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Argélia

Apresentação de candidatura de Buteflika para 5° mandato inflama revolta na Argélia

Milhares de argelinos saem às ruas há mais de uma semana para protestar contra a candidatura do presidente Abdelaziz Buteflika a um quinto mandato.
Milhares de argelinos saem às ruas há mais de uma semana para protestar contra a candidatura do presidente Abdelaziz Buteflika a um quinto mandato. REUTERS/Zohra Bensemra

A Argélia vive um dia decisivo para as eleições presidenciais previstas para 18 de abril. O presidente argelino, Abdelaziz Buteflika, tem até a meia-noite deste domingo (3) para oficializar sua candidatura, apesar da revolta que sacode o país há uma semana contra a possibilidade de quinto mandato consecutivo do líder. Milhares de manifestantes continuam protestando nas ruas.

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O primeiro-ministro argelino, Ahmed Ouyahia, confirmou que a candidatura de Buteflika será apresentada neste domingo. Enquanto isso, centenas de estudantes ocuparam o centro da capital Argel exigindo que o presidente desista de concorrer a um quinto mandato consecutivo.

Até a noite de sábado (2), quatro candidatos se apresentaram diante do Conselho Constitucional da Argélia para concorrer ao cargo de presidente do país nas eleições de 18 de abril. Nenhum deles tem peso político para vencer Buteflika nas urnas

A carismática Louisa Hanoune, presidente do Partido do Trabalhadores e candidata à presidente em 2014, anunciou no sábado que sua legenda não participará das eleições deste ano. A líder pede o adiamento da votação para uma mudança radical no governo da Argélia. 

"Todo mundo compreendeu que as eleições não significam mais nada, depois de anos de um sistema falho, uma justiça que não é independente. Os argelinos aspiram a um novo sistema, mais democrático, mais transparente", ressalta Hanoune.

Demissão do diretor de campanha de Buteflika

O presidente argelino demitiu no sábado o seu diretor de campanha, o ex-primeiro-ministro Abdelmalek Sellal, que coordenou as três últimas campanhas de Buteflika. Sem nenhuma explicação sobre a mudança, a agência de notícias oficial do governo APS apenas indicou que Sellal será substituído pelo atual ministro dos Transportes, Abdelghani Zaalane.

Nenhum representante do governo Buteflika reagiu até o momento às manifestações que já duram mais de uma semana. Os protestos de sexta-feira (1°) na capital Argel e em outras cidades são considerados como os maiores durante os 20 anos de governo de Buteflika. Uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas nos confrontos com a polícia.

A grande mobilização foi ignorada até quinta-feira (28) pelos grandes grupos de mídia do país, cujos proprietários são próximos do presidente argelino. Revoltados, os jornalistas também saíram às ruas para um protesto contra a censura, que terminou com forte repressão policial e a prisão de cerca de dezenas de profissionais. 

Presidente argelino está hospitalizado

Buteflika, que completou 82 anos no sábado, está hospitalizado há seis dias na Suíça, oficialmente para exames médicos de rotina. Fragilizado por um AVC que sofreu em 2013, o presidente aparece raramente em público. Na prática, seu governo é comandado por uma cúpula militar.

O retorno do líder à Argélia não foi anunciado, faltando poucas horas para o término do prazo para a apresentar sua candidatura. Não há, porém, qualquer regra que imponha que o candidato deva comparecer pessoalmente perante o Conselho Constitucional para entregar o seu dossiê. 

 

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