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Tailândia/ eleições

Tailândia: primeiras eleições após golpe podem fortalecer a oposição

Eleitores do partido de oposição Pheu Thai Party comemoram primeiros resultados das pesquisas de boca de urna nas eleições legislativas da Tailândia.
Eleitores do partido de oposição Pheu Thai Party comemoram primeiros resultados das pesquisas de boca de urna nas eleições legislativas da Tailândia. REUTERS/Athit Perawongmetha

Os tailandeses foram às urnas neste domingo (24) pela primeira vez desde o golpe de estado de 2014, quando um governo militar se instalou no país. As eleições legislativas serão um teste para os generais, que contam com a permanência no poder. Os primeiros resultados indicam que o partido Palang Pracharat, aliado do Exército e do chefe de governo, general Prayuth Chan-Ocha, ficou em primeiro lugar, com 7,3 milhões de votos.  

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O principal partido de oposição, Pheu Thai, do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, estaria com 6,8 milhões de votos, após a apuração de 90% das urnas.

Há anos, a Tailândia se divide entre facções que apoiam uma família influente do país, os Shinawatra (chamados de "vermelhos"), e uma elite conservadora aliada ao Exército (os “amarelos”), que se apresenta como uma garantia da estabilidade do país e da proteção da monarquia.

O general Prayut Chan-Ocha dispõe da Constituição, aprovada em 2016, que dá aos militares o poder de nomear os 250 membros do Senado. Por isso, basta que o Phalang Pracharat, partido pró-junta, conquiste 126 cadeiras das 500 na Câmara de Representantes para conservar o controle do país.

Os outros movimentos políticos, a começar pelo Pheu Thai, teriam que conquistar 376 cadeiras para conseguir governar o país. Os "camisas vermelhas" precisariam de um grande apoio nas zonas rurais e pobres do norte e nordeste do país.

Eleitora vota em Bangkok neste domingo (24/03/2019).
Eleitora vota em Bangkok neste domingo (24/03/2019). REUTERS/Athit Perawongmetha

Aumento dos eleitores jovens

No total, 51 milhões eleitores estavam aptos a votar. Mais de sete milhões de novos eleitores, com idades entre 18 e 25 anos, estavam registrados e o pleito contou com novos partidos, com o Future Forward, do bilionário Thanathorn Juangroongruangkit. No sábado, o rei da Tailândia, Rama X (Maha Vajiralongkorn), que quase nunca fala em público, pediu "apoio às pessoas corretas para evitar o caos". Ele escolheu as mesmas palavras que seu pai, Bhumibol Adulyadej, adorado pelos tailandeses e falecido em 2016, usou em 1969.

A mensagem de Rama X, que tem grande influência no país, foi divulgada diversas vezes na televisão antes da abertura dos centros eleitorais. O comandante das Forças Armadas, o general Apirat Kongsompong, considerou a declaração real "positiva".

Senado nas mãos do exército

As eleições representam uma disputa entre os que apoiam a junta militar e os que desejam mais democracia. As novas regras eleitorais limitam a possibilidade de que apenas um partido conquiste ampla maioria no Parlamento, o que provoca o temor de uma eventual paralisação.

Ao mesmo tempo, a aguardada forte participação deve reforçar a presença de partidos da oposição pró-democracia. A Tailândia é um dos países com maior desigualdade social do mundo.

Os partidos ligados aos "vermelhos" venceram todas as eleições desde 2011, mas agora não dispõem de suas duas figuras emblemáticas: Thaksin Shinawatra, derrubado em 2006 e no exílio, e sua irmã Yingluck, afastada do poder em 2014.

Também foi um duro golpe para o clã Shinawatra a dissolução, em fevereiro, pela Corte Constitucional, do partido Thai Raksat Chart, ligado à família.

Seus líderes foram condenados a passar 10 anos afastados da vida política depois que foram declarados culpados de atos "hostis à monarquia", quando apresentaram a irmã do rei, a princesa Ubolratana, como candidata ao cargo de primeira-ministra.

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