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Bangladesh/rohingyas

Rohingyas serão confinados em casas de 2,5 metros a 30 km de Bangladesh, diz especialista

Centenas de rohingyas, inclusive crianças, protestam contra repatriamento na Birmânia, no campo de Unchiprang, em Bangladesh, em 15 de novembro de 2018.
Centenas de rohingyas, inclusive crianças, protestam contra repatriamento na Birmânia, no campo de Unchiprang, em Bangladesh, em 15 de novembro de 2018. REUTERS/Mohammad Ponir Hossain

A crise humanitária em Bangladesh após o êxodo dos rohingyas continua, com 700.000 pessoas forçadas a fugir da violência do exército birmanês. Os campos do país estão superlotados, e as condições de vida deploráveis. Por esta razão, o governo decidiu construir uma estrutura sólida na ilha de Bhasan Char, no litoral de Bangladesh, com o objetivo de instalar alguns desses deslocados que não querem voltar para a Birmânia. A iniciativa é criticada por algumas Ongs, que falam sobre uma nova “prisão aberta” para os refugiados desta minoria muçulmana, como explica Alice Baillat, especialista em Bangladesh do Instituto para Relações Internacionais e Estratégicas (Iris).

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Desde pelo menos 2015, o governo de Bangladesh desenvolve a ideia de concentrar uma parcela dos refugiados rohingyas nesta ilha, formada em 2006. De acordo com a agência Reuters, a construção de estruturas para acolhê-los avança com rapidez.

As condições de habitação, no entanto, serão duras: de acordo com imagens reveladas pelo jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira (28), as famílias rohingyas serão alojadas em cubos de 2 x 2,5 metros, com pequenas janelas, bloqueadas por barras de ferro.

Nas últimas semanas, as prisões de membros dessa minoria muçulmana se multiplicaram. A polícia de Bangladesh anunciou nesta sexta-feira (30) que havia prendido 10 refugiados que se preparavam para partir para a Malásia, incluindo seis mulheres jovens e quatro homens.

Dois dias antes, as autoridades birmanesas anunciaram a prisão de 93 rohingyas nas águas territoriais do país. Forçado a voltar para o oeste do país, este é o terceiro barco a tentar fugir para a Malásia por mar a ser detido pela polícia birmanesa nas últimas duas semanas.

Medo da proximidade com a Birmânia

Depois de vários atrasos, Bangladesh deveria ter lançado, em meados de novembro, a repatriação de um primeiro grupo de 2.251 refugiados. Mas nenhum candidato chegou à fronteira entre este país e a Birmânia, porque muitos temem retornar por medo de mais abusos ou de serem imediatamente confinados nos acampamentos improvisados do Estado de Rakhine.

A concentração destes refugiados na ilha de Bhasan Char causa problemas, de acordo com a especialista em Bangladesh, Alice Baillat, do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS). "Nós sabemos que esta ilha é vulnerável a vários riscos climáticos, incluindo inundações e ciclones, que na verdade expõem os rohingyas que habitarão nesta ilha a graves ameaças climáticas", disse a pesquisadora.

 O segundo problema é que se trata de uma ilha extremamente isolada, a 30 quilômetros da costa de Bangladesh, cujo acesso leva várias horas de barco. “Isto levanta a questão da liberdade de movimento dos rohingyas que irão para o local: eles poderão deixar a ilha se assim o desejarem? Isso nós não sabemos", afirmou Baillat.

Confinados

A especialista afirma que os refugiados serão abrigados por famílias em espaços extremamente confinados, com muito poucos banheiros disponíveis. “Por isso, a iniciativa do governo de Bangladesh também levanta questões sobre o respeito pela sua dignidade e seus direitos humanos”, detalha a pesquisadora.

“Por que o governo está tomando essa decisão hoje? Eu acho que eles vêem isso como uma resposta ao atual congestionamento dos campos. E a repatriação não é possível no momento, por causa dos vários bloqueios políticos e particularmente a relutância das autoridades birmanesas sobre esta questão, deve ser visto como uma espécie de boa vontade do país, para encontrar respostas em relação a esta crise que dura para sempre”, analisa Baillat.

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