser condenado num processo movido por motivação política, de acordo com a ONU.

Medo de represálias

A coalizão de oposição acabou por apresentar Ibrahim Mohamed Solih, de 54 anos, pouco conhecido dos eleitores. A imprensa ignorou sua candidatura, por medo de represálias por parte do poder.

De acordo com a organização Human Rights Watch, o governo das Maldivas recorre a decretos e "leis vagas formuladas para silenciar a dissidência e intimidar e aprisionar os críticos", alguns dos quais foram agredidos ou mesmo mortos. "A cobertura da campanha eleitoral é severamente restringida pela lei da difamação. Não é uma cobertura equilibrada, mas não temos escolha", disse um jornalista local que pediu anonimato por razões de segurança. "Não podemos nem usar as redes sociais para falar sobre políticos da oposição", explicou o repórter.

A maioria dos jornalistas estrangeiros que desejava cobrir as eleições não conseguiu visto. Apenas alguns, nos últimos dias, obtiveram uma autorização. Na semana passada, a oposição denunciou esse bloqueio à imprensa internacional e acusou o regime de tentar limitar "a observação independente da votação e das prováveis tentativas de fraudes".

Mandou prender juízes da Suprema Corte

A repressão aumentou ainda mais no início de 2018, quando o chefe de Estado se opôs a uma decisão da Suprema Corte, que anulava as condenações judiciais de opositores e restabelecia em seus cargos os deputados rebelados. Abdulla Yameen impôs um estado de emergência por 45 dias, mandou prender dois juízes da Suprema Corte e o ex-autocrata do arquipélago (1978-2008) Maumoon Abdul Gayoom, seu meio-irmão e antigo mentor. A alta corte finalmente retrocedeu em sua decisão.

Esse "ataque contra a democracia", de acordo com os termos usados pela ONU, prejudicou ainda mais a imagem do país, um importante destino cujos rendimentos relacionados ao turismo representam um quarto de sua economia.

China, forte aliado

A imprensa estrangeira revelou um vasto esquema de desvio de fundos públicos orquestrado por parentes do presidente Yameen. Mas, embora a comunidade internacional tenha ameaçado regularmente as autoridades do governo com sanções, Yameen pode contar com um forte aliado: a China.

Como parte de sua política de influência regional, Pequim forneceu centenas de milhões de dólares em empréstimos para as Maldivas para a construção de infraestruturas, incluindo uma grande "Ponte da Amizade China-Maldivas" e a modernização do aeroporto internacional. Muitos observadores duvidam da capacidade do arquipélago para pagar esses empréstimos. Neste caso, ficaria à mercê de seu credor.

Com informações da AFP.

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