Acessar o conteúdo principal

ONU acusa Israel de crimes de guerra por violência contra manifestantes palestinos

Mulher com bandeira palestina na fronteira de Gaza, 22 de fevereiro de 2019 (Ilustração)
Mulher com bandeira palestina na fronteira de Gaza, 22 de fevereiro de 2019 (Ilustração) REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Uma comissão da ONU afirmou nesta quinta-feira (28) que a maneira como Israel reagiu às manifestações de Gaza em 2018 "pode constituir crimes de guerra ou contra a humanidade". O texto detalhou que franco-atiradores atacaram civis, incluindo crianças.

Publicidade

O relatório foi elaborado por investigadores do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que não receberam autorização de Israel para ir ao local dos fatos. As investigações analisaram a violência ocorrida durante os protestos semanais realizados a partir de março de 2018 até o final de dezembro no território palestino.

"Soldados israelenses cometeram violações contra os direitos humanos, alguns dos quais podem constituir crimes de guerra ou contra a humanidade e devem ser imediatamente investigados por Israel", afirmou o presidente da comissão investigadora, Santiago Cantón. Segundo a comissão da ONU, "mais de 6 mil manifestantes desarmados foram atingidos por atiradores de elite israelenses, semana após semana, durante os protestos".

Os investigadores também apontaram “jornalistas, profissionais de saúde, crianças e pessoas com deficiência” entre as vítimas dos atiradores de elite, que tinham plena consciência de suas identidades. "Não há razão para matar ou ferir pessoas que não representam uma ameaça iminente de morte (…) Visar crianças e pessoas com deficiências é particularmente alarmante", declarou a pesquisadora da ONU, Sara Hossain.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU estabeleceu esta comissão em maio de 2018 para "investigar as violações e supostos maus-tratos [...] no contexto dos ataques militares realizados durante as grandes manifestações civis que começaram em 30 de março de 2018 em Gaza". Milhares de palestinos da Faixa de Gaza se reuniram durante várias semanas para reivindicar o direito de retornar às terras de onde foram expulsos ou de onde fugiram após a criação de Israel em 1948.

Israel repetidamente proclamou que esse protesto em massa foi orquestrado pelo Hamas, movimento islamita que comanda a Faixa de Gaza e com o qual já travou três guerras desde 2008. Mas, para os investigadores da ONU, "as manifestações eram de natureza civil, com objetivos políticos claramente declarados e, apesar de alguns atos de violência significativa, a comissão considerou que as manifestações não constituíam campanhas militares ou de combate".

“Relatório falso e parcial”

A comissão, com quem Israel não cooperou, conduziu 325 entrevistas com vítimas, testemunhas e fontes e coletou mais de 8.000 documentos. Ela também teve acesso a materiais audiovisuais, incluindo gravações feitas por drones.

Pelo menos 251 palestinos foram mortos por tiros israelenses nesses confrontos, a grande maioria ao longo da fronteira, e os demais morreram em ataques israelenses em retaliação por “atos hostis”. Dois soldados israelenses morreram no mesmo período.

Em uma reação imediata, Israel rejeitou o relatório da comissão da ONU, atribuindo ao Hamas a responsabilidade pelas violências e o número de vítimas nas manifestações. "O teatro do absurdo praticado no Conselho de Direitos Humanos [da ONU] produziu um relatório hostil, falso e parcial contra Israel", afirmou o ministro israelense das Relações Exteriores, Israel Katz, em um comunicado.

Em 18 de março, um relatório mais detalhado será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, órgão da ONU geralmente acusado de parcialidade pelas autoridades israelenses.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.