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Grupo Estado Islâmico

Mais uma “noiva do grupo Estado Islâmico” pede perdão e tenta voltar para o Ocidente

Hoda Muthana é filha de um diplomata iemenita nascida nos Estados Unidos.
Hoda Muthana é filha de um diplomata iemenita nascida nos Estados Unidos. Reprodução Twitter

Depois de Shamima Begum, britânica que perdeu sua nacionalidade após ter integrado o grupo Estado Islâmico na Síria, agora é a vez de uma norte-americana, que se juntou aos terroristas, tentar retornar para seu país. A jovem diz que está arrependida e pede para voltar para casa e enfrentar a justiça, mas enfrenta a resistência das autoridades.

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Com AFP e Eric de Salve, correspondente da RFI em São Francisco

Hoda Muthana foi criada em um lar rigoroso no Alabama até que, quatro anos atrás, fugiu de casa e viajou para a Síria, onde se tornou mais uma "noiva do Estado Islâmico". Agora, aos 24 anos, busca a redenção. Em uma carta divulgada por seu advogado esta semana na imprensa, a jovem afirma que quando deixou seu país era "ingênua, arrogante e estava furiosa".

Mas seu retorno aos Estados Unidos foi rejeitado pelo presidente Donald Trump. O chefe de Estado negou o pedido para que Muthana mantenha a cidadania norte-americana. “Eu dei a ordem ao secretário de Estado Mike Pompeo para não autorizar seu retorno”, declarou o chefe da Casa Branca nas redes sociais.

Filha de um diplomata iemenita, Muthana cresceu em Hoover, uma cidade de 80 mil habitantes no estado rural do Alabama. Segundo seu advogado, ela nasceu em Nova Jersey, em 1994. Segundo a legislação dos Estados Unidos, os filhos de diplomatas não obtêm automaticamente a nacionalidade americana.

Jovem teria se radicalizado na universidade

Depois de se formar no ensino médio em 2013, Hoda iniciou seus estudos na Universidade do Alabama em Birmingham, onde teria se radicalizado. Muthana garante que seus recrutadores fizeram-lhe uma lavagem cerebral devido ao conservadorismo em que foi criada e à vigilância extrema que sofria em casa.

"Hoda foi superprotegida, sua mãe restringia seu acesso a amigos e foi assim que ela encontrou um lugar de pertencimento ao telefone, online", declarou o advogado Hassan Shible. "Quando ela finalmente entrou em contato com os recrutadores que a estavam assediando, eles deram a ela muita atenção e brincaram com sua mente, afastando-a de seus amigos, sua família, sua comunidade e sua mesquita".

Finalmente, em 2014, aos 20 anos, Hoda mentiu para seus pais poder ir à Turquia e, em vez disso, viajou para a Síria, onde integrou o grupo Estado Islâmico. Logo depois, postou no Twitter uma foto de quatro mulheres que pareciam queimar seus passaportes ocidentais, incluindo um norte-americano.

Casamento com extremista e ataques virtuais aos EUA

A jovem mudou de nome e passou a se chamar "Umm Jihad". A partir de então, Muthana atacou no Twitter os americanos e enalteceu o Estado Islâmico (EI). Em uma das mensagens, em 2015, ela dizia "Americanos, acordem! (...) Derramem todo o seu sangue, ou peguem um caminhão grande e atropelem todos".

Ela se estabeleceu na cidade síria de Raqa, onde se casou com um extremista australiano, que morreu pouco depois. Agora tem um filho de 18 meses, Adam, de seu segundo marido, um combatente tunisiano. Quando este também faleceu, Muthana se casou com um combatente sírio.

Seguiram-se meses de fanatismo no Twitter de Muthana, que seu advogado afirma que não pertencia completamente a ela. "Sabemos que os tuítes foram postados pouco depois da morte de seu primeiro marido e também que ela não tinha o controle completo de sua conta", garantiu Shibly. "Apesar das circunstâncias, nada justifica tanto ódio e ela está profundamente envergonhada e disposta a pagar o preço", acrescentou o advogado.

Detida no noroeste da Síria pelas forças curdas aliadas dos Estados Unidos, Muthana assegura que renunciou ao extremismo e que quer retornar para casa com seu filho. "Ver tanto sangue derramado me mudou. Ver morrer meus amigos, crianças e meus maridos me mudou. Ver quão distinta pode ser uma sociedade comparada com a querida América onde nasci e me criei, me mudou", declarou em sua carta.

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