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Nova Zelândia/ataque

Nova Zelândia: ataque extremista contra mesquitas deixa pelo menos 49 mortos

Forças armadas perto da igreja de Christchurch, na Nova Zelândia
Forças armadas perto da igreja de Christchurch, na Nova Zelândia REUTERS/SNPA/Martin Hunte

Duas mesquitas foram atingidas por um tiroteio na cidade de Christchurch, no sul do país, nesta sexta-feira (15), em um ataque perpetrado por um australiano radical de extrema direita. Segundo o chefe da polícia local, Mike Bush, 48 pessoas estão hospitalizadas.

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O atirador principal, um australiano de 28 anos, foi detido com outros dois suspeitos armados e indiciado por homicídio. Uma mulher também foi presa. A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, descreveu o massacre como “um dos dias mais sombrios jamais vividos no país”, conhecido pela sua tolerância e diversidade. “O que aconteceu aqui é um ato excepcional e sem precedentes de violência. Muitos dos que foram atingidos pelos tiroteios são imigrantes ou refugiados", declarou.

Na hora do tiroteio, a mesquita Masjid al Noor, na avenida Deans, uma das mais conhecidas da cidade, estava lotada de fiéis, incluindo a equipe nacional de cricket do Bangladesh. Os jogadores saíram ilesos.

Uma testemunha contou que estava rezando quando ouviu os tiros e, fugindo do local, viu sua mulher ser atingida por uma bala na frente da mesquita. Outro homem viu os extremistas atirarem em crianças. “Tinha sangue para todos os lados”, declarou.

Policiais destruíram explosivos encontrados num carro próximo de um dos locais do ataque. Por precaução, as forças armadas neozelandesas destruíram sacos suspeitos na capital do país, Auckland.

A polícia pediu à população que não compartilhasse “imagens extremamente chocantes”, publicadas ao vivo no Facebook, que mostram um homem branco atirando nas vítimas. As cenas também mostram galões de gasolina e armas escondidas no bagageiro de um carro nas proximidades.

Manifesto de atirador cita Marine Le Pen

Antes de agir, o atirador publicou em seu perfil no Twitter um manifesto racista e homofóbico, no qual declara sua admiração por Donald Trump. No documento de 73 páginas, intitulado "A Grande Substituição", o australiano diz que queria atacar os muçulmanos. O título parece ser uma referência a uma tese do escritor francês Renaud Camus sobre o desaparecimento de "povos europeus", "substituídos" por populações de imigrantes não europeias, que está crescendo em popularidade nos círculos de extrema direita.

No manifesto, o atirador diz que nasceu na Austrália em uma família de baixa renda. Ele declara que os principais momentos de sua radicalização foram a derrota da líder de extrema direita Marine Le Pen nas eleições presidenciais francesas em 2017 e um ataque de caminhão que matou cinco pessoas em Estocolmo em abril de 2017, incluindo uma menina de 11 anos.

Marine Le Pen reagiu à citação do extremista. "Os atentados terroristas são os piores atos de covardia que se pode imaginar. Eles devem ser impiedosamente reprimidos onde quer que aconteçam, seja qual for sua sórdida motivação. Todas as vítimas e suas famílias devem receber apoio e ser defendidas", tuitou a líder da extrema direita francesa.

Linha telefônica

A prefeitura da cidade neozelandesa abriu uma linha telefônica destinada aos pais dos jovens que manifestavam contra o aquecimento global, perto do local onde ocorreu o ataque. Todas as escolas da cidade foram fechadas, assim como a biblioteca central. A Nova Zelândia, conhecida pela sua baixa taxa de criminalidade, elevou seu nível de alerta de baixo para elevado.

De acordo com um censo publicado em 2013, cerca de 46 mil pessoas se consideram “muçulmanas” na Nova Zelândia, cerca de 1% da população total. Em 2017, seis fiéis foram mortos em uma mesquita em Québec, no Canadá. O autor do tiroteio foi condenado à prisão perpétua.

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