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Kim Jong-un/Putin

Mistério e blindagem com Putin nos confins da Rússia: a estratégia de Kim Jong-un para sair do isolamento

Kim Jong-un e Vladimir Putin realizam cúpula inédita a partir desta quinta-feira, 25 de abril de 2019.
Kim Jong-un e Vladimir Putin realizam cúpula inédita a partir desta quinta-feira, 25 de abril de 2019. Reuters

O líder norte-coreano Kim Jong-un chegou à Rússia para uma visita de dois dias nesta quarta-feira (24). Sob segurança cerrada e exigências que vão desde à chegada em Vladivostok, no extremo leste do país, até a utilização de sua própria limusine, trazida de trem, o líder norte-coreano se reunirá com Vladimir Putin amanhã para uma cúpula inédita entre os dois líderes. Como é frequentemente o caso, Kim Jong-un fez a viagem em um trem blindado. O chefe do regime da Coreia do Norte demonstra sinais de querer sair de seu isolamento, e escolheu o todo-poderoso Putin para dar início à sua empreitada.

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Daniel Vallot, correspondente da RFI em Moscou

Nas imagens transmitidas pela televisão pública russa, Kim Jong-un traz um grande sorriso no rosto. Tapete vermelho, música militar: a recepção parece estar de acordo com as preferências do líder norte-coreano. Poucas horas antes, na fronteira, mulheres de trajes folclóricos o haviam recebido com pão e sal, como é tradição na Rússia.

"Cheguei à Rússia com os sentimentos calorosos do nosso povo e, como disse antes, espero que esta visita seja frutífera. Espero que, no curso das nossas conversações com o Presidente Putin, eu consiga abordar concretamente as questões relativas à regularização da situação na península da Coreia e também o tema do desenvolvimento das nossas relações bilaterais", declarou o líder norte-coreano.

Depois de chegar de trem, foi em uma limusine que o líder norte-coreano se dirigiu à ilha de Russki, em frente a Vladivostock. É nessa ilha que acontecerá a reunião marcada para amanhã entre Kim Jong-un e Vladimir Putin. Segundo a imprensa russa, o tráfego marítimo foi proibido em toda a ilha, cujo único acesso terrestre é uma ponte construída em 2012.

Uma das outras condições de "segurança" impostas pelo líder norte-coreano era poder se deslocar apenas em sua própria limusine, especialmente transportada por trem. Segundo a imprensa russa, também foi necessário ampliar o portão da estação de Vladivostok em 20 centímetros para permitir a passagem do veículo norte-coreano.

A cidade portuária de Vladivostok, onde o líder norte-coreano Kim Jong-un e o presidente Vladimir Putin se encontrarão desempenha um papel estratégico para a Rússia no Oriente. Localizada há mais de 6.500 quilômetros de Moscou, mas a apenas 200 quilômetros da fronteira com a Coreia do Norte, essa cidade de 600.000 habitantes é considerada a janela da Rússia na Ásia e no Pacífico.

Estratégia para sair do isolamento

Kim Jong-un multiplica as reuniões de cúpula com dirigentes estrangeiros desde o ano passado e fala em início de desnuclearização: depois que os líderes chineses, sul-coreanos, norte-americanos e vietnamitas, é agora a vez do presidente russo. Um caminho para o líder norte-coreano romper com seu isolamento diplomático crescendo desde seus repetidos testes nucleares e se apresentar como um chefe de Estado "normal".

Enquanto as negociações com os Estados Unidos estão paralisadas desde o fracasso da cúpula com seu presidente, Donald Trump, em fevereiro, o fortalecimento dos laços com a Rússia permite que Kim Jong-un mostre a Washington que tem outras opções em caso de colapso total das negociações.

Muitos observadores têm apontado a ausência em Vladivostok do temido general Kim Yong-chol, que acompanhou Kim Jong-un, em cada uma de suas viagens anteriores. O homem era o encarregado das negociações de desnuclearização com os Estados Unidos. Ele acaba de ser substituído, provavelmente por causa do fracasso do último encontro com Donald Trump.

Um programa já estabelecido

Segundo o Kremlin, dois tópicos estarão em discussão: a cooperação entre os dois países e, claro, a questão do programa nuclear norte-coreano. A cúpula de Hanói entre Kim Jong-un e Donald Trump, em fevereiro, terminou em fracasso, e na Rússia esta é considerada uma oportunidade para se aproveitar, auqndo Putin poderá interferir neste diálogo e talvez propor soluções. 

Para Moscou, portanto, deve-se reduzir gradualmente as sanções tomadas em 2017 pelo Conselho de Segurança da ONU - é precisamente neste ponto que a cúpula de Hanói fracassou. Kim Jong-un poderia, então, discutir com Putin a questão dos trabalhadores norte-coreanos na Rússia, que não são mais do que 10.000 pessoas hoje.

De acordo com as sanções adoptadas pelo Conselho de Segurança em 2017, a Rússia comprometeu-se a expulsar todos os trabalhadores até o final de 2019. Estes trabalhadores são uma importante fonte de divisas para o regime de Pyongyang, que captura muito de seu salário.

Rússia quer ter um papel na reintegração diplomática norte-coreana

Já faz quase um ano desde que a diplomacia russa tentou organizar essa entrevista, mas Kim Jong-un parecia estar evitando isso. Para a Rússia, uma reunião ao mais alto nível com a Coreia do Norte é uma maneira de desempenhar um papel em uma questão de importância internacional, e hoje Vladimir Putin quer que seu país esteja envolvido em todos os principais assuntos, como foi o caso na era soviética.

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