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Turismo/Guerra

Airbnb e Booking.com lucram com ‘crimes de guerra’ na Cisjordânia, diz Anistia Internacional

Sede oficial da gigante do turismo 2.0, Airbnb, em São Francisco, Estados Unidos.
Sede oficial da gigante do turismo 2.0, Airbnb, em São Francisco, Estados Unidos. REUTERS/Gabrielle Lurie

Gigantes do turismo online, como Airbnb, Booking.com, Expedia e TripAdvisor, lucram com "crimes de guerra", oferecendo seus serviços em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. A acusação foi feita pela Anistia Internacional, em um relatório divulgado nesta quarta-feira (30).

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A Anistia Internacional solicitou a esses grandes grupos de turismo global que parem de oferecer moradia, atividades e atrações nos assentamentos da Cisjordânia.

Segundo a Anistia, empresas como Airbnb, Booking.com, Expedia e TripAdvisor agem "sabendo que a ocupação israelense na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, é regida pelo direito internacional humanitário, que considera os assentamentos israelenses ilegais”. "Ao negociar com as colônias, essas quatro empresas contribuem para a manutenção, o desenvolvimento e expansão dos assentamentos ilegais, ato que equivale a crimes de guerra no direito penal internacional," acrescentou.

Para a Anistia, as atividades turísticas na região banalizam a ocupação de assentamentos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental”, deplorou a Anistia Internacional. "Para estimular as reservas para turistas, os lotes de anúncios em assentamentos se gabam de sua proximidade a áreas naturais de grande beleza nos territórios ocupados, como o Mar Morto, reservas naturais e deserto", acrescentou a ONG.

A Anistia acredita que, dessa forma, as empresas aumentam a atratividade de anúncios, garantindo um maior número de turistas e lucram com a exploração ilegal dos recursos naturais palestinos. O Airbnb anunciou em novembro de 2018 sua decisão de retirar de suas listas casas em assentamentos na Cisjordânia "que estão no centro da disputa entre israelenses e palestinos", mas não especificou a data em que esta medida entraria em vigor.

Israel denuncia “boicote” e “hipocrisia”

Em resposta, um ministro israelense acusou a Anistia, organização que é um dos grandes opositores internacionais ao governo de Benjamin Netanyahu, de promover o boicote a Israel, e ameaçou proibir o acesso da ONG ao país.

Cerca de 450 mil colonos israelenses vivem numa coexistência muitas vezes conflituosa com mais de 2,5 milhões de palestinos na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, enquanto que cerca de 200.000 israelenses vivem em Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel.

Assentamentos construídos por Israel na Cisjordânia são considerados ilegais por grande parte da comunidade internacional, que os vê como um dos principais obstáculos para a paz. O governo israelense, que privilegia a defesa da colonização, discorda essa visão.

"No que depender de mim, nenhuma comunidade será arrancada deste chão", disse na segunda-feira (28) o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, durante uma visita às colônias. "A colonização não vai parar, muito pelo contrário", acrescentou.

“Deslegitimação antissemita”

Gilad Erdan, ministro da Segurança Interna e Assuntos Estratégicos, que possui como uma das funções de defender Israel contra ataques à sua legitimidade, disse que deseja proibir a ONG de tocar o solo israelense. “A Anistia Internacional, esta organização hipócrita que fala em nome dos direitos humanos, deseja promover um boicote contra os israelenses como parte de uma campanha de deslegitimação antissemita", disse, em um comunicado oficial.

"Dei instruções ao Ministério de Assuntos Estratégicos para examinar a possibilidade de impedir a entrada e a residência dos membros da Anistia em Israel", declarou Erdan. Ele também disse que pediu ao Ministério das Finanças para cancelar os benefícios fiscais que a Anistia possa ter no país, mas não especificou quais seriam esses benefícios.

O atual governo israelense, considerado o mais conservador da história do país, combate ferozmente tudo que pareça boicote, que equivale a uma ameaça estratégica para Israel. O país aprovou em 2017 uma lei controversa que proíbe a entrada de militantes do movimento internacional BDS globais (Boicote, Desinvestimento, Sanções), que pediam um boicote econômico, cultural ou científica de Israel, para denunciar a ocupação dos territórios palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém oriental.

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